Dia da leitura: o que acontece no seu cérebro quando você lê um livro?

“Na crise, nos tornamos ainda mais responsáveis por levar palavras de otimismo e de esperança para o futuro”, expõe o CEO do LIVRES, organização do terceiro setor que atua no combate à fome e à seca no sertão do Brasil

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Qual foi a última vez que você leu um livro até o fim? Para muita gente, a resposta é espantosa e os motivos são inúmeros. O principal deles, até mesmo para os amantes da leitura – a falta de tempo. Para além da capacidade intelectual e de traços próprios da inteligência, é possível identificar um bom leitor pela capacidade que o seu cérebro desenvolveu para um conjunto complexo de mecanismos ajustados à leitura.

A qualidade da leitura é um índice que reflete diretamente na qualidade dos nossos pensamentos e é a melhor ferramenta que temos para nossa evolução como espécie.

O que acontece no cérebro quando lemos algo?

Um estudo recente sobre rastreamento ocular mapeou que um leitor fluente é capaz de ler cerca de 200 palavras por minuto. Tudo o que sabemos antes de ler nos prepara para reconhecer mais depressa cada contexto apresentado na leitura.

“É possível entender esse processo melhor quando pensamos no exemplo do corretor ortográfico que sugere uma palavra antes dela ser escrita no celular. Nosso cérebro faz a mesma coisa – são as predições proativas, que aceleram a nossa compreensão sobre um assunto e, para conseguir fazer as predições, o cérebro busca dados na memória de trabalho (memória de curtíssimo prazo em que processamos as tarefas que estamos realizando no momento), na memória de longo prazo e nos conhecimentos estocados sobre os assuntos. Quanto maior o conhecimento e melhor o funcionamento das memórias, melhor nossa compreensão dos conteúdos lidos”, explicou Livia Ciacci, Neurocientista do SUPERA – Ginástica para o cérebro.

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Leio o dia inteiro… na internet. Isso é bom ou ruim?

Palavras muito comuns em contextos curtos – como legendas, placas e sinalizações são processadas diretamente a partir do sistema visual, sem passar por uma recodificação fonológica, é automático.

Já um livro é composto de uma narrativa muito mais complexa, carregado de contextos e inferências além da pura informação literal.

“No livro, o processo de compreensão é mais lento, pois estamos integrando informações, fazendo inferências, deduções e associações, então, ocorrerão pausas devido a maiores cargas de processamento. No livro o processo sensorial leva a uma leitura profunda e focada, que formará imagens e criará um universo mental de tudo que está sendo relatado no texto”, detalhou a especialista.

Ganhos a longo prazo

Quanto mais lemos, maior o nosso repertório pessoal. Quanto maior o repertório, mais recursos intelectuais são aplicados ao que se lê. “Quem lê pouco acaba com menor repertório e terá menos bases para fazer inferências e associações – são as maiores vítimas das fake news e informações duvidosas. Outro ganho para o cérebro que também é essencial para a vida em sociedade é a capacidade de empatia. A leitura profunda de livros e histórias formam imagens e criam o desenrolar de situações na mente, que transporta a pessoa para a perspectiva do autor ou do personagem – essa mesma habilidade treinada pela leitura é que trará a capacidade de empatia nas relações e nos pensamentos”, detalhou Livia Ciacci, Mestre em Sistemas Neuronais do SUPERA – Ginástica para o cérebro.

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Leitura digital X leitura analógica

A leitura é uma habilidade construída. Nós não nascemos leitores, mas nascemos capazes de identificar formatos e atribuir significados. Entretanto, cada leitura trabalha mais certos processos cognitivos em detrimento de outros.

Segundo Livia, quando lemos nas telas digitais, fazemos movimentos em zigue-zague com os olhos, como em um caça-palavras. Captamos o contexto, pulamos para as conclusões, e voltamos no corpo do texto só se for necessário.

“Uma pesquisadora Norueguesa (Anne Mangen) já provou que a compreensão da leitura em telas é diferente da leitura em papel. No estudo, com estudantes que leram materiais impressos e digitais, ela concluiu que os estudantes que leram na tela ignoraram grande parte do enredo e concluiu que na tela, o leitor fica ausente a dimensão espacial e concreta do livro, que indica onde estão as coisas. Ler através das telas funciona perfeitamente bem quando precisamos trabalhar com dados rápidos, informações objetivas, curtas e dinâmicas, mas, se quisermos entender algo em profundidade? A leitura em papel é o melhor caminho”, concluiu.

Quer melhorar o hábito de leitura? Confira algumas dicas:

·        Opte por estilos de linguagem leves e assuntos que sejam do seu interesse;

·        Comece por leituras que vão exigir um esforço muito grande do cérebro;

·        Tenha a expectativa da leitura escolhendo um livro que você goste muito do assunto, ou que pelo menos tenha curiosidade;

·        Deixe o livro sempre em fácil acesso (na bolsa, do lado da cama) e evitar os dispositivos digitais quando for ler – eles sempre vão distraí-lo;

·        Institua pequenos prazos para avançar na leitura, por exemplo 5 páginas por dia;

·        Aproveite os canais que exploram resenhas e dicas de leitura. 

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