Controle da pandemia depende de acesso igualitário a vacinas, aponta análise

Diante do perigo de emergência de novas variantes, o controle da pandemia de Covid-19 exige uma distribuição igualitária de doses de vacinas entre diferentes regiões do mundo. Em análise publicada na quarta (1) na revista “Cadernos de Saúde Pública”, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) defendem que a transferência de tecnologia de vacinas para países de baixa e média renda seja o próximo passo para acelerar a vacinação em massa.

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Passados sete meses da análise dos pesquisadores, feita no início da vacinação na América Latina, a desigualdade regional na distribuição de doses ainda persiste. Segundo dados da plataforma Our World in Data, apenas 1,4% das pessoas de países de baixa renda receberam ao menos uma dose de vacina contra Covid-19 até 23 de agosto de 2021. Os desafios, inclusive, aumentaram, na avaliação de Luis Eugênio Portela Fernandes de Souza, da UFBA, co-autor do artigo. “Ainda não temos nenhuma medida objetiva de aumento da escala de produção mundial de doses de vacinas, que exigiria suspensão de patentes, transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimentos”, analisa.

Na análise, a transferência de tecnologia é uma das saídas para aumentar a capacidade mundial de produção de vacinas contra Covid-19. Para isso, Souza acrescenta que seria necessário implantar novas fábricas e compartilhar informações sobre o processo de produção. No Brasil, a conversão de alguns laboratórios para a produção de vacinas de Covid-19, hoje concentrada na Fiocruz e no Instituto Butantan, poderia expandir a oferta de doses, segundo avaliação do pesquisador.

O artigo aponta as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Consórcio Covax Facility, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com outras instituições, que  já afetam o cumprimento de seu cronograma de entrega de doses de vacina de Covid-19 para países pobres. “No ritmo atual, completaremos a vacinação de adultos apenas em 2024 e, assim, corremos o risco de perder de vista o controle efetivo dessa pandemia”, comenta o pesquisador. Até agora, apenas 24,5% da população mundial tem as duas doses completas da vacina, segundo o Our World in Data.

Para Souza, a distribuição equitativa de vacinas e, consequente, aceleração da imunização de países de renda baixa deve ser uma preocupação global. “É de interesse de todos, mesmo dos países ricos, que a vacinação avance em todos os países do mundo para evitar o surgimento de novas variantes que podem ameaçar até mesmo populações com alta taxa de cobertura vacinal”.

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Segundo o pesquisador, muitos governos de países ricos têm adotado uma postura contrária, investindo na reserva de doses para sua população em detrimento de distribuição de doses e tecnologias de produção para países de baixa renda. É o caso de países como Israel, Reino Unido e Estados Unidos que, com novo aumento de casos, começam a discutir a aplicação de uma terceira dose na sua população. “Enquanto isso, alguns países da América Latina e da África não conseguiram vacinar todos os seus profissionais de saúde e outros grupos prioritários com duas doses”, comenta Souza.

Fonte: Agência Bori

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