Desmatamento e mudanças climáticas ameaçam orquídeas e bromélias da Serra da Mantiqueira; 35% estão em risco de extinção

Em artigo publicado nesta sexta (27) na revista “Rodriguésia”, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) catalogaram 678 espécies de epífitas vasculares (plantas que utilizam outras plantas como suporte) encontradas nas florestas nebulares da Serra da Mantiqueira, na Região Sudeste do país, e alertam para a ameaça de extinção de 241 espécies em função de fatores como o desmatamento e as mudanças climáticas globais. O estudo contou com financiamento parcial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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Para catalogar as epífitas vasculares das florestas nebulares da Serra da Mantiqueira – área de Floresta Atlântica em parte dos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo –, bem como suas características, distribuição nos domínios fitogeográficos e possíveis ameaças, os pesquisadores realizaram expedições de campo, entre 2012 e 2019. Eles percorreram sobretudo algumas unidades de conservação da região, como os parques estaduais do Ibitipoca (MG), da Serra do Papagaio (MG), da Serra do Brigadeiro (MG), de Campos do Jordão (SP) e os parques nacionais do Caparaó (MG/ES) e do Itatiaia (MG/RJ). Também foram feitos levantamentos de dados em plataformas virtuais, como o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), e em trabalhos acadêmicos já publicados.

As florestas nebulares são ecossistemas que ocorrem em áreas de altitude elevada, com forte presença de nuvens e neblina. Essa cobertura de nuvens fornece umidade para a vegetação que ali se desenvolve, favorecendo a existência de uma grande variedade de espécies. Uma característica marcante da vegetação dessas florestas é a ocorrência de epífitas vasculares. Por não estarem ligadas ao solo, elas captam a água e os minerais da atmosfera e das chuvas, beneficiando-se desse ambiente.

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Biodiversidade a ser preservada

Foram identificadas 678 espécies de epífitas vasculares, de 131 gêneros e 23 famílias diferentes, que representam cerca de 30% das epífitas da Floresta Atlântica e quase 20% das brasileiras. As orquídeas (42,5%) e as bromélias (16,6%) foram as famílias mais recorrentes, e 68,8% das espécies registradas são endêmicas da Floresta Atlântica. Dos 131 gêneros registrados, 23 apresentaram mais de 10 espécies, evidenciando a existência de grande biodiversidade.

A partir da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de cada estado brasileiro e do país, que utiliza os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), os pesquisadores apontaram 241 espécies que correm risco de extinção (criticamente em perigo, em perigo e vulnerável) no país, sendo 149 no Espírito Santo, 55 em Minas Gerais, seis no Rio de Janeiro e 31 em São Paulo. Segundo o estudo, o grande número de epífitas vasculares ameaçadas é reflexo do desmatamento de áreas florestais para a transformação em terras agrícolas ou pastagens, da especulação imobiliária, das atividades de mineração e da coleta predatória das espécies para a comercialização como plantas ornamentais. Elas também são afetadas pelas mudanças climáticas devido à dependência direta do ciclo hidrológico e da formação de nuvens.

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A bióloga e doutora em Biodiversidade e Conservação da Natureza, Samyra Gomes Furtado, uma das autoras do artigo, explica que a principal contribuição da pesquisa é prover dados para a conservação das florestas nebulares. “No Brasil, não utilizamos muito essa terminologia para classificar esses ambientes e, por isso, ainda estamos um pouco defasados na compreensão dessas florestas. Há estudos sobre esse tipo florestal, mas nem sempre o classificando como nebular, o que dificulta a unificação dos resultados”. A autora conta que pretende continuar o trabalho, mapeando a ocorrência dessas espécies para acompanhar, identificar e compreender as adaptações em relação às mudanças que já vem acontecendo. “Essa formação florestal resguarda grande diversidade e precisa da atenção tanto de pesquisadores, como da população e do poder público”, conclui. 

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