Proteção Animal Mundial ajuda a entender números do impacto do fogo no Pantanal e explica como ele afeta diferentes espécies 

Conversamos com o biólogo Hugo Fernandes e compilamos alguns dos principais dados e fatos que indicam como a quantidade de animais vitimados pode ser tão assustadora – e como até ágeis onças podem acabar surpreendidas

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Em 2020, entre janeiro e agosto, as queimadas no Pantanal atingiram uma extensão inédita e devastaram uma área de 1,356 milhão de hectares. Uma ideia da magnitude disso: cada hectare equivale aproximadamente a um campo de futebol. De acordo com os dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), neste ano, em período equivalente, o estrago do fogo foi menor, da ordem de 261 mil hectares, mas ainda cima da média histórica, de 248 mil hectares. O pior é que a causa destes incêndios é principalmente a ação humana.

Toda essa área, queimada e requeimada com cada vez mais frequência, exaurindo recursos, abriga uma gigantesca diversidade de fauna e flora. O Pantanal é lar de 2 mil espécies de plantas, 152 de mamíferos, 582 de aves, 47 de anfíbios, 127 de répteis e 269 de peixes. Um patrimônio que pode ser irreversivelmente comprometido até mesmo antes de ser devidamente conhecido e catalogado.

“Quando vem o fogo, não há um impacto homogêneo. É um impacto heterogêneo, e sempre de larga escala. Quando há, por exemplo, animais com pouca dispersão em solo, como é o caso de répteis, como é o caso de anfíbios, como é o caso de vários insetos, esse impacto tende a assolar quase a totalidade da população daquela espécie naquela região”, explicou o biólogo e divulgador científico Hugo Fernandes em entrevista à Proteção Animal Mundial. 

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Além da diversidade, então, há que se considerar repercussões em termos quantitativos. Por exemplo, a densidade de espécies de mamíferos por km² no Pantanal está estimada por pesquisadores como possivelmente a maior do mundo: 0,74, ante 0,09 na Amazônia e 0,24 na Mata Atlântica. Não à toa, estudo sobre a mortalidade animal decorrente dos incêndios de 2020 estimou conservadoramente 17 milhões de vertebrados vitimados. Outro estudo, que abrange de 2020 até meados deste ano, fala em até 65 milhões de vertebrados e 4 bilhões de invertebrados afetados.

Há quem tente desacreditar tais tentativas de quantificação diante de números que chegam à casa dos bilhões, como o referente aos invertebrados, conjunto que inclui insetos de elevada importância ecossistêmica. Por outro lado, existe também quem ache que vertebrados ágeis, como onças, estariam menos suscetíveis à ameaça do fogo no bioma. 

O biólogo desmistifica essa percepção: “A gente precisa lembrar que no Pantanal existe o fogo subterrâneo. Uma região já pegou fogo, e quando você olha parece que está tudo bem. Só que embaixo daquela primeira camada de serrapilheira queimada, o fogo está vivo. Então, se tem um incêndio florestal atrás, o animal tende a ocorrer para um espaço que pode ter fogo subterrâneo. E disso resultam aquelas imagens que rodaram o Brasil, das onças e antas e outros animais com as patas queimadas. Por mais que elas consigam correr, a área queimada é gigante e com o fogo atrás e debaixo do solo aparente, elas tentam vencer este processo, e muitas não conseguem”. 

A entrevista completa com Hugo Fernandes, especialista em vida silvestre que acompanhou de perto as queimadas históricas de 2020 no Pantanal, e que segue atuando no bioma nesta temporada, está disponível no site da Proteção Animal Mundial.

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Entenda a seguir resumidamente como os diversos animais são impactados pelos fogos de formas distintas:

Queimaduras: grandes mamíferos têm mais “facilidade” em fugir do fogo, por causa da velocidade e tamanho, mas muitos dos animais resgatados apresentam queimaduras no corpo de nas patas.

Carbonização: alguns animais, como cobras, lagartos e jacarés, têm mais dificuldade de deslocamento e acabam sendo carbonizados por inteiro.

Intoxicação: todos os animais que são expostos à fumaça das queimadas acabam tendo problemas respiratórios ou ficam asfixiados e desorientados.

Perda de habitats: o fogo queima tudo, inclusive os alimentos de diferentes animais e os ninhos também. Isso gera um impacto em toda a cadeia alimentar, prejudicando desde os animais que comem frutas até grandes predadores que não consegue encontrar suas presas.

Atropelamento e exaustão: mesmo os animais que sobrevivem ao fogo sofrem durante a fuga. Desesperados e em busca de abrigo e alimento, eles ficam cansados e desorientados por causa da fumaça. Isso faz com que eles cruzem rodovias com pressa, se tornando vítimas de acidentes. Há casos também de animais que, de tão cansados, ficam desidratados e com fome, sem ter condições de se salvar.

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