Travesti negra é amarrada pelos pés e agredida com pedaço de madeira no Piauí

Uma travesti conhecida como Amaral foi filmada com os pés amarrados e recebendo golpes de pedaço de madeira dentro de um porta-malas em Teresina (PI). As imagens foram divulgadas nas redes sociais na segunda-feira (19/7) e tomaram repercussão após a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) cobrar posicionamento da prefeitura da cidade, do governo do estado e da GCM (Guarda Civil Municipal), cujos guardas aparecem em parte da gravação no local, observam a vítima jogada no chão com os pés amarrados e a algemam depois que a corda é retirada dos tornozelos. Ela ainda aparece sendo conduzida à caçamba da viatura prefixo GCM-31 e um dos agressores parece que é levado pela guarda, mas a filmagem é interrompida.

De acordo com a gerente de enfrentamento à LGBTfobia da Superintendência de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos do Piauí Joseane Borges, Amaral foi colocada em liberdade logo em seguida e a equipe da pasta está tentando procurá-la para fazer o encaminhamento aos serviços de assistência social. “Os relatos é de que ela já era conhecida por praticar furtos e ontem disseram que ela furtou um botijão de gás de uma residência e um colar de um morador, que ela vive em situação de rua e teria problemas psicológicos”, afirma. “Se ela errou, que ela pague pelo crime dela, mas não dessa forma. Nós temos leis e uma pessoa não pode ser torturada num Estado Democrático de Direito”.

Joseane também declarou que solicitou reunião com o comando da GCM. “Eles foram omissos com as agressões que ela sofreu, a algemaram e não chamaram a polícia como deveria ser feito”, critica. “Não podemos justificar um crime cometendo outro, ainda mais se tratando de uma travesti negra, que é a população que mais morre entre os LGBTs. É tortura”.

A Antra considerou o episódio uma “barbárie”. “É inadmissível a espetacularização da violência contra pessoas trans de forma pública e aceita de forma naturalizada por quem assiste passivamente esse horror!”, disse em posicionamento no Twitter. “Que ela seja levada a justiça pelo seu erro, mas que tenha suporte diante de tamanha violência. E que esses torturadores que aparecem no vídeo sejam denunciados ao Ministério Público, processados ​​e paguem pelo que fizeram. Tortura é crime! Não há justiça com as próprias mãos.”https://platform.twitter.com/embed/Tweet.html?creatorScreenName=pontejornalismo&dnt=true&embedId=twitter-widget-0&features=eyJ0ZndfZXhwZXJpbWVudHNfY29va2llX2V4cGlyYXRpb24iOnsiYnVja2V0IjoxMjA5NjAwLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X2hvcml6b25fdHdlZXRfZW1iZWRfOTU1NSI6eyJidWNrZXQiOiJodGUiLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfX0%3D&frame=false&hideCard=false&hideThread=false&id=1417547196074008580&lang=pt&origin=https%3A%2F%2Fponte.org%2Ftravesti-negra-e-amarrada-pelos-pes-e-agredida-com-pedaco-de-madeira-no-piaui%2F&sessionId=77a9e9a54a68813aa38ca27366328e04e33adeae&siteScreenName=pontejornalismo&theme=light&widgetsVersion=91a128e%3A1623306204510&width=500px

O que diz a prefeitura

Ponte procurou a assessoria da GCM sobre o caso, que encaminhou a seguinte nota:

A Guarda Civil Municipal de Teresina (GCM) esclarece que atendeu a uma ocorrência no residencial Parque Brasil III, zona Norte de Teresina, nesta segunda-feira (19). Ao chegar ao local, a equipe encontrou com uma travesti amarrada, suspeita de furtar apartamentos na região. Após ouvir os envolvidos, os membros da corporação que acompanhavam a ocorrência orientaram que o suposto agressor a desamarrasse.

Na sequência, a suspeita foi algemada e, juntamente, com o suposto agressor, foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina para apuração do caso. Sobre um vídeo em que a travesti aparece sendo espancada no porta-malas de um carro, a GCM não presenciou o fato, uma vez que chegou ao local posteriormente.

Em hipótese alguma, a Guarda Civil Municipal de Teresina defende que seja feita Justiça com as próprias mãos. Por fim, o comando da GCM vai avaliar se houve falhas no procedimento.

O que diz a Polícia Civil

A reportagem também questionou a corporação sobre o encaminhamento à delegacia. A assessoria do órgão declarou que “a Delegacia de Direitos Humanos e Repressão às Consultas Discriminatórias abriu procedimento investigativo para apurar o caso” e não deu mais detalhes.

Por Ponte Jornalismo.

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