Projeto inédito de sequenciamento do Butantan alcança marca de 10 mil amostras analisadas no estado de São Paulo

Além do laboratório itinerante, a Rede de Alerta das Variantes realizou 30 mil sequenciamentos genômicos em 10 meses de operação

O Instituto Butantan chegou a dois importantes marcos nesta semana: completou o sequenciamento genômico de 30.818 amostras do vírus causador da Covid-19 realizadas dentro da Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2; e atingiu o número de 10 mil testes para detecção dos feitos no LAB MÓVEL, laboratório itinerante que vem percorrendo cidades do interior de São Paulo e é capaz de realizar até 600 exames diagnósticos RT-PCR por dia, além de fazer o sequenciamento genômico das amostras positivas.

“Isso mostra que o Butantan se estruturou e está pronto para fazer vigilância genômica. Graças ao conhecimento que os cientistas tinham isso foi muito rápido”, comemora Sandra Coccuzzo, coordenadora da Rede de Alerta das Variantes e da Rede de Laboratórios para Diagnóstico do Coronavírus SARS-CoV-2 e diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan.

Desde janeiro, a Rede de Laboratórios para Diagnóstico do Coronavírus SARS-CoV-2 – também coordenada pelo Butantan e que envolve laboratórios de todo o estado na realização de exames para saber se uma pessoa está ou não com Covid-19 na rede pública de saúde – já fez 4,9 milhões de testes RT-PCR. É com base nas amostras positivas dessa estrutura que é feito o sequenciamento genômico da Rede de Alerta das Variantes. De acordo com o último boletim epidemiológico, há 39 variantes do SARS-CoV-2 no estado, sendo que a delta continua predominando, responsável por 98,5% das amostras na semana de 3 a 9/10.

Fora o instituto, mais cinco laboratórios fazem parte da Rede de Alerta das Variantes e sequenciam parte das amostras positivas coletadas no estado de São Paulo: o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP, em Pirassununga), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP, em Piracicaba), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, em Botucatu) e a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).

Análises e sequenciamento

Por meio de seu Centro Analítico de Genômica e Proteômica, o Butantan sequencia cerca de 50% do total de todas as amostras da Rede. A equipe responsável é composta por cinco pessoas que contam com a ajuda de três máquinas de sequenciamento que trabalham dia e noite. Os outros laboratórios da rede também possuem máquinas de última tecnologia e equipes formadas por três a cinco pesquisadores. Depois de realizados os sequenciamentos, eles vão para as mãos de três técnicos em informática que analisam cada dado, genoma, mutações e a evolução viral.

O LAB MÓVEL, iniciativa voltada ao sequenciamento genômico e aos testes diagnósticos está, no momento, se dirigindo à Marília. A última parada foi em Araçatuba, onde realizou 1.792 exames e direcionou 52 amostras positivas para serem analisadas. Antes, o contêiner passou por Piracicaba, onde realizou 2.756 testes, com 107 amostras sequenciadas; Baixada Santista, com 4.564 RT-PCR e 463 sequenciamentos; e Aparecida, com 1217 testes e 351 amostras positivas. 

Até o momento, foram quase mil amostras do LAB MÓVEL encaminhadas para sequenciamento genético. Esse número soma-se a marca de 30 mil sequenciamentos alcançada pela Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2.

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