Pesquisadores revelam que a regulação da atividade neuronal pode controlar o avanço do melanoma

O câncer é considerado o principal problema de saúde pública no mundo e está entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos na maioria dos países, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou a possibilidade de, ao manipular o sistema nervoso, diminuir a progressão do melanoma, que é considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. O resultado acaba de ser publicado na revista “Acta Neuropathologica Communications”.

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Para testar isso, o grupo utilizou uma técnica chamada quimogenética. Ela foi desenvolvida por neurocientistas e permite modificar temporariamente a atividade de neurônios específicos para estudar circuitos neuronais no cérebro. O grupo decidiu então testar se a quimogenética poderia ser aplicada à biologia do câncer. Para tanto, utilizaram essa metodologia para inibir ou, ao contrário, superestimular a atividade neuronal em neurônios sensoriais dentro dos tumores.

“Nós descobrimos que, ao inibirmos a atividade de neurônios sensoriais, os tumores cresciam mais. Já em contraste, a superativacão dos neurônios sensoriais inibe o crescimento do melanoma. A superestimulacão desses neurônios também induziu a diminuição de vasos sanguíneos nos tumores, que ajudam estes a crescer, bem como uma melhora da resposta imune anti-tumoral, elevando os linfócitos anti-tumorais que se infiltram no tumor, ao mesmo tempo que reduzem as células imunossupressoras”, explica Alexander Birbair, que liderou o estudo.

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Além do melanoma

Os autores vislumbram que a descoberta possa ajudar a criar mecanismos mais eficientes e específicos no tratamento de outros tipos de câncer, como de mama, próstata e pulmão. “Os resultados da pesquisa mostram a importância da preservação dos nervos sensoriais em pessoas que estão com câncer. Muitas quimioterapias, que acabam sendo prejudiciais aos pacientes, matam não só as células malignas, mas afetam também os nervos sensoriais. Se estes tratamentos estão matando os nervos sensoriais, isso pode não ser bom para a progressão do tumor nestes pacientes, esperando-se uma piora clínica. A pesquisa tenta mostrar uma alternativa de atacar as células do câncer, mas também controlar o microambiente, de tal forma que as células parem de crescer”, acrescenta.

Também participaram deste estudo pesquisadores do Hospital Sírio-Libanês, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e Universidade Federal de Goiás (UFG), além de colaboradores internacionais. O grupo recebeu financiamento do Instituto Serrapilheira, apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológicos (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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