ONG Visão Mundial prioriza ações de combate à fome no Brasil

