Escolas maranhenses estão entre as selecionadas do 5º Prêmio Territórios

Dirigido as redes de escolas públicas municipais e estaduais de todo o Brasil, o Prêmio Territórios anuncia, em sua quinta edição, as dez iniciativas pedagógicas selecionadas

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Idealizado e coordenado pelo Instituto Tomie Ohtake, com patrocínio da Estácio e do Grupo GPS, em parceria com o Itaú Social e em parceria técnica com o Centro de Referências em Educação Integral e Associação Cidade Escola Aprendiz, o 5°Prêmio Territórios tem pela primeira vez alcance nacional.

As 10 escolas selecionadas nesta quinta edição estão entre as 155 iniciativas pedagógicas inscritas, oriundas de 22 estados brasileiros. As propostas foram avaliadas por um júri composto por especialistas nos campos da educação e cultura, incluindo representantes das instituições organizadoras: Gleyce Heitor, Natame Diniz, Beatriz Goulart, Denise Botelho, Natacha Costa e Marcio Tascheto. Além das 10 escolas selecionadas, como novidade desta edição, mais cinco escolas receberam menção honrosa pelas iniciativas pedagógicas apresentadas. As iniciativas contempladas pela 5ª edição são:

10 ESCOLAS SELECIONADAS

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Centro de Ensino Cidade Operária II, São Luís (MA)

O projeto “Minha quebrada tem história”, elaborado por estudantes e docentes do Centro de Ensino Cidade Operária II, teve como mote a busca pela historicidade das periferias, dos bairros populares e dos conjuntos habitacionais de ocupação recente na cidade de São Luís (MA), além da valorização das comunidades, de seus territórios e dos saberes dos e das estudantes. Diante das restrições de acesso à internet enfrentadas pela comunidade, o formato escolhido para registro e divulgação das pesquisas foi o áudio, culminando em um podcast com 14 episódios que têm como enfoque a cultura, a história e os acontecimentos relevantes dos territórios abordados.

Centro Educa Mais Professor Ribamar Torres, Pastos Bons (MA)

No ano de 2020, o Centro Educa Mais Professor Ribamar Torres, localizado na cidade de Pastos Bons (MA), ofereceu uma disciplina eletiva, envolvendo biologia, química e matemática, para discutir sobre a pandemia de covid-19 e as Fake News. Aberta a estudantes, familiares e comunidade em geral, a disciplina contou com a participação de pessoas pesquisadoras do Brasil e de países como México e Índia. O levantamento e a análise de informações disponíveis na internet foram feitos por estudantes, com auxílio da equipe docente, resultando na elaboração de jogos, como o “fato ou fake”, e de uma cartilha informativa intitulada “Para a COVID não me convide”, abordando os mitos e verdades sobre a doença.

Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândido Xavier, São Leopoldo (RS)

Com a chegada da pandemia, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândido Xavier, de São Leopoldo (RS), deu início ao projeto “Tudo o que temos é isso: uns aos outros”, fundamentado no compromisso da Chico (como a escola é chamada pela comunidade) com a permanência e a aprendizagem de todos e todas estudantes, identificando suas limitações e potencialidades em prol do seu desenvolvimento integral. A proposta inicial era a manutenção de vínculos com as famílias, para que não houvesse evasão, criando formas de contato que amenizassem as restrições impostas pelo distanciamento social. Porém, gradativamente as ações foram sendo ampliadas, com auxílio às tarefas escolares, promoções solidárias e intervenções diretas na comunidade, até envolver a escola como um todo.

 Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint-Hilaire, Porto Alegre (RS)

Durante o ano de 2020, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint-Hilaire, Porto Alegre (RS), e o Grupo de Mediadoras(es) de Leitura Luísa Marques, fundado em abril de 2019 e composto por 10 estudantes da escola, se reuniu por meio de videoconferência para estudar e pensar em propostas para abordar a saúde mental, desenvolvendo ações de promoção à leitura que contribuíram para a valorização da vida e abriram espaços para falar de si, para o diálogo e para a reflexão. Além disso, foi criado um dispositivo comunicacional que fazia ligação da escola com a comunidade, convidando estudantes, docentes e famílias a escreverem sobre como estavam se sentindo. 

