Mulheres pretas e pardas têm a percepção de serem menos acolhidas em maternidades ao redor do país

O nascimento de um filho é um momento singular na vida de uma mulher e o acolhimento da equipe de profissionais é um fator importante nesse processo. Recente estudo publicado na quarta (25) na revista “Cadernos de Saúde Pública” apontou que fatores como cor, idade e escolaridade diferenciam o acolhimento dado às mulheres nas maternidades brasileiras. Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) analisaram 606 serviços com dados de 10.540 puérperas em maternidades da Rede Cegonha, com atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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O estudo abrange todo o Brasil, com dados da Avaliação da Atenção ao Parto e Nascimento em Maternidades da Rede Cegonha, realizada em 2017. A Rede Cegonha é uma estratégia do Ministério da Saúde, criada em 2012, que visa assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério.

Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram cinco questões principais a respeito do acolhimento nas maternidades: apresentação dos profissionais com nome e função, chamar a gestante pelo nome, compreensão das informações dadas, se sentir bem tratada e respeitada e ter as necessidades respondidas pela equipe. “Cruzamos estes indicadores com algumas características pessoais das mulheres entrevistadas, como idade, escolaridade, cor da pele, situação conjugal, tipo de parto, paridade, assim como a peregrinação, ou seja, quando a gestante precisa ir a mais de uma maternidade”, explica Ana Lúcia Nunes, mestre em Saúde Coletiva pela UFMA e autora principal do estudo.

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Os resultados demonstraram que a maioria das mulheres estava em uma faixa etária entre 20 e 34 anos. “Os números também apontaram que a maioria das entrevistadas possuía escolaridade entre nove e onze anos e tinham companheiro”, acrescenta Nunes. As puérperas com mais idade e escolaridade tiveram percepção mais positiva do acolhimento nos serviços de saúde. “O tipo de parto também influencia, sendo o parto vaginal melhor acolhido que o por cesariana”, destaca a cientista. Os menores índices foram para mulheres pretas e pardas, que, na maioria dos casos, não se sentiram acolhidas nas maternidades da Rede Cegonha. “O acolhimento vem da clareza do papel que cada funcionário tem dentro do processo de nascimento. No parto, as mulheres são as figuras principais e nós, enquanto profissionais de saúde, precisamos saber conduzir este momento singular. Em qualquer condição, elas devem ser tratadas e respeitadas nas suas especificidades”, destaca Nunes.

De acordo com a pesquisadora, o estudo reúne informações de como as mulheres brasileiras se sentem ao adentrar para o parto e ao nascimento dentro das maternidades da Rede Cegonha e serve como instrumento para que sejam revistos os fluxos e processos de trabalho e acolhimento das puérperas. “Esperamos que o resultado venha a influir e contribuir na melhoria das condições de trabalho dos funcionários, qualidade no atendimento dessas mulheres, acesso de informação de qualidade e acolhimento às mulheres, independente de suas características”, conclui.

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