Atitudes negacionistas podem indicar resposta instintiva ao medo

Neurocientista, Dr. Fabiano de Abreu, comenta sobre o surgimento de pensamentos negacionistas e como eles podem ter um significado além de falta de conhecimento

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Em um contexto de pandemia e pânico generalizado, um termo ficou muito conhecido para designar aqueles que eram descrentes da gravidade da situação sanitária mundial: ‘negacionistas’. Porém, a negação é uma atitude que tem lados positivos e negativos. “O ser humano tem essa incrível capacidade de negar até mesmo o que é provado. Porém, ao mesmo tempo que é um dos maiores males da humanidade, é também uma ação repleta de benefícios”, afirma o PhD em neurociências, biólogo e antropólogo, Dr. Fabiano de Abreu.

De acordo com ele, há diversos julgamentos em torno dos negacionistas, taxando-os como pessoas sem conhecimento ou sem interesse em assuntos específicos. Porém, a negação pode nada mais ser, do que apenas uma resposta instintiva ao medo. “Claro que há negacionistas persistentes que buscam em sua própria razão a conversão de seus desejos, desrespeitando a qualidade lógica e global. Porém, a negação pode ser a ansiedade buscando na não aceitação dos fatos uma reação instintiva de fuga como mecanismo de sobrevivência”, alerta.

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O neurocientista acredita que o período em que vivemos é extremamente fértil para o aparecimento de atitudes negacionistas. “Estamos programados para a busca da dopamina, em um ciclo vicioso para encontrar o que nos faz bem. Por isso, o que é insuportável torna-se tão doloroso a ponto de criar uma reação de fuga”, explica o especialista.

As memórias de medo e situações traumáticas ficam armazenadas, para que caso algo semelhante possa acontecer, para que o ser humano tenha possibilidade de responder a situações de perigo. “O medo é a base do negacionismo. Muitas vezes, não se trata de ter acesso ou não à informação e sim de algo incontrolável”, afirma. Para aliviar a situação emocional de alguém que está em negação, o cientista recomenda que a forma certa de agir é como ponto de apoio e não como fonte de julgamentos. “Esteja disposto a ouvir as pessoas, mostre que pode ajudar e, talvez, recomende um especialista”, aconselha.

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