Desde a redemocratização, maioria dos ministros é homem, com mais de 55 anos e do Sudeste

Quando um presidente da República toma posse é esperada a escolha dos nomes dos que vão chefiar os ministérios. Entender os critérios que levam à escolha desses nomes é o tema de um estudo feito por um pesquisador brasileiro e uma pesquisadora japonesa, professora nos Estados Unidos, publicado no dia 2 de agosto na Revista de Administração Pública (RAP).

Os pesquisadores Pedro Neiva, da Universidade de Brasília (UnB), e Taeko Hiroi, da Universidade do Texas (EUA), quiseram entender o que mais caracteriza a escolha de um ministro e se os fatores regionais influenciam na escolha do nome para esse cargo, principalmente quando se leva em consideração certos ministérios como Saúde, Fazenda ou Educação. Eles analisaram de que forma os critérios políticos, técnicos e de proximidade ao presidente podem influenciar na hora de indicar um ministro.

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“Na hora de escolher alguém para fazer parte da sua equipe, os presidentes precisam fazer um cálculo muito complexo, que não envolve apenas o relacionamento com o legislativo, mas também as forças políticas regionais, os grupos organizados da sociedade, o contentamento dos eleitores, a implementação de políticas públicas, as caraterísticas pessoais dos ministros e as suas próprias intuições e convicções”, explica Neiva.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram a nomeação de todos os 578 ministros que tomaram posse no período pós-redemocratização brasileira, ou seja, de 1985 a 2021. Os autores tomaram como base um índice de importância ministerial criado por três outros cientistas políticos.

Encontraram-se então alguns resultados sobre o tema: os ministros da chamada Nova República, em sua maioria, são homens, com uma média de 55 anos, formação superior, sendo 24% mestres e 20,6% doutores, vindos principalmente da região Sudeste — especificamente do estado de São Paulo.

Outro dado encontrado nessa pesquisa é que o quadro de nomeação dos ministros do atual governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é o que mais se distancia da seleção histórica. O governo Bolsonaro foi o que mais escolheu ministros empresários e militares, foi também o que menos selecionou ministros com doutorado e a menor proporção dos que são oriundos do estado de São Paulo.

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Para os pesquisadores, esse estudo é importante para conhecermos melhor os diversos fatores que influenciam na escolha dos ministros. “Não se trata de uma estratégia única. Além da negociação com os partidos, entram também no cálculo do presidente as questões técnica, regional, a relação do ministro com a sociedade, a sua lealdade e a própria estratégia de governo”, explica Neiva.

Os pesquisadores deixam como sugestão para trabalhos futuros o debate em torno da presidência da república e a predominância de militares oriundos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. E sobre o papel de  Minas Gerais, que, no passado, já foi chamada de “fiel da balança da federação”.

Fonte: Agência Bori

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