Volta as aulas no Maranhão: uma decisão errada

A flexibilização do isolamento social no Maranhão pode acarretar em um maior aumento do número de casos.

Conforme o decreto do Governador do Maranhão, Flávio Dino, que saiu no dia 20 de maio, determinou a retomada gradual das aulas. As aulas presenciais do ensino privado e público estão suspensas até o dia 14 de junho. Após essa data, será retomada gradualmente as atividades educacionais, seguindo medidas de segurança.

A retomada das aulas será dividida em etapas, começando pelos cursos de ensino superior, seguido pelo ensino médio, ensino fundamental e infantil. As instituições educacionais de idiomas, bem como de educação complementar serão os últimos a serem liberados. As instituições deverão retomar primeiramente as séries mais avançadas (terceiras séries do ensino médio e períodos finais das instituições de ensino superior) para as iniciais.

A decisão das voltas das aulas, mesmo de forma gradativa, acaba sendo muito equivocada. Diante da situação em que se encontra no Maranhão, cerca de 35.297 casos confirmados de coronavírus e tendo 976 óbitos (até o fechamento desse artigo), ,ainda é uma situação muito preocupante para começar uma liberação das aulas presenciais. Em São Luís, por exemplo, cerca de 96,25% dos leitos exclusivos para COVID-19 estão ocupados. Em Imperatriz, não está muito diferente, cerca de 92,59% dos leitos já foram ocupados, conforme a Secretária de Saúde do Estado do Maranhão.

A flexibilização do isolamento social no Maranhão pode acarretar em um maior aumento do número de casos. Mesmo que os números estejam decrescendo por causa do lockdown, com a retomada das aulas, toda essa conquista acaba sendo em vão. No Brasil, diferente da recomendação da OMS, não está testando em massa toda a população. Somente casos graves suspeitos. O que acaba prejudicando o número real de pessoas contagiadas, porque a doença reage de forma diferente dependendo da pessoa.

Existe uma subnotificação dos casos no Brasil. Por exemplo, a Secretária de Estado de Saúde da Minas Gerais informou que existiriam dez casos subnotificados a cada caso oficial. Em Minas Gerais, existe atualmente 9.232 casos de infecção pelo novo coronavírus. Pelo cálculo, existiriam, portanto, o total de 92.320 casos subnotificados.

A doença continua se espalhando no interior do Estado do Maranhão. Em Balsas, cidade do sul do Maranhão, por exemplo, registrou sua primeira morte por coronavírus, tendo 275. casos confirmados, conforme o Boletim da Prefeitura de Balsas. Em Pindaré-Mirim, existem relatos de pessoas doentes com sintomas parecidos com covid-19, como febre, tosse seca, cansaço, dores e desconfortos, dor de garganta, dor de cabeça, perda de paladar ou olfato, dificuldade de respirar e faltar de ar, dor ou pressão no peito e perda de fala ou movimento. Mas como essas pessoas não foram testadas, a população fica na dúvida e com medo.

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