Governo Bolsonaro aceitou pagar R$ 114 mil a mais pelo mesmo caminhão de lixo compactador

O “boom” na compra de caminhões de lixo pelo governo beneficiou empresas cujos donos verdadeiros podem estar ocultos por meio do uso de laranjas. É o caso da Fibra Distribuição e Logística Eireli, uma microempresa sediada em Goiânia e cujo dono, Jair Balduino de Souza, recebeu dinheiro do auxílio emergencial na pandemia da covid-19.

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A firma ganhou um pregão de R$ 8,5 milhões na Codevasf de Pernambuco. A superintendência pagou R$ 477 mil por um caminhão de lixo. Dois meses antes, a Codevasf em Brasília havia comprado o mesmo veículo por R$ 391,3 mil, de outra empresa. Assim, o braço da estatal em Pernambuco, comandado por um apadrinhado do ex-líder do governo Jair Bolsonaro, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), deixou de economizar R$ 85.682,42 em cada um dos 18 caminhões. Ou R$ 1,5 milhão.

A prática contraria a instrução normativa número 73/2020, do Ministério da Economia, que obriga a considerar o preço de compras anteriores. A própria Codevasf já seguiu esta regra em outros casos.

Também sediada em Goiânia, a Globalcenter Mercantil Eireli, outra microempresa, ganhou uma licitação da Codevasf em São Luís (MA), no valor de R$ 1,7 milhão. O Estadão esteve na sede da empresa na última semana e encontrou uma casa abandonada, tomada pelo mato. No local, a reportagem descobriu que o suposto dono da Global – ao menos no papel – é funcionário da Fibra.

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Desde 2020, a empresa participou de mais de 100 licitações do governo Bolsonaro, mas só recebeu dinheiro da unidade da Codevasf comandada por apadrinhado do deputado Aluisio Mendes (PSC-MA). Além dos caminhões, a Globalcenter informou à Receita Federal que atua em vários outros segmentos: do controle de pragas urbanas como ratos e baratas até cursos de pilotagem.

Na licitação vencida pela Globalcenter, a Codevasf-MA concordou em pagar R$ 356,9 mil por caminhão de lixo – uma semana antes, o braço da estatal em Pernambuco comprou o mesmo produto por R$ 319,7 mil. “A empresa fechou no fim de 2020, não tem mais. Não funciona mais. Quebrou financeiramente”, disse Herbert Rafael, da Globalcenter. Ele, porém, não explicou como a firma participou de licitações ao longo de 2021.

Nas centenas de documentos analisados pelo Estadão, a diferença mais gritante entre compras do mesmo caminhão chegou a R$ 114 mil. A Codevasf poderia ter poupado R$ 3,63 milhões apenas neste edital, se tivesse mantido o preço do pregão de menos de um mês antes para a compra de um novo lote de 32 veículos.

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Oferta única

Em outro caso, na maior licitação de caminhões de lixo da Codevasf nos últimos anos, uma empresa de Minas Gerais arrematou um lote de 110 caminhões, avaliado em R$ 52 milhões, com apenas um lance. A empresa também foi a única a fazer uma oferta, e a fase de disputa do pregão se encerrou depois de apenas 88 segundos. Segundo servidores públicos, a situação é incomum.

No interior da Paraíba, os 3,1 mil habitantes da pacata São Domingos terão o lixo coletado por um caminhão moderno comprado com uma emenda de meio milhão de reais do deputado federal Wellington Roberto (PL) via Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A máquina de R$ 549 mil é exagerada para a realidade local: com capacidade para 12 metros cúbicos de lixo, ela poderá recolher em uma única coleta todo o lixo produzido pela cidade em dois dias e meio.

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Em Areia de Baraúnas, no interior paraibano, a prefeitura comprou um caminhão por R$ 470 mil também com emenda de Wellington Roberto. Os 2,1 mil habitantes terão um caminhão capaz de compactar quase 6 toneladas de lixo. A produção diária é de 1 tonelada. Procurado, o deputado não comentou.

Por Estadão.

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