Morador que filmou agressão de GCMs na Cracolândia é intimidado por vizinhos: ‘Interfonaram falando que iam invadir minha casa’

Grupo de cerca de 10 moradores da região foi até o endereço do cinegrafista que filmou a agressão de Guardas Civis Municipais a uma mulher na Cracolândia neste sábado (28). Zelador do prédio impediu acesso do grupo, que se dispersou antes da chegada da polícia

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O cinegrafista que filmou a agressão de três guardas civis a uma mulher na Cracolândia neste sábado (28) foi intimidado por um grupo de moradores da região central de São Paulo.

As imagens do videojornalista Caio Castor, que circulam nas redes sociais, mostram a ação de três GCMs na Rua Helvetia por volta das 12h. Um dos guardas acerta a mulher com o cassetete e, depois, outro oficial utiliza gás de pimenta diretamente contra o seu rosto.

Depois da divulgação das imagens, Castor passou a ser ameaçado em grupos de moradores do bairro, que se juntaram para ir até o endereço do cinegrafista. Um grupo de cerca de 15 pessoas foi até o edifício onde ele mora e interfonou para o seu apartamento, segundo o cinegrafista.

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“Um dos homens, um homem muito raivoso, foi o que interfonou e ficou me ameaçando, dizendo que iam invadir meu apartamento e quebrar tudo”, contou Castor.

Após a ameaça, Castor entrou em contato com o Padre Júlio Lancelotti, que atua na defesa de usuários de drogas na região, e policiais civis foram até o local onde o cinegrafista vive com a esposa e a filha. Quando eles chegaram, no entanto, os moradores que se reuniram na porta do edifício já haviam se dispersado. Um carro da Polícia Militar foi posicionado em frente à casa do fotógrafo.

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“Agora, a gente está pensando se vai dormir aqui ou se vai para outro lugar, dormir fora por um tempo. Eu fiquei desesperado”, disse o videojornalista.

Nos grupos de moradores nas redes sociais, Castor foi criticado por filmar a agressão dos guardas. Em algumas das mensagens, os moradores disseram que esta atitude iria fazer com que o policiamento abandonasse a região.

Em um dos áudios que circula nos grupos, um morador do bairro xingou o cinegrafista.

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“Veio um veadinho, um filho da puta, que mora aqui na região, que filma só a parte que interessa pra ele, não filma a história toda, e manda para a imprensa”, disse o morador.

Após a saída dos moradores do local, o cinegrafista registrou um boletim de ocorrência online. O g1 procurou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) e também a Secretaria Municipal de Segurança Urbana da capital.

Por telefone, a secretaria municipal declarou que os guardas civis que patrulham a região não registraram nenhuma ocorrência no local na noite deste sábado (28). Já a SSP não respondeu ao contato até a última atualização desta reportagem.

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Agressão de GCMs

Uma mulher foi agredida com golpes de cassetete e gás de pimenta durante uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo neste sábado (28), na região central da capital.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, responsável pela GCM, afirmou que afastou os agentes e abriu sindicância para investigar a conduta.

“A Prefeitura informa que afastou os agentes flagrados em atos inaceitáveis e que não representam o padrão de atuação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Uma sindicância foi instaurada para apurar os fatos e aplicar as punições cabíveis. A gestão municipal não compactua com irregularidades e todo caso de desvio de conduta é rigorosamente apurado”, diz o texto.

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Em entrevista na abertura da Virada Cultural, na tarde deste sábado (28), o prefeito Ricardo Nunes (MBD) disse que os agentes já foram afastados.

“Já estão afastados, nós não vamos aceitar nenhum tipo de agressão com ninguém, já foi aberto procedimento pra apurar a responsabilidade, mas quero deixar aqui claro: os três já estão afastados, faremos apuração”, declarou.

Para Ariel de Castro Alves, advogado, especialista em direitos humanos pela PUC- SP e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, a ação dos guardas configura crime de tortura.

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“Temos claramente a prática de tortura por parte de guardas civis contra uma possível dependente, usuária de drogas, que frequenta aquela região. Nós vemos os guardas agredindo violentamente essa dependente de drogas e vemos também jogando spray de pimenta no rosto dela”, explicou.

“Temos uma situação em que ela é submetida a um intenso sofrimento físico e psicológico como forma de castigo, o que configura crime de tortura na lei 9.455, de 1997”, completou.

Operação com atiradores de elite

A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta sexta-feira (27) uma nova operação no ponto de concentração de usuários de droga da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Moradores registraram a presença de um veículo blindado com atiradores de elite, além das viaturas.

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Desde quando foram retirados da Praça Princesa Isabel pela polícia, os usuários de droga já ocuparam diferentes endereços: a Praça Marechal Deodoro; a Rua Helvétia, entre a Rua Barão de Campinas e a Avenida São João, e também na esquina da Avenida São João com a Rua Frederico Steidel.

Segundo balanço final da secretaria, na operação desta sexta (28), quatro homens em flagrante por tráfico de drogas. Outro homem foi preso em cumprimento a ordem judicial e uma adolescente apreendida em flagrante após ser vista comercializando entorpecentes. Além disso, três menores de idade também foram apreendidos e uma mulher conduzida à delegacia por desacato, segundo a pasta.

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Críticas às ações

A deputada Érica Malunguinho (PSOL) protocolou nesta quinta-feira (26) uma denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos em que acusa o Brasil de violar a Convenção Americana de Direitos Humanos com as operações da polícia contra usuários de drogas na região da Cracolândia.

Além disso, especialistas afirmaram que as ações consistem em dispersar os usuários de drogas pelo Centro da capital.

“Os agentes de saúde e sociais reclamam que a dispersão e remoção o tempo todo do fluxo dificulta ainda mais o atendimento dos dependentes. E a constância da ação repressiva da polícia torna impossível os atendimentos”, disse Ariel de Castro, do grupo Tortura Nunca Mais.

“A polícia passa o dia tocando os dependentes como se estivessem tocando bois”, afirmou.

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“Todas as vezes que isso ocorreu anos atrás nunca teve resultados positivos, pelo contrário, o problema foi ampliado, além da disseminação de várias Cracolândias na região central de São Paulo“.

Por G1

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