Protagonismo como arma contra o preconceito: a minha aldeia as mulheres são iguais aos homens – Parte 2

Falar sobre representatividade feminina indígena não é algo fácil, tendo em vista que no Brasil algumas particularidades refletem a diversidade do nosso país fazendo com que as mulheres indígenas ainda estejam entre as mais vulneráveis e marginalizadas. Prova disso é a história da índia Zahy Guajajara (29), que lutou por sua liberdade fora da aldeia onde nasceu e conseguiu conquistar visibilidade não só para si, mas também para seu povo, tornando-se um símbolo de representatividade para o público feminino e para todos os povos indígenas.

Zahy Guajajara é uma índia maranhense que vive no Rio de Janeiro. Ela se mudou aos 19 anos para o Rio em busca de uma vida melhor, mais justa e com mais oportunidades. Ao chegar à “Cidade Maravilhosa”, a indígena passou a viver na aldeia Maracanã, tornou-se ativista e, logo mais tarde, atriz.

Durante a infância na aldeia Colônia em Barra do Corda no Maranhão, ela fala que passou por muitas dificuldades com a sua família, como não ter o que comer ou somente começar os estudos aos nove anos, sem nem sequer ter condições de comprar um caderno.

No primeiro ano de escola ela não falava muito bem o português,além de ser muito tímida, por isso não conseguia fazer amizade com ninguém. “As outras crianças zombavam de mim por ser indígena e por isso eu me chateava na época”, reclamou.

A mudança para o Rio foi algo difícil, pois não é simples sair do seu âmbito familiar e ir para a cidade grande sozinha, ainda mais sem muita ajuda financeira. Por ser mulher e indígena, ela se sentiu diversas vezes vulnerável e passou por muitas dificuldades sendo afetada física e psicologicamente. Mas ela garante que isso lhe ensinou a valorizar ainda mais as suas qualidades como mulher e indígena. “Hoje me sinto tão mais livre para ser mais infinitamente a mulher indígena que sou”.

Zahy afirma que há uma grande diferença entre a mulher da aldeia e da cidade, pois enquanto na aldeia uma mulher é livre para fazer as mesmas coisas que os homens, na cidade as mulheres são julgadas por querer fazer as mesmas coisas que os homens e até mesmo usar um short curto é sinônimo de vulgaridade. Enquanto os homens da cidade querem ser superiores às mulheres, na aldeia os homens não têm preconceito quando a mulher assume algum tipo de liderança. “Muito pelo contrário, para nós é um máximo”.

Em 2017 Zahy interpretou a personagem Domingas na minissérie “Dois Irmãos” da Globo, onde teve a oportunidade de proporcionar maior visibilidade para seu povo. Sem dúvidas esse trabalho lhe permitiu valorizar a representatividade indígena feminina, já que é comum chamarem atrizes “normais” e transformá-las em índias, mas dessa vez a autenticidade foi um dos principais requisitos para o papel. “Meu sonho é ver a indiarada (sic) infiltrada em todas as categorias artísticas (risos). Afinal nós somos os primeiros artistas”.

Essa reportagem faz parte da Revista Dandara e teve a participação de Janilson Silva, Samuel Reis, Talila Frazão e Thárcila Castro. Ela será apresentada nesse blog em 5 partes.

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