Produção e referências maranhenses marcam “O Retorno de Saturno”, disco de estreia do cantor AQNO

AQNO morou sete meses em São Luís para conectar os ritmos musicais do Maranhão com o Pará: o “Breggae”, mistura do brega do Pará com o reggae maranhense, é o carro chefe do álbum pop-amazônico

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Pará e Maranhão. Norte e Nordeste. Agora, Brasil e mundo. As paradas iniciais que marcam o caminho para o universo particular do cantor paraense AQNO estão todas conectadas em “O Retorno de Saturno”, seu álbum de estreia, que foi lançado nesta quarta-feira (27) nas principais plataformas de streaming – ouça aqui: https://open.spotify.com/album/6wuIfFej5deJzjq8EdxwCc?si=PYUwYQuJQPCNG56OadT67g.

Natural de Marabá, sudeste do Pará, AQNO mescla em seu primeiro álbum da carreira com as experiências vividas em solo paraense, juntamente aos sete meses que abraçou o Maranhão, estado em que foram produzidas todas as 11 músicas do disco – incluindo o single “Desaglômero”, de repercussão nacional, que tem clipe em destaque no YouTube: assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AYNpZhUxH8Q.

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Ao longo de um pouco mais de 38 minutos de duração, “O Retorno de Saturno” carrega diversas sonoridades, unindo referências do brega paraense ao reggae do Maranhão [ou o “Breggae”, que é o carro chefe do álbum] junto ao pop universal com pitadas de ritmos latino-americanos – todas estas influências produzidas pelo maranhense Sandoval Filho, do BlackRoom Studio, de São Luís (MA).

Homem gay vivendo com HIV há seis anos, AQNO não deixa de se posicionar em seu trabalho: em sua estreia, as causas da comunidade LGBTQIA+ e pessoas que também vivem com HIV também ganham destaque nas letras e referências do artista.

“Eu componho há muito tempo e tinha canções de uma década inteira engavetadas. Eu queria um álbum que reunisse história de todos esses tempos, como um ritual de revisitação delas e um modo de ressignificar na percepção que os outros irão ter ao ouvi-las. ‘O Retorno de Saturno’ é sobre respeitar os nossos processos e o nosso tempo para resolver os nossos conflitos, mesmo que seja lento. É sobre respeitar o processo de amadurecimento e entender que no fim, essa jornada só começou”, ressaltou AQNO, ao relacionar a passagem do tempo de cada pessoa com o planeta Saturno, que leva cerca de 30 anos para dar uma volta inteira ao redor do sol, e com a cigarra, que pode viver, aproximadamente, 17 anos embaixo da terra.

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“O Retorno de Saturno” carrega, ainda, uma forte temática astrológica – a mesma utilizada no videoclipe de “Desaglômero”, lançado no segundo semestre deste ano. Para AQNO, o título do álbum é um “evento que ocorre quando o planeta, conhecido como a joia do sistema solar, completa uma volta inteira ao redor do sol (cerca de 30 anos), período que desencadeia caos emocional, marcando uma fase de amadurecimento e evolução de consciência”.

Sobre a conexão com o Maranhão, onde morou sete meses para produzir as 11 faixas do álbum, AQNO elogiou a troca musical e artística com o Estado através das experiências vividas com os profissionais maranhenses que trabalharam no projeto, principalmente o produtor musical Sandoval Filho. “Essa vivência local, esse intercâmbio, impulsionou ainda mais essa troca entre nós dois, que foi extremamente fluida. Eu e Sandoval nos demos muito bem musicalmente. O fluxo foi muito intenso, leve e produtivo. É muito desafiador o produtor entrar no seu mundo, na sua cabeça, visualizar o que está ali e criar em cima do que ele interpretou. E esse foi o ponto chave: ele teve muita liberdade e autonomia”, detalhou AQNO.

Mais de AQNO

Diego Aquino, de 33 anos, nasceu em Gurupi, no Tocantins, mas vive em Marabá há 17 anos. Foi na cidade paraense, a mais de 500 quilômetros de Belém, que o artista AQNO floresceu artisticamente, em 2013. Na cena local, ele se apresenta em casas noturnas, festivais e chegou a abrir shows de nomes como Joelma.

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Sua musicalidade traz referências diversas, que vão de ícones da Música Popular Brasileira (MPB), como Lenine, Elis Regina, Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Secos e Molhados e Novos Baianos, até lendários artistas paraenses como Fafá de Belém, Wanderley Andrade, Companhia do Calypso e Fruto Sensual, e artistas internacionais como A-HA, Queen e Michael Jackson.

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