Mães mais jovens tendem a oferecer alimentos menos saudáveis aos bebês, mostra estudo

O aleitamento materno e a qualidade da alimentação complementar – o período entre uma alimentação exclusivamente láctea e a da família – são fatores essenciais para a sobrevivência dos bebês, especialmente dos prematuros, aqueles que nascem antes de completar 37 semanas gestacionais. Assim, identificar o padrão alimentar dessas crianças pode colaborar para a criação de estratégias nutricionais mais assertivas. Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicado nesta sexta (20) na Revista Paulista de Pediatria sugere que o consumo de alimentos menos saudáveis é maior entre os bebês cujas mães têm menos de 20 anos de idade.

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A pesquisa, que contou com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), avaliou as práticas de alimentação complementar de 135 crianças entre 6 e 23 meses, nascidas prematuramente e assistidas pelo ambulatório de acompanhamento do recém-nascido de risco do Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba. Os dados foram coletados entre maio de 2018 a abril de 2019, em duas etapas. Na primeira, os pais ou responsáveis informaram, por meio de um recordatório, os hábitos alimentares das crianças, além de responderem sobre as condições socioeconômicas e demográficas da família. Informações sobre o nascimento e o histórico de saúde dos bebês foram obtidas de prontuários.

Com base na descrição do consumo alimentar do dia anterior à avaliação, os alimentos e bebidas foram registrados em quantidade, modo de preparo e apresentação, conforme as refeições realizadas. Depois, foram reunidos de acordo com sua semelhança nutricional e frequência de consumo, formando 15 grupos, como “frutas e suco de frutas”, “doces e bebidas doces” e “leite, derivados do leite e fórmula infantil”. A partir das informações coletadas, o estudo identificou dois padrões alimentares distintos: o “saudável”, composto de alimentos in natura e minimamente processados, como carnes, frutas, hortaliças, cereais e tubérculos; e o “não saudável”, com alimentos de alta densidade energética e baixa qualidade nutricional, como biscoitos, doces, pães, bolos e massas. A análise buscou identificar as associações entre esses padrões e as características da família, da mãe e da criança.

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Além de identificar na amostra que o padrão “não saudável” foi maior para os bebês cujas mães têm menos de 20 anos, o trabalho também aponta que a idade da mãe também está relacionada à introdução alimentar precoce. “Isso significa que precisamos ter uma atenção maior com as mães mais novas. Ou seja, formular ações, projetos, programas e políticas de promoção à saúde voltadas para esta população”, diz Claudia Choma Bettega Almeida, uma das autoras do artigo. Por outro lado, mães com 30 anos ou mais tendem a oferecer alimentos mais saudáveis a seus filhos. E, conforme as crianças crescem, o consumo de alimentos considerados não saudáveis aumenta, pois elas passam a ser expostas e a consumir mais os alimentos considerados não saudáveis.

Segundo Almeida, que é professora do Programa de Pós-Graduação em Segurança Alimentar e Nutricional da UFPR, a fase da alimentação complementar traz muitos desafios. “É nessa etapa que os hábitos alimentares são formados, sendo de fundamental importância promover uma alimentação adequada e saudável. Com os bebês prematuros, isso se torna ainda mais preocupante devido à imaturidade fisiológica e o maior risco de desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis.”

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A nutrição infantil, especialmente de crianças pequenas, tem sido o foco de estudo da pesquisadora. “Sabemos que as crianças são consideradas um grupo de maior vulnerabilidade nutricional por estarem em fase de crescimento e desenvolvimento acelerados. Estamos sempre avaliando o consumo alimentar delas em diferentes contextos e seus desfechos de saúde”, afirma.

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