São João do Maranhão 2022 reaviva memórias da radialista e folclorista Helena Leite

Após dois anos de pandemia da Covid-19, a movimentação cultural na Grande Ilha voltou forte com o brilho das cores do São João, das toadas e do balançar do Bumba Meu Boi mais contagiante do país. E junto à maior festividade do Estado, volta, também, a memória de importantes nomes da cultura maranhense, como o da radialista, folclorista e membro da Academia Poética Brasileira, Maria Helena Leite.

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Sendo uma das homenageadas com o São João do Maranhão 2022, Helena Leite, nascida em Viana/MA, e falecida em 2019, era apaixonada pelo radialismo e o folclore, em especial o Bumba Meu Boi; e figurava como uma das vozes mais importantes no que se refere à defesa da cultura de São Luís e do Maranhão.

“Hoje, se ela estivesse entre nós, estaria em êxtase, muito feliz. Vai ter São João depois de dois anos de muita luta. Não foi de um dia para o outro que ela recebeu o apelido de “Rainha da Cultura”, era uma rainha que não tinha trono, não tinha palácio, mas que sua riqueza era ver todos bem e uma cultura do Maranhão super valorizada”, assegura o filho da comunicadora, Ronner Leite.

Radialismo

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A partir de 1966, Helena trabalhou na rádio, por anos, comentando o Carnaval de Passarela de São Luís. Ela acompanhava, ainda, o cotidiano da cidade e fazia mediação entre a população e os poderes públicos. Foi na Rádio Educadora AM, na década de 70, que ela se tornou a primeira mulher a fazer cobertura de jornadas esportivas, como repórter de campo no Estádio Municipal Nhozinho Santos.

“E depois, ela foi pra Rádio Timbira, fez Jornalismo Esportivo e também chegou a ser árbitra de futebol. Ela sempre teve esse aroma, essa vontade de divulgar a nossa cultura popular. Ela tinha um laço, me parece que o pai era um dos fundadores de um Boi em Viana”, pontuou o radialista Joel Jacintho.

Em meados dos anos 80, Helena decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. Mas próximo aos anos 2000, a convite do fotógrafo, radialista e também amante da cultura, Raimundo Filho, retornou à cidade para trabalhar na Rádio Capital, onde pôde reencontrar o seu público.

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“Ao chegar aqui, ela reacendeu, os olhos voltaram a brilhar e viu vontade de retornar à sua carreira de radialista, de tentar ajudar as brincadeiras, de poder dar um lugar onde todos pudessem divulgar suas músicas, suas toadas, festas. Ela, na luta, conseguiu”, conta o filho da radialista, Ronner Leite.

Atuando em emissoras como Timbira, Educadora, Difusora, Capital e outras, Maria Helena fazia ecoar mais alto o som da cultura maranhense, no comando do programa Canta Maranhão.

“Ela empunhava a bandeira do Bumba Meu Boi, divulgando as toadas, os cantadores, saia em defesa dos que estavam doentes. Helena foi uma batalhadora, trabalhei com ela na transmissão do São João, do Carnaval. A gente amanhecia fazendo cobertura”, acrescentou o jornalista Joel Jacintho.

Boi da Pindoba

A partir do trabalho desenvolvido com afinco, Helena foi convidada a contribuir com o Boi da Pindoba, de sotaque de matraca, um dos mais famosos do Estado. Foi sob o seu comando que a atração cresceu e ganhou mais notoriedade.

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“Ela assumiu um papel importante, onde não só divulgava, como ajudava e cobrava as pessoas que tinham o poder de elevar a nossa cultura. Comandou o Boi da Pindoba junto com diretor de comunidade, fez deste um dos maiores batalhões de São Luís”, frisou Ronner, filho da folclorista.

Para o presidente do Boi da Pindoba, Herlinho, a chegada de Helena fez com que a atração, que já tem 132 anos, pudesse se reinventar dentro do conceito cultural, mas sem esquecer os antepassados.

“Para o Boi da Pindoba, a chegada da Helena Leite na comunidade da Pindoba foi uma fortaleza muito grande, porque ela começou a ter novas ideias, a abrir espaços e uma nova visibilidade dentro do conceito cultural. E assim, a Pindoba dos anos 2000 até os anos de hoje, vem mantendo essa tradição de inovação e fortalecimento diário da cultura popular maranhense, sem perder as suas raízes”, disse o presidente.

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Academia Poética Brasileira

A luta hercúlea de Maria Helena Leite para salvaguardar o Bumba Meu Boi como Patrimônio Cultural e Imaterial junto à Unesco, fez com que, pela primeira vez na história das Academias de Cultura e Arte no Brasil, ocorresse uma eleição unânime de um representante do folclore e manifestações populares do país.

Helena foi imortalizada como patronesse da cadeira de número 47, da Academia Poética Brasileira. O título foi concedido pelo então presidente da APB, jornalista e poeta, Mhario Lincoln.

“Helena Leite foi uma mulher vibrante, guerreira e consciente de sua luta em prol da brincadeira popular do Maranhão. Por isso, o título a ela concedido foi indispensável, pois veio coroar essa luta e essa garra de quem sempre defendeu a continuidade das brincadeiras do Bumba Meu Boi e outras manifestações no Estado. Nós, da APB só temos a agradecer e confessar que muito nos honra em tê-la, de forma imortal, sendo patronesse da Cadeira de número 47, da APB”, afirmou o presidente da APB.

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