Aprenda a reconhecer os sintomas do câncer de ovário

Conhecida por ser silenciosa, a doença não costuma apresentar sintomas e precisa de cuidados redobrados

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Dor e febre são os clássicos sintomas de que o corpo não está bem. Mas você sabia que podemos ter um problema de saúde sem que os sintomas sejam tão aparentes? Você sabe reconhecê-lo?

O câncer de ovário é daqueles que entram no rol das doenças silenciosas. Os principais sintomas – dor na região pélvica e do abdome, presença de líquido e aumento do volume abdominal – geralmente só se manifestam quando o tumor já está em fase mais avançada. “Na etapa inicial, os sintomas são vagos e inespecíficos, parecendo mais indícios de distúrbios gastrointestinais, que muitas vezes nem chegam a ser investigados. Como um fator adicional que dificulta o diagnóstico precoce está o fato de não haver um exame de rastreamento efetivo para a detecção inicial da doença”, diz a médica Marianne Pinotti, ginecologista e oncologista cirúrgica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

As estimativas apontam que pouco mais de 20% dos casos de câncer de ovário são diagnosticados em fases iniciais, quando são grandes as chances de cura. Por isso, os especialistas apontam a importância de exames de acompanhamento. Um recente teste inglês mostrou que a realização semestral de ultrassonografia transvaginal e exame de sangue do marcador CA 125 (que apresenta níveis mais elevados em pacientes com tumor de ovário, embora essa alteração também possa estar associada a doenças benignas, como endometriose) pode trazer vantagens para o diagnóstico precoce em pacientes de alto risco – mulheres com histórico familiar de cânceres de ovário, mama, pâncreas e gastrointestinais.

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Além de exames semestrais de acompanhamento, mulheres que possuem essa hereditariedade familiar podem realizar ainda testes genéticos para verificar se possuem as mutações genéticas BRCA 1 ou BRCA 2, que indicam um alto risco para cânceres de ovário e mama. “Resultados positivos confirmam a necessidade de um rastreamento rigoroso, sendo que algumas pacientes optam pela retirada do órgão preventivamente, como ocorreu com a atriz Angelina Jolie, que extraiu as mamas e o ovário. Contudo, é importante lembrar que são casos raros e extremos”, explica a médica.

Também mais suscetíveis ao câncer de ovário, mas com menor grau de risco, estão as mulheres obesas, as que tiveram dificuldade para engravidar, as portadoras de endometriose e as fumantes. Por outro lado, ter usado anticoncepcional oral de estrógeno e progesterona por mais de cinco anos é uma condição protetora que reduz a probabilidade de desenvolver a doença. De acordo com a oncologista da BP, isso vale, inclusive, para mulheres com histórico familiar e mutação genética, podendo, portanto, ser adotada como estratégia preventiva.

Diagnóstico e tratamento

Na suspeita de câncer de ovário, além da ultrassonografia transvaginal e exame de marcador, é comum ser feita uma ressonância magnética.

O procedimento para retirada do ovário, trompas e omento (camada de gordura sobre o intestino) e, quando necessário, dos linfonodos, pode ser minimamente invasivo ou por cirurgia aberta convencional, dependendo do quadro de cada paciente e do estágio do tumor. “Para mulheres em idade reprodutiva, a medicina conta hoje com recursos que permitem a preservação da fertilidade em vários casos”, lembra a Dra Marianne.

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Depois da cirurgia, é feita a análise do tipo de tumor e o tratamento prossegue com a administração de medicamentos que aumentam a possibilidade de cura ou contribuem para o controle da doença e elevam a sobrevida, como os inibidores de angiogênese (que bloqueiam os vasos que alimentam o tumor) e os inibidores da enzima Parp (que atuam na reparação do DNA e evitam a multiplicação das células cancerígenas). Outra possibilidade terapêutica com bons resultados é a imunoterapia, baseada em medicações que estimulam o próprio organismo a combater as células malignas.

“Como em qualquer doença, descobrir o câncer de ovário em fase inicial aumenta imensamente a possibilidade de cura. Por isso é fundamental manter uma rotina de consultas ao ginecologista (semestral para mulheres de alto risco e anual para as demais) e estar atenta a desconfortos e dores abdominais, irregularidade menstrual ou qualquer indício de anormalidade que perdure. Esses sinais não significam necessariamente um câncer, mas podem indicar uma série de outros problemas que, igualmente, precisam de tratamento”, conclui a médica.

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