Pesquisadores, organizações e movimentos debatem desnaturalização dos desastres e mobilização comunitária

Seminário internacional, em parceria com a UFSCar, será online, gratuito e recebe inscrições

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Por ocasião do marco dos dez anos do desastre das cidades serranas, ao qual se somam os desastres criminosos da mineração e da pandemia, será realizado, de 4 e 8 de outubro, em formato online, o “II Seminário Internacional de Desnaturalização dos Desastres e Mobilização Comunitária: crises ampliadas, redes e resistências”.

O evento é promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com as universidade federais Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro (UFRJ) e de São Carlos (UFSCar) e com o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental. 

De acordo com os organizadores, a iniciativa é resultado de um conjunto de reflexões e ações que vêm sendo realizadas de forma compartilhada entre academia, organizações e movimentos comunitários que identificam a necessidade de aprofundar as discussões sobre os desastres, sua relação com o modelo de desenvolvimento dominante e perspectivas de enfrentamento. “Entendemos que desnaturalizar a concepção dos desastres e fortalecer os movimentos comunitários é condição essencial para que novos regimes de produção do saber possam emergir e nos tornar capazes para enfrentar os radicais desafios das mudanças climáticas que se avizinham, na criação de novos modos de andar a vida”, explicam os organizadores.

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De acordo com Norma Valencio, professora do Departamento de Ciências Ambientais (DCAm) e fundadora e atual vice-coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais (Neped) da UFSCar, “‘desnaturalizar’ consiste num esforço crítico de contraposição ao mainstream nos estudos sobre desastres, representado pela teoria dos hazards”. Segundo Valencio, essa teoria, “ao dar ênfase explicativa ao componente ‘natural’ de dado fenômeno associado a um desastre (por exemplo, a escassez de chuvas), legou ao debate científico e às políticas públicas uma abordagem simplificadora acerca dos demais componentes – sociais, econômicos, políticos e técnicos – imprescindíveis à compreensão adequada do acontecimento crítico ou trágico implicado (no mesmo exemplo, aos demais fatores explicativos da crise hídrica)”, explica a professora, que integra a comissão organizadora do Seminário, que consiste em “um dos espaços nos quais essa calibragem do debate está sendo feita a partir de um diálogo entre vários campos disciplinares e saberes”. 

Norma Valencio ainda destaca: “uma coisa é um dado fenômeno entendido como ‘natural’, outra coisa é um desastre; o primeiro é parte que não pode ser tomada pelo todo. É possível que haja fenômenos naturais associados a desastres, mas o importante aqui é ressaltar o termo ‘associado a’. Isto é, um vulcão pode eclodir alhures tanto quanto um vírus ou um furacão podem se manifestar aqui ou acolá, mas são os mecanismos de associação/dissociação aos demais componentes socioespaciais, sociambientais, socieconômicos, psicossociais, político-institucionais, tecnológicos e afins que os transformarão num mero evento da natureza ou numa catástrofe. Portanto, ao lado do climatologista, do geólogo ou do epidemiologista, que interpretam o hazard [do Inglês, risco] de sua competência, outras competências precisam ser integradas para explicar o desastre em si, que é um processo mais abrangente de constituição de uma crise aguda, definida pelo estresse coletivo e perdas multidimensionais”, explica a professora da UFSCar.

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Programação e inscrições

Na programação do “II Seminário Internacional de Desnaturalização dos Desastres e Mobilização Comunitária”, serão oferecidas oficinas, cursos e palestras que contam com pesquisadores da área, autoridades do campo do Direito, lideranças indígenas e comunitárias, entre outros. O evento é online, gratuito, com emissão certificado aos participantes. A programação – incluindo temas e ministrantes – e o formulário de inscrição podem ser acessados pelo link http://seminario.desnaturalizacao.lamce.coppe.ufrj.br. Mais informações também nas redes sociais do evento: Facebook (facebook.com/desnaturalizacaodosdesastres) e Instagram (@desnaturalizacaodosdesastres).

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