É falso que vacina contra a Covid-19 pode criar novas variantes do coronavírus

Não é verdade que a vacinação contra a Covid-19 pode gerar novas variantes do coronavírus, conforme afirmou o virologista francês Luc Montagnier, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 2008, durante entrevista que tem sido citada em sites e nas redes sociais. Segundo especialistas ouvidos pelo Aos Fatos, é a contaminação descontrolada da doença que pode contribuir para o surgimento das cepas. A vacinação em massa tem a capacidade de interromper esse processo.

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As postagens enganosas contam com ao menos 1.705 compartilhamentos nesta quarta-feira (2) no Facebook e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma.


Ganhador do Nobel de Medicina Luc Montagnier afirma: vacinas contra Covid estão criando uma nova variante

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As vacinas contra Covid-19 não são capazes de criar novas variantes do Sars-Cov-2, vírus causador da doença, diferentemente do que afirmou o virologista francês Luc Montagnier, Nobel de Medicina em 2008, em uma entrevista concedida ao Divulgation, site francês que costuma publicar e amplificar teorias conspiratórias e negacionistas.

Segundo especialistas ouvidos por Aos Fatos, a declaração do virologista não tem amparo científico. Na verdade, há comprovação de que as vacinas podem interromper as mutações do vírus em ambientes com contaminação descontrolada e acabar com a pandemia.

Letícia Sarturi, mestre em imunologia pela USP (Universidade de São Paulo), explica que as mutações que geram novas variantes ocorrem a partir de um excesso de replicação do vírus onde a taxa de transmissão está alta – caso do Brasil – e que a vacinação em massa tem a capacidade de desacelerar este processo, minimizando, portanto, o potencial de criação de novas cepas.

Além disso, o surgimento de variantes em ambientes onde a aplicação dos imunizantes ainda não havia começado ou em regiões com baixa taxa de cobertura vacinal mostra que não é possível traçar uma relação causal entre as vacinas e a geração de novas cepas do Sars-Cov-2 de preocupação global.

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A P.1, conhecida como “variante de Manaus”, por exemplo, surgiu em dezembro de 2020. A campanha de vacinação no país começou oficialmente no dia 17 de janeiro, quando o Amazonas já passava por um colapso.

Da mesma forma, a B.1.1.7 circulava no Reino Unido desde setembro, enquanto a vacinação começou apenas em 8 de dezembro. Outra variante que causa preocupação, a B.1.617.2, foi descoberta na Índia em outubro do ano passado, e o país começou a vacinar somente em janeiro deste ano.

As vacinas contra Covid-19 já têm apresentado bons resultados na inibição da doença. Além da queda no Reino Unido, Israel, que vacinou a população em massa, viu novas infecções diárias caírem de um pico de 10 mil em janeiro para cerca de cem em abril.

Resultados de um projeto de vacinação em massa do Instituto Butantan na cidade de Serrana (SP) mostram que as mortes por Covid-19 caíram 95% após o fim da pesquisa, que durou quatro meses. O estudo, divulgado no último domingo (30), também aponta que a pandemia pode ser controlada com 75% da população vacinada.

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Fenômeno. Montagnier ainda desinforma ao dizer que as vacinas contra Covid-19 podem ser nocivas pelo potencial de gerar um fenômeno conhecido como Aprimoramento Dependente de Anticorpos (ADE, na sigla em inglês), que deixaria o paciente em condições mais vulneráveis após a vacinação do que antes de receber o imunizante.

Segundo a pesquisadora Ariane Abreu, filiada ao INC (Instituto Nacional de Cardiologia), apesar de ter sido uma preocupação no início das pesquisas, este fenômeno não foi identificado nas vacinas contra a Covid-19.

Também tem circulado nas redes sociais que Montagnier teria dito que a população vacinada contra Covid-19 morreria em um período de dois anos. A declaração, no entanto, não consta na entrevista concedida pelo virologista, conforme já checou o Aos Fatos.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica e pelo Fato ou Fake, do G1.

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