Escola Técnica Estadual de Caruaru Nelson Barbalho, Caruaru (PE)

O bioma da caatinga, único com distribuição geográfica exclusivamente brasileira, é o assunto do trabalho desenvolvido pela Escola Técnica Estadual de Caruaru Nelson Barbalho (PE). Estudantes da escola, majoritariamente residentes na área rural e com algum conhecimento sobre as plantas medicinais e os locais onde elas podem ser encontradas, realizaram individualmente a investigação e a exploração, criando um catálogo com informações e curiosidades sobre as espécies e os procedimentos a serem realizados para o uso. Posteriormente, será criado um ambiente para cultivo coletivo das espécies, reforçando a importância da escola dentro da comunidade e seu papel como fornecedora reconhecida de plantas medicinais da caatinga.

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Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca, Ipojuca (PE)

Como dar continuidade às experiências em laboratório no ensino remoto de ciências? Como aumentar o interesse pelas aulas remotas? Buscando solucionar essas questões, a Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca (PE) decidiu levar o laboratório de ciências até as casas. Cada estudante construiu seu próprio laboratório, feito com materiais reutilizados, e produziu repelentes e larvicidas sustentáveis e naturais contra o mosquito Aedes aegypti, causador da dengue. Além da adesão de docentes de Biologia, Química, Física e Matemática, o projeto contou com o apoio de familiares e comunidade, que auxiliaram na construção dos laboratórios e na captura de larvas e mosquitos para a realização dos testes.

EE Indígena Capitãozinho Maxakali – Bertópolis / MG 

Em março de 2020, a equipe gestora da Escola Estadual Indígena Capitãozinho Maxakali, localizada na Terra Indígena Maxakali de Bertópolis (MG), recebeu um Plano de Estudos Tutorado (PET) desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação para dar continuidade às atividades escolares no contexto da pandemia. A escola Maxakali é dinâmica e atemporal, e tudo que se desenvolve lá deve começar pelo próprio território. Assim, respeitando as necessidades locais, a escola construiu seu próprio PET com base na cultura e na         língua Maxakali. Na escola, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade acontecem de forma natural e as pessoas da comunidade, que atuam como professoras e professores, têm autonomia para escolher o lugar e o tempo para ajudar suas crianças.

Escola Estadual Doutor Pompílio Guimarães, Leopoldina (MG)

Na pandemia, o desafio de proporcionar educação pública e de qualidade se tornou maior, principalmente pela dificuldade de acesso às tecnologias. Essa situação motivou a equipe da Escola Estadual Doutor Pompílio Guimarães, localizada em Leopoldina (MG), a criar o projeto “Escola fechada, educação em movimento!”. Para desenhar as estratégias utilizadas, a escola se orientou pela valorização dos saberes que são possíveis de serem construídos no território; pela minimização dos efeitos da pandemia no trabalho pedagógico, na aprendizagem e na rotina das famílias; e pela manutenção de vínculos com a comunidade. Ao levar os materiais até as casas dos e das estudantes, a equipe da escola transformou o desafio de garantir educação na pandemia em uma oportunidade para estreitar ainda mais os laços com a comunidade, aprofundar a vivência no território e acolher estudantes e famílias.

Escola Municipal de Educação Infantil Borba Gato, São Paulo (SP)

O projeto “Fazendo cinema em casa”, realizado pela Escola Municipal de Educação Infantil Borba Gato, de São Paulo (SP), em parceria com a Associação Cultural Kinoforum, trabalhou a sensibilização do olhar e a iniciação à produção de vídeos, resultando na criação de um curta-metragem. As diretrizes do filme foram elaboradas junto aos próprios participantes, permitindo que as famílias pudessem criar livremente suas próprias obras e, ao mesmo tempo, revelando quais eram as principais questões, preocupações, reflexões e pensamentos que as crianças desejavam expressar durante a pandemia. Ao final, o curta foi exibido no 31º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

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Escola Municipal Educação Infantil e Ensino Fundamental Chapeuzinho Vermelho, Ariquemes (RO)

