Kawany Victórya é a primeira mulher trans graduada na Licenciatura em Ciências Humanas – Sociologia do Câmpus São Bernardo da UFMA

Natural da cidade de Araioses e filha de agricultores, Kawany Victórya Almeida dos Santos cresceu em uma família com 11 irmãos, sendo que apenas um antes dela conseguiu terminar o ensino médio completo. Desde cedo para ela é uma luta diária em busca de sonhos e de quebra de paradigmas, assim como, também, de algumas grandes conquistas. Com o tema “(Des)conhecimento de Direitos? Percepções sobre o Nome Social para Pessoas Trans em São Bernardo-MA”, Kawany Victórya se tornou a primeira mulher trans a colar grau em Licenciatura em Ciências Humanas – Sociologia do Câmpus São Bernardo.

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Sob orientação do coordenador do curso, o professor Thiago Pereira Lima, o TCC busca ampliar o debate sobre a transexualidade, especialmente, acerca da utilização do nome social, e refletir sobre os estereótipos, os preconceitos e as discriminações vivenciadas constantemente por essa população. Por isso, uma das etapas foi a aplicação de um questionário com cada responsável de três diferentes instituições locais, a fim de perceber o nível de conhecimento das pessoas que atuam nelas. Participaram o Hospital Municipal Felipe Jorge, a Escola Municipal Célia Cristina dos Reis e a agência do Banco do Brasil na cidade.

Outra etapa do trabalho foi a abordagem da história do movimento trans no Brasil, destacando os principais avanços da legislação brasileira. A Resolução Nº 270 do Conselho Nacional de Justiçae a Lei Estadual Nº 11.021/2019 surgem como as principais contribuições sobre o uso do nome social. Além dessas, a socióloga recém-formada também citou a Resolução Nº 242 de 2015, do Conselho Universitário da UFMA, que aprova sua utilização no âmbito da Universidade.

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O resultado final obtido demonstra que ainda há muito desconhecimento quando se trata das leis voltadas à população trans e travestis. Para Kawany, é necessário que o reconhecimento seja feito não só pelos direitos, mas também nos olhares das pessoas, para que a diversidade, a pluralidade e a identidade de gênero não sejam vistos como algo anormal. Por isso, ela afirma que a escolha pelo curso de Licenciatura em Ciências Humanas – Sociologia é pelo fato de que pretende trabalhar com políticas públicas voltadas para comunidade LGBTQIA+.

O TCC já rende frutos significativos, com a criação da Associação de Cultura e Cidadania LGBTQIA+ localizada em São Bernardo, se tornando a primeira organização não-governamental (ONG) do Baixo Parnaíba. A ideia partiu de seu orientador. “Resolvi desenvolver o projeto com o professor Thiago Pereira Lima, o qual foi apresentado ao excelentíssimo prefeito Dr. João Igor Vieira de Carvalho, de São Bernardo. Desde então, ocorreram palestras pela cidade que contou com a presença não só do Thiago, mas dos professores Laura Rosa Oliveira, Caroline Amorim e Amanda Gomes Pereira, do Câmpus de São Bernardo”, afirmou.

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Além da criação da ONG, a colação de grau realizada em 6 de abril é um sonho realizado para ela. “Minha sensação foi de orgulho por me tornar a primeira mulher trans socióloga no Estado do Maranhão. Com essa minha vitória, quebrei muitos estereótipos colocados pela sociedade. Com isso, irei ser um exemplo dando referências às outras pessoas trans, encorajando-as mais e mais”, exaltou.

O professor Thiago Pereira Lima afirma que sua conquista traz visibilidade, especialmente à Resolução Nº 242/2015 do Conselho Universitário. Além disso, destaca que sua orientanda é exemplo e inspiração de vida, pois não desistiu de seus sonhos.

“Kawany é um fruto poderoso que a universidade gerou. O exemplo dela nos mostra o quanto é importante construirmos uma universidade laica, plural e inclusiva. Além disso, ela e seu trabalho nos mostraram que é importante ampliarmos a luta contra todos os tipos de opressão, seja de classe, raça ou gênero”, apontou o docente.

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E Kawany Victórya tem ainda mais planos: contou que o próximo passo é fazer a seleção de Mestrado da UFMA em Psicologia. Como diz Jarid Arraes, escritora e cordelista nordestina, em seu cordel intitulado “Travesti não é bagunça”:  “O que temos que fazer/ Para paz proporcionar/ É ensinar nas escolas/ Que se deve respeitar/ E acolher com afeto/ A travesti que estudar/ Pois não há nada melhor/ Do que a pura educação/ Para despertar carinho/ E passar informação/ Além de proporcionar/ Caminho pra profissão”.

Por: João Meireles

Produção: Laís Costa

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