Apesar de se dizer aliado de Israel, governo Bolsonaro comparecerá a conferência marcada por antissionismo

Participação do Brasil na Conferência de Durban é no mínimo contraditória, afirma cientista político

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Duas décadas se passaram desde a primeira edição da Conferência de Durban, evento realizado pela Organização das Nações Unidas que, apesar de ter tido como tema o combate ao Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância, é lembrado pela propagação de discursos antissionistas. Um exemplo é o texto resumo desse evento de 2001, que acusava Israel de “crimes contra a humanidade”. Após pressão de países da União Europeia, o texto foi modificado, mas as ideias antissemitas continuaram parte da Conferência ocorrida meses depois.

Amanhã, 22 de setembro, a Assembleia Geral da ONU convocou um encontro que reunirá chefes de Estado e de governo para marcar o 20º aniversário da Declaração de Durban – entre eles, o governo brasileiro. Na primeira reunião, representantes brasileiros estiveram presentes e também devem comparecer amanhã em Durban IV, que terá como tema oficial “Reparações, justiça racial e igualdade para os afrodescendentes”. 

A conferência de um dia planeja pedir a “implementação plena e efetiva” da Declaração de Durban. Entretanto, não há como garantir que a discussão de 2021 não seja novamente marcada por acusações de racismo e discurso de ódio contra Israel. Para André Lajst, cientista político e diretor executivo da StandWithUs Brasil, “o fato do governo Bolsonaro, que se diz pró-Israel, participar da maior conferência antissemita do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, que rejeita a ideia de Israel existir, é, no mínimo, um absurdo e uma gigantesca contradição”.

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Desde a convocação da quarta edição da conferência, 31 nações promoveram um boicote ao evento, sendo que o Uruguai foi o primeiro e único país latino-americano a se negar a participar. Esses países justificam sua ausência se posicionando contra o discurso de ódio contra Israel e os judeus, além do negacionismo do Holocausto. Na lista de recusa estão presentes nações como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Israel, Reino Unidos, Uruguai, entre outros.

O Brasil ainda não emitiu declarações para negar a participação no evento. Em documento oficial, a StandWithUs Brasil, organização que acredita no combate ao antissemitismo por meio da educação, listou várias razões para o Brasil não participar do encontro “que se baseia em um posicionamento racista contra Israel e os judeus”. “Como lar de 120 mil judeus e um país que não se alinha ao discurso antissionista e ao negacionismo do holocausto, o exterminío de 6 milhões de judeus pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, é urgente que o Brasil esteja ao lado de outras democracias mundiais e declare que não participará da IV Conferência de Durban, por se tratar de um evento preconceituoso, injusto e perigoso”, consta na declaração.

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