Univates e IFMA encaminham dois pedidos de patente para o Inpi, estudos envolvem o babaçu

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) e pela Universidade do Vale do Taquari – Univates, em parceria com o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) motivou recentemente encaminhamento de dois pedidos de patentes ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A Univates é uma Instituição de Ensino Superior Comunitária (ICES) de Lajeado, na região central do Rio Grande do Sul, e é onde o então mestrando José Silva Machado, de Caxias, no Maranhão, desenvolveu sua pesquisa

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As pesquisas envolvem o coco babaçu (Orbignya speciosa Mart.). Uma das patentes é sobre a produção de biodiesel a partir do azeite dessa palmeira, e a outra, a partir do óleo. Em ambos os casos, os produtos atendem aos parâmetros de qualidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os estudos foram realizados ao longo de dois anos. 

A diferença entre o óleo e o azeite no contexto da pesquisa se deve à forma de extração de ambas as matérias-primas a partir do coco babaçu. O óleo foi obtido por meio de processo de extração mecânica e o azeite do coco babaçu foi extraído por aquecimento.

Atualmente, a principal matéria-prima utilizada para a produção de combustíveis é o petróleo, que se caracteriza por ter origem fóssil, não renovável e não biodegradável, sendo o principal agente agravante do efeito estufa, por meio de seus derivados como a gasolina e o óleo diesel, que ao entrarem em combustão liberam grandes quantidades de CO2. 

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Os estudos que culminaram com os pedidos de patente foram conduzidos pelo então mestrando José Silva Machado, de Caxias, no Maranhão, e vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS) da Univates. Foram orientados pela professora doutora Claucia Fernanda Volken de Souza, com coorientação da professora doutora Ana Angélica Mathias Macêdo, que colaborou por meio da realização de atividades experimentais em laboratórios no IFMA. Também contam com o envolvimento de João Ferreira da Silva Neto, do IFMA, e Fernando José Figueiredo Agostinho D’Abreu Mendes, do IPC, de Portugal. 

A professora doutora Claucia Fernanda Volken de Souza assegura que o encaminhamento do pedido de patente representa o êxito de um trabalho coletivo de pesquisa, em parceria com os pesquisadores do IFMA e do IPC. “Somaram-se esforços para promover o aproveitamento de subprodutos dessa palmeira e a possível geração de renda para as comunidades do interior do Maranhão que trabalham na exploração sustentável do coco babaçu. Além disso, mostra a qualidade das pesquisas desenvolvidas pelos docentes e discentes do PPGSAS”, observa.

A docente argumenta que vislumbra oportunidades de produção de biodiesel a partir do óleo e do azeite de coco babaçu, especialmente se políticas públicas potencializarem a cadeia produtiva por meio da exploração sustentável dos seus produtos e subprodutos, e incentivos econômicos para o desenvolvimento de fontes alternativas e renováveis de energia. “Os biodieseis gerados a partir do óleo e do azeite do coco babaçu apresentaram características promissoras como fontes energéticas”, relata Claucia. 

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O pesquisador responsável pelos trabalhos com a patente, José Silva Machado, acrescenta que o trabalho abre perspectivas para as comunidades no que diz respeito ao aproveitamento integral do coco babaçu. Para isso ele acredita que é necessário que essas comunidades recebam mais informações sobre as possibilidades do babaçu. “Também carece que o Governo Federal insira o coco no programa do biodiesel gerando oportunidades para as comunidades com mais emprego e renda”. 

O biodiesel como alternativa

A pressão mundial sobre o uso de combustíveis não renováveis obrigou alguns países industrializados a assumirem metas de redução de emissão dos gases poluentes na atmosfera durante a Convenção de Kyoto, em 1997, e se comprometerem a buscar novas formas e fontes de energias biodegradáveis e renováveis. Como alternativa, vêm sendo utilizados óleos vegetais, gorduras animais, entre outros, para produção do biodiesel e uso em veículos ou motores do ciclo diesel, resultando na diminuição da emissão de gases poluentes.