A Escola Municipal Educação Infantil e Ensino Fundamental Chapeuzinho Vermelho realizou o projeto “Arte: riquezas da nossa região” com o objetivo de sensibilizar o olhar para o ensino da arte e para a cultura da região de Ariquemes (RO). Com abordagens e assuntos próximos do contexto da escola e de seu território, como a natureza presente na região e a influência da cultura indígena, destacando alguns artistas locais que utilizam recursos naturais (como fibras, madeira, argila, sementes e castanhas), estudantes puderam experimentar e vivenciar diferentes formas de expressão artística, fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais. Ao final, foram feitos livros digitais com as obras criadas.

5 ESCOLAS QUE RECEBERÃO MENÇÃO HONROSA:

Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos Perus I, São Paulo (SP)

Em março de 2020, a equipe gestora e o corpo docente do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos Perus I, São Paulo (SP), ouviu seu território e compreendeu que as demandas sociais haviam se imposto sobre as demandas pedagógicas. Para garantir à comunidade escolar o direito à alimentação, a escola organizou uma arrecadação de fundos para a distribuição de cestas básicas e de vales-compras em um mercado do bairro, visando fomentar a economia local e oferecer aos discentes a possibilidade de complementar as doações com itens de sua escolha. Assim, foi possível manter os vínculos entre escola e estudantes e dar continuidade às ações pedagógicas, além de oferecer também suporte emocional. A ação, chamada de “CIEJA Solidário”, foi uma das formas encontradas pela escola para materializar o “inédito viável” enunciado por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido.

Pré-Escola Municipal Alda Marques, Feira de Santana (BA)

O “Projeto Natureza Lúdica”, desenvolvido na Pré-Escola Municipal Alda Marques, Feira de Santana (BA), nasceu em 2018, mas sua urgência foi intensificada com a pandemia, que fortaleceu a união entre escola e território. A escola compreende a requalificação da área natural escolar, tema do projeto, como meio de desenvolvimento das múltiplas linguagens, do protagonismo infantil e do apreço à natureza. No processo, foram elaboradas maneiras de escutar as crianças, suas famílias e a comunidade do entorno, que participou de discussões sobre a requalificação da praça e as melhorias da infraestrutura. Com base nas identidades diversas das pessoas que habitam o território, o projeto deixa como legado a estruturação do espaço natural da escola para o desenvolvimento contínuo do currículo voltado ao meio ambiente.

Escola Municipal de Ensino Fundamental Ibrahim Nobre, São Paulo (SP)

Durante a pandemia de covid-19, equipe gestora, estudantes e comunidade da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ibrahim Nobre, São Paulo (SP), realizaram um conjunto de ações que deram origem ao projeto “A poética do espaço: literatura, bosque, horta e jardim no território do Ibrahim”. Unindo literatura e agrofloresta, o projeto busca valorizar e recriar não apenas os espaços da escola, mas todo o território escolar. As ações transpuseram a definição de aprendizagem formal, movimentando saberes complementares aos conteúdos curriculares, como a valorização dos espaços públicos, o exercício da cidadania, a vivência da coletividade, o conhecimento do território e o tempo da natureza.

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Escola Municipal Tobias Barreto, Rio de Janeiro (RJ)

A partir de experimentações com uma ferramenta de criação de histórias em quadrinhos, a professora Viviane da Escola Municipal Tobias Barreto, Rio de Janeiro (RJ), idealizou o “Projeto Pedagógico Antirracista HQ da Tia Vivi”, disponibilizado no Instagram @hqdatiavivi, onde a professora e sua família são os personagens que, em diálogos domésticos, tratam de temas históricos e atuais sobre as relações raciais no território da escola e no Brasil. Em parceria com a professora Andreza, também da rede municipal do Rio de Janeiro, as tirinhas passaram a ser transformadas em vídeo, com o objetivo de democratizar o acesso e expandir o alcance do material paradidático produzido na escola.

