UEMA: Professor Celso Silva Junior publica artigo na revista Nature sobre degradação florestal na Amazônia e mudanças climáticas

O desmatamento é responsável pela emissão demais de 40% das emissões de CO2 para a atmosfera no Brasil, um dos principais gases do efeito estufa (GEE). A Amazônia brasileira, por exemplo, vem sofrendo com o rápido aumento das perdas de suas florestas nos últimos anos, devido a uma série de fatores que incluem desde o enfraquecimento das instituições responsáveis pelo monitoramento, fiscalização e combate, assim como retrocessos legais que aumentam a sensação de impunidade e incentivam crimes ambientais na região.

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O sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC/ONU) mostrou que o mundo, provavelmente, atingirá ou excederá 1,5°C de aquecimento nas próximas duas décadas. A região Amazônica teve um aumento de temperatura de 1.02 °C desde 1979, enquanto a média global foi de 0.98 °C. Estas mudanças ambientais estão causando alterações no funcionamento da floresta, assim como impactos na população, com extremos de chuvas e secas.

Neste cenário, para limitar um o aquecimento do planeta, que intensificaria ainda mais os impactos negativos nos ecossistemas, agricultura e populações do mundo todo, são necessários cortes ambiciosos nas emissões de GEE, prevenindo desastres socioambientais de grandes magnitudes.

Nesse contexto, um grupo internacional de cientistas, especialistas em monitoramento e conservação da Amazônia, liderados pelo professor do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual do Maranhão, o maranhense Celso Silva Junior (http://celsohlsj.weebly.com), Mestre em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicaram um artigo na renomada revista Nature Geocience (https://www.doi.org/10.1038/s41561-021-00823-z) alertando para o problema da degradação florestal na Amazônia.

Os cientistas destacaram que entre 2003 e 2015, a Amazônia brasileira emitiu cerca de 7,9 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) decorrentes de incêndios florestais e efeitos de bordas, criadas pela fragmentação da floresta, atingindo 88% das emissões desse mesmo gás por desmatamento (9 bilhões de toneladas) no mesmo período (Figura 1). O mais preocupante é que esse cálculo não considera as emissões por outros distúrbios que levam à degradação florestal na Amazônia, como o corte seletivo ilegal e a diminuição da capacidade da floresta em absorver CO2 devido a eventos de secas.

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Figura 1 – Estimativa das emissões de CO2 devido ao desmatamento e degradação florestal acumuladas entre 2001 e 2015 na Amazônia brasileira.

Em novembro deste ano, as nações reafirmarão seus compromissos para a redução das emissões de GEE durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, Escócia. “Embora negligenciada, a degradação florestal causada pelo homem devido aos incêndios, extração seletiva de madeira e efeitos de borda resultam em grandes quantidades de emissões de CO2 e devem ser discutidas durante a COP26 e incorporada aos compromissos futuros para reduzir as emissões de GEE”, afirmam Nathália Carvalho e Ana Pessôa, doutorandas do Curso de Pós-graduação em Sensoriamento Remoto do INPE e coautoras do estudo.

“Nós temos as ferramentas tecnológicas que nos mostram em tempo quase real onde e quando nossas florestas estão queimando. Precisamos agora combater estes incêndios e identificar os criminosos de forma imediata, assim como investir massivamente em estratégias continuadas de prevenção, com bons planos de curto, médio e longo prazos, fortalecendo as instituições e melhorando o engajamento de toda a sociedade”, afirma Liana Anderson, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e coautora do estudo.

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As políticas para conter o desmatamento não são efetivas para impedir a degradação florestal. “A redução das emissões de GEE por desmatamento e degradação florestal requerem estratégias e soluções distintas, sendo o sucesso das medidas associado a quantificação e entendimento destes processos separadamente” afirma Luiz Aragão, coautor e líder do grupo de pesquisa TREES/INPE (http://www.treeslab.org), onde a pesquisa foi conduzida e Silva Junior realiza seu doutorado sob a supervisão de Aragão e Anderson.

Na Amazônia brasileira, enquanto as iniciativas governamentais e a pressão internacional ajudaram a reduzir as emissões do desmatamento entre 2005-2015, as emissões dos incêndios florestais e efeitos de borda aumentaram no mesmo período. Portanto, ações para reduzir as emissões de GEE só terão êxito se incorporarem os impactos negativos causados pela degradação florestal.

Dessa forma, novas estratégias devem ser estabelecidas para evitar e compensar as emissões relacionadas à degradação, incluindo o uso sustentável dos recursos florestais, restauração de florestas maduras degradadas e proteção das florestas secundárias. Essas estratégias precisam ser urgentemente incorporadas às políticas nacionais. Para isso, acordos internacionais devem abordar explicitamente a degradação florestal e garantir mecanismos que permitam pagamentos por resultados para os países que reduzam o problema, contribuindo diretamente para a prevenção dos impactos devastadores das mudanças climáticas.

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