Dados de hospitalizações revelam que pacientes negros com demência têm quase duas vezes mais risco de morte

Estudo realizado por pesquisadores das universidades federais de Pelotas (UFPel) e do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com a University of Queensland, Austrália, revela uma enorme disparidade étnico-racial nas hospitalizações e mortalidade de pacientes com demência no Brasil. Em 2020, pacientes negros com essa condição tiveram quase duas vezes mais risco de morrer em comparação aos pacientes brancos.

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Publicada na quarta (6) na revista “Cadernos de Saúde Pública”, a pesquisa comparou dados de internações de pacientes com demência de 2019 e 2020 do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, que abrange todo o Brasil. O número total de hospitalizações, o valor médio reembolsado por admissão hospitalar e a taxa de mortalidade dos pacientes internados foram analisados, tendo como base a questão racial e a região.

Entre os resultados está a existência de uma redução de 19,5% no número de internações de pacientes com demência em 2020, queda que chega a 42% entre os pardos e 39% entre os negros. “O aumento súbito de casos e óbitos por Covid-19 entre a população idosa, mais afetada pela demência, pode explicar essa redução na taxa das internações”, explica Natan Feter, um dos co-autores do estudo.

Os dados revelam, no entanto, um recorte racial nas taxas de mortalidade dos pacientes com demência. Entre os pacientes negros, essa taxa teve um aumento de 65% de 2019 a 2020, enquanto teve apenas 9% de aumento entre os pacientes brancos. “Isso pode estar também associado à falta de acesso ao SUS, a maior prevalência de fatores de risco de doenças cardiovasculares entre essas populações, além de outros fatores sociais e culturais”, comenta Feter.

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O Brasil é o segundo país em prevalência de casos de pacientes com demência, como o Alzheimer, reflexo do pouco investimento em políticas de conscientização sobre a gravidade desses quadros, segundo avaliação do pesquisador. “Para efeito de comparação, as hospitalizações por qualquer tipo de demência aumentaram 88% de 2010 a 2019, enquanto doenças crônicas de alta prevalência, como cardiopatia isquêmica e doenças cerebrovasculares , tiveram um menor aumento na admissão hospitalar, de 29,3% e 35,3%, respectivamente”, ilustra Feter.

Ele finaliza reforçando que ações e políticas governamentais são urgentes para aumentar o acesso da população negra ao SUS e, assim, diminuir o efeito indireto da pandemia e da desigualdade social sobre a população.

Fonte: Agência Bori

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