Escola de Educação Básica Coronel Antônio Lehmkuhl, Águas Mornas (SC)

“Mais do que uma hashtag, vidas negras importam” foi o tema da iniciativa pedagógica desenvolvida na Escola de Educação Básica Coronel Antônio Lehmkuhl, em Águas Mornas (SC), onde o 6º ano do ensino fundamental estudou conteúdos sobre as relações raciais no Brasil. Além de possibilitar um aprofundamento no assunto, as discussões se tornaram espaços de troca de conhecimentos, experiências e relatos de situações de violência vividas ou presenciadas por estudantes. Por meio de um trabalho de escuta, foi possível fazer com que a a reflexão sobre o racismo se estendesse também às famílias. A última etapa da iniciativa foi a realização de intervenções artísticas, entendidas como um ato político educacional ao agenciar de forma criativa e autônoma os conhecimentos adquiridos.

Sobre o Prêmio Territórios

O Prêmio Territórios foi criado para reconhecer projetos em andamento que conectem a escola aos territórios da cidade por meio dos diversos saberes culturais. O projeto busca destacar ações que integrem os diversos saberes e que envolvam, além das disciplinas curriculares, o campo da cultura, em sua ampla acepção e diversidade. Entendendo que as escolas de todo o país enfrentam enormes desafios em decorrência da pandemia ocasionada pela COVID-19, a iniciativa visa mapear, reconhecer e disseminar experiências pedagógicas que foram desenvolvidas desde a deflagração da pandemia e que buscaram responder aos seus desafios com estratégias consistentes e inovadoras através do acolhimento, da escuta e da gestão participativa, partindo dos princípios de uma educação integral. A premiação consiste em:

Para as 10 escolas selecionadas:

• Doação às bibliotecas escolares de livros diversos oferecidos por editoras parceiras;

• Apoio para a realização de um minidocumentário que apresentará uma parte dos processos e resultados da iniciativa, a ser veiculado nos canais de comunicação do Instituto Tomie Ohtake, patrocinadores e parceiros, conferindo visibilidade à iniciativa;

• Uma bolsa de estudos para um curso de graduação oferecida pela Estácio, que poderá ser utilizada por um aluno ou professor;

• Apoio financeiro de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para o desenvolvimento da iniciativa.

• Participação nos Encontros de Conexão e Reflexão, que reunirão os representantes das 10 estratégias pedagógicas selecionadas em ações formativas com educadores(as) e artistas;

• Uma bolsa para curso de arte do programa de Cursos Instituto Tomie Ohtake ou da Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake durante o ano de 2022, que poderá ser realizado on-line.

Para as 5 escolas com menção honrosa:

 Uma bolsa para curso de arte do programa de Cursos Instituto Tomie Ohtake ou da Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake durante o ano de 2022, que poderá ser realizado on-line.

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• Uma tutoria feita pelo júri do Prêmio Territórios.

Sobre o júri:

Gleyce Heitor – Diretora do Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake;

Natame Diniz – Coordenadora do Prêmio Territórios;

Beatriz Goulart – Mestre em arquitetura e urbanismo pela UFRJ, diretora do centro de pesquisas e projetos Cenários Pedagógicos e diretora da Fábrica Escola de Humanidades. É pesquisadora do grupo NAPPLAC na FAUUSP, e do GAE, na FAUUFRJ, em pesquisas sobre arquitetura escolar;

Denise Botelho – Pesquisadora nas áreas de educação e relações raciais. Iyalorixá do Ilê Ase Alagbede Orun. professora associada do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco; professora-Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades, membro do Coletivo de Acadêmicas Negras Luiza Bairros (CAN Luiza Bairros) e também da rede de mulheres de Terreiro de PE;

Marcio Tascheto – Doutor em educação pela UFRGS.  Participou da concepção e da implantação do Mais Educação/MEC e assessora as cidades educadoras no Brasil. É pesquisador do grupo Arte, Corpo e Ensigno CNPQ/CAPES e na rede Universidade Nômade;

Natacha Costa – Diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, membro da Comissão Editorial de Educação Integral em Tempo Integral pela Fundaj/MEC e da Rede de Inovação e Criatividade na Educação Básica. Faz parte do Programa Líderes Transformadores da Educação, da Fundação SM. É Representante do Centro de Referência em Educação Integral.

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