O biodiesel apresenta vantagens em relação ao óleo diesel, entre elas, ser livre de enxofre e compostos aromáticos e menor emissão de partículas. As vantagens do biodiesel também incluem menor emissão de gases poluentes; matéria-prima biodegradável, renovável e não tóxica; maior lubricidade em relação ao diesel mineral; redução no desgaste do motor; maior eficiência na queima; alto ponto de fulgor e possibilidade de ser misturado com combustíveis fósseis para a utilização em motores do ciclo diesel, além de gerar mais segurança para o armazenamento, manuseio e transporte devido ao alto ponto de fulgor. Destaca-se que a inserção do biodiesel na matriz energética mundial representa grande sinergia para o agronegócio e a redução da poluição do meio ambiente.

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Portanto, o biodiesel tem possibilidade de substituir o óleo diesel derivado de petróleo e permite estabelecer o ciclo fechado do carbono que é liberado na combustão e reabsorvido no crescimento da massa vegetal, diminuindo o efeito estufa.

Biodiesel a partir do azeite de coco babaçu 

A invenção se trata de biodiesel produzido a partir do azeite de coco babaçu (Orbignya speciosa Mart.) com potencial utilização em motores a diesel, visando à substituição de matéria-prima fóssil e não renovável por materiais combustíveis biodegradáveis e renováveis.

Com origem vegetal, renovável e biodegradável, o biodiesel produzido a partir do azeite de coco babaçu tem grandes vantagens quando comparado ao diesel derivado de petróleo, por possuir matéria-prima de baixo custo, fácil acesso, simples extração, não poluente e de fácil descarte.

Biodiesel a partir do óleo de coco babaçu   

O biodiesel produzido a partir do óleo de coco babaçu apresenta a capacidade de utilização em motores do ciclo diesel e também se configura como uma alternativa para a substituição de combustíveis derivados de matérias-primas fósseis e não renováveis por materiais combustíveis biodegradáveis e renováveis.

Trajetória de pesquisa 

Machado, que é engenheiro eletricista, revela que foi gratificante realizar o trabalho de pesquisa que culminou no pedido das patentes. “Me proporcionou novos aprendizados, novos conhecimentos, tive oportunidade de manusear equipamentos de alta tecnologia e compreender a logística da produção de biodiesel, bem como entender como funcionam os motores do ciclo diesel”, diz. 

Além de tratar do biodiesel, Machado observa que, a partir da sua pesquisa, foi possível entender melhor as causas da poluição ambiental devido aos poluentes expelidos pelos veículos automotores. Por fim, ele registra agradecimento. “Pude entender o quão é gratificante trabalhar em equipe, estabelecer parcerias, valorizar os saberes tradicionais das comunidades. Esse trabalho foi executado por várias mãos, as quais eu agradeço a ajuda”, conclui ele. 

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O babaçu

O coco babaçu é um recurso fundamental para diferentes comunidades do Norte e Nordeste do Brasil, tanto em termos nutricionais quanto financeiros. Segundo o Censo Agropecuário mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a amêndoa do babaçu é o segundo produto florestal não madeireiro mais vendido no Brasil, com cerca de 120 mil toneladas anuais, alcançando aproximadamente R$ 120 milhões. 

O babaçu tem várias opções de uso, desde alimentação até aplicação nas indústrias de cosméticos, farmacêutica, química, veterinária e combustível. A cadeia produtiva do babaçu compreende 11 Estados e 279 municípios no Brasil. Os babaçuais ocupam cerca de 18,5 milhões de hectares no País, sendo cerca de 10,3 milhões apenas no Maranhão. 

A palmeira babaçu (Orbignya speciosa Mart.) floresce durante todo o ano, com picos de produção de agosto a janeiro. Cada palmeira produz cerca de 6 cachos de frutos, denominados coco babaçu, com altura de 10 a 30 metros e caule com 25 a 44 cm de diâmetro. As sementes pesam em média de 3 a 4 gramas, contêm entre 60% e 68% de óleo, podendo alcançar 72% em condições adequadas de crescimento da palmeira.

Texto: Lucas George Wendt/Univates 

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