Proteção Animal Mundial pede que Queiroga interceda pelo fim do comércio de animais silvestres

Por conta do Encontro dos Ministros da Saúde do G20, em Roma, nos dias 5 e 6 deste mês, bem como da Cúpula da entidade, no mesmo local, em 30 e 31 de outubro, a Proteção Animal Mundial enviou carta ao ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, pedindo que mobilize seus pares por uma abordagem preventiva contra futuras pandemias. Para alcançar este objetivo, a proposta é que a as autoridades pautem o fim do comércio de animais silvestres – e de produtos feitos de partes deles – entre os países do G20.

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A organização não-governamental que trabalha globalmente pelo bem-estar animal também pede atenção aos riscos pandêmicos decorrentes da resistência antimicrobiana alimentados pela pecuária industrial intensiva. Neste sentido, pede na carta ao ministro brasileiro intercessão para que o grupo paute a proibição do uso de antibióticos na criação de animais para fins de tratamento preventivo, bem como para a promoção do crescimento dos animais.

Entre os argumentos para tal defesa, a Proteção Animal Mundial lembra os exemplos de disseminação de Covid-19, Ebola, MERS, HIV, tuberculose bovina, raiva e leptospirose. Anualmente as doenças zoonóticas são responsáveis por mais de dois bilhões de casos de enfermidades humanas, além de mais de dois milhões de fatalidades. Sessenta por cento das doenças infecciosas emergentes são zoonóticas.

Sem descanso

Esse é mais um capítulo de uma série de ações que a entidade vem empreendendo sobre o tema. Logo no começo de 2020, com o aumento dos casos de Covid-19, foi lançada a campanha #medeixaserselvagem para conscientizar a sociedade e pressionar as autoridades de todo o planeta pela adoção de ações efetivas e o banimento do comércio de animais silvestres e seus derivados como forma de evitar o surgimento e a propagação de doenças zoonóticas.

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Na mesma linha, à época da Cúpula do G20, em novembro, o recado foi transmitido em carta ao ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, considerando os impactos econômicos e sociais que a presente e futuras pandemias representam.

Em maio deste ano a Proteção Animal Mundial publicou um novo e abrangente relatório global sobre o assunto – “Protegendo o Planeta de Futuras Pandemias” – detalhando os riscos zoonóticos a as ações necessárias para freá-los.

Mobilização e exemplo

Recentemente, as orientações provisórias da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) conclamaram as autoridades a suspender as vendas de animais silvestres vivos nos mercados tradicionais de alimentos como medida de emergência para prevenir futuras pandemias.

A Itália, que atualmente ocupa a presidência rotativa do G20, também mostrou liderança e proibiu o comércio de animais selvagens e exóticos, o que envia um sinal claro para que outros países do grupo façam o mesmo.

Confira a íntegra da carta enviada pela Proteção Animal Mundial ao ministro da Saúde:

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“Ao Excelentíssimo Ministro Marcelo Queiroga Lopes:

A pandemia de COVID-19 já gerou um impacto enorme no mundo, milhões de pessoas morreram, sistemas de saúde ficaram à beira do colapso e causou grande perda econômica. Para evitar que futuras pandemias como a COVID-19 voltem a acontecer, a Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que trabalha globalmente pelo bem-estar animal, foca em duas razões principais para tais pandemias surgirem: o comércio de animais silvestres, e de produtos feitos de partes de animais silvestres; e a pecuária industrial intensiva.

O contato entre humanos e animais está criando as condições perfeitas para a disseminação de doenças zoonóticas como COVID-19, Ebola, MERS, HIV, tuberculose bovina, raiva e leptospirose. Essas doenças continuam a ter um impacto enorme em nosso mundo. A cada ano as doenças zoonóticas são responsáveis por mais de dois bilhões de casos de enfermidades humanas e mais de dois milhões de mortes humanas. Sessenta por cento (60%) das doenças infecciosas emergentes são zoonóticas.

A Proteção Animal Mundial reconhece os esforços do G20 em buscar uma abordagem One Health (Saúde Única) para a questão da prevenção de pandemias, ao abordar de maneira holística a saúde animal, humana e ambiental. Agradecemos o foco em prevenção de pandemias que foi dado durante a Cúpula Global de Saúde. E entendemos que o próximo comunicado oficial (communiqué) dos Ministros da Saúde se concentrará novamente no One Health – e nós os apoiamos neste sentido.

Pedimos ao seu Governo que, tanto na reunião dos Ministros da Saúde deste mês de setembro quanto na Cúpula de Líderes do G20 em outubro, adote uma abordagem preventiva para pandemias e coloque um fim no comércio de animais silvestres – e de produtos feitos de partes de animais silvestres – praticado entre os países do G20. Também pedimos que se concentrem na ameaça representada pela pecuária industrial no que tange a propagação de pandemias e à resistência antimicrobiana.

A continuidade do comércio internacional de animais silvestres – e de produtos feitos de partes de animais silvestres – já vem sendo foco do G20. O apelo para a elaboração de uma lista de espécies silvestres apresentando as condições sob as quais estas espécies poderiam apresentar riscos significativos de transmissão de zoonoses foi incluído no communiqué de 2020 dos Ministros da Agricultura e da Água do G20 e, pelo nosso conhecimento, não foi implementado. Pedimos à Vossa Excelência que garanta que essa ação seja implementada no mais alto nível. Também encorajamos ativamente os países do G20 a estabelecerem e imporem proibições domésticas ao comércio de animais silvestres.

Da mesma forma, pedimos que Vossa Excelência solicite a elaboração de uma lista de condições da pecuária industrial intensiva que poderiam apresentar riscos significativos de transmissão de zoonoses e resistência antimicrobiana (RAM). A pecuária industrial intensiva destrói os habitats dos animais silvestres e aumenta os riscos de transmissão de doenças zoonóticas e de RAM. A produção em alta densidade foi mencionada por estudo conjunto entre China-OMS como uma das possíveis fontes da COVID-19. O uso preventivo de antibióticos em animais está prejudicando nossa capacidade de combater doenças, por isso o encorajamos a pedir a proibição desses tratamentos profiláticos (preventivos), bem como como promotores de crescimento, conforme tendência das legislações mais atuais para o setor, caso da União Europeia a partir de 2022.

Agradecemos a vossa consideração sobre essas recomendações e estamos à disposição para auxiliá-lo.

Atenciosamente,

João Vasconcellos de Almeida – Diretor Executivo Interino – Proteção Animal Mundial Brasil”

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