Estudo de caso: seis anos de luta pelo “Direito de Saber

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a organização global de saúde Vital Strategies lançam um estudo de caso sobre a campanha de comunicação que levou a uma das mais bem-sucedidas consultas públicas do Brasil. A ideia é que o caso apresente um modelo de campanha que possa ser replicado por outros países que tenham o objetivo de obter o apoio público para rotulagem de embalagens. 

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Aprovado em outubro de 2020, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o novo padrão de rotulagem chega depois de seis longos anos de debate entre os órgãos públicos, representantes da indústria e da sociedade civil.

“Foi um grande esforço para envolver a sociedade civil nesse processo, fomos capazes de pressionar e defender as evidências científicas e os interesses de saúde pública como uma prioridade”, avalia a diretora executiva do Idec, Carlota Aquino.

De acordo com o estudo de caso, “Como a mídia ajudou a construir o caso para rotulagem de advertência no Brasil”, a campanha Direito de Saber, iniciada em 2018, levou a uma das maiores participações populares em uma consulta pública, com mais de 23 mil contribuições. A sociedade civil foi representada pelo Idec e pela Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, com apoio da Vital Strategies e da Global Health Advocacy Incubator, que desenvolveram uma ampla campanha de advocacy, que incluía uma grande campanha de comunicação para sensibilizar os consumidores sobre a importância e urgência de novos rótulos para enfrentamento de uma crise de saúde pública.

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“Os símbolos de advertência na frente da embalagem que identificam produtos prejudiciais à saúde permitem que os consumidores façam escolhas mais informadas e saudáveis”, explica a coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Janine Coutinho. “Observamos uma rápida transição da alimentação baseada em comida de verdade para um alto consumo de produtos alimentícios ultraprocessados, que ​​foi responsável por um aumento enorme nas taxas de obesidade e outros problemas de saúde no Brasil. A partir de um estudo do Idec e outros dados disponíveis no Brasil, confirmamos que havia necessidade de os consumidores terem informações mais claras para ajudá-los a fazer escolhas alimentares mais saudáveis”, completa. 

Realizada em diferentes canais de comunicação – como TV, rádio, mídia impressa e digital, a campanha teve o objetivo de expor as informações enganosas encontradas nos rótulos dos produtos alimentícios e apresentar o modelo dos triângulos pretos, para sinalizar os alimentos com alto teor de açúcar, sódio, gorduras saturadas e gorduras totais e qualquer quantidade de gorduras trans e adoçantes como a medida mais adequada para garantir o direito do consumidor de saber o que está consumindo.

O maior esforço de comunicação se deu a partir da abertura da consulta pública da Anvisa em 2019. Após a escolha da audiência e os testes de conceito, chegou-se à mensagem da campanha “Quando abrir a boca, não feche os olhos” – que era acompanhada do apelo para que as pessoas apoiassem o modelo de triângulos pretos na consulta pública. Os materiais da campanha foram vistos 741,4 milhões de vezes.

Para garantir o sucesso da campanha, a performance de cada ação era monitorada, levando a adaptações em tempo real. Também ficou clara a necessidade de abordar a comunidade médica como um grupo separado e as mensagens criativas foram ajustadas para esse público.

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Além de mídia on e offline, a campanha também trabalhou em proximidade com influenciadores. Para alcançar audiências diversas, foram abordadas figuras públicas, como a chef Rita Lobo, que participou de uma live com o Idec uma semana antes do encerramento da consulta, explicando como preencher o formulário da Agência.

Na reta final da consulta pública, a campanha contou com ação que projetava um vídeo na lateral de um prédio na Avenida Paulista. A projeção durou três horas, exibindo uma seleção de vídeos da campanha e alcançando milhares de pessoas que por ali passaram em um movimentado dia de semana. A ação gerou mais de 30 publicações em mídia local e nacional.

Mas é importante lembrar que essa luta começou muito tempo antes, ainda em 2014, quando a Anvisa criou um grupo de discussão sobre o tema. Foi depois de pesquisa do Instituto e de outros levantamentos desenvolvidos durante o período de discussão técnica sobre a informação nutricional nos rótulos, que em 2018, a Anvisa produziu um posicionamento preliminar sobre o tema e abriu um processo de consulta pública para melhorar os rótulos dos alimentos no Brasil.

O Diretor Executivo da Vital Strategies no Brasil, Pedro de Paula, reforça o papel fundamental das campanhas de comunicação no engajamento da população em defesa de políticas públicas de saúde. “A rotulagem é uma medida fundamental para ajudar os consumidores a fazer escolhas melhores, gerando, consequentemente, populações mais saudáveis. Ao contribuir com um volume de participação sem precedentes durante uma consulta pública, a campanha ‘Direito de Saber’ comprova que estratégias de comunicação cuidadosamente pensadas e testadas podem informar o público sobre a relação entre alimentos ultraprocessados e doenças, e incentivar a ação”, reforça Pedro de Paula.

Acessar aqui estudo de caso “Como a mídia ajudou a construir o caso para rotulagem de advertência no Brasil”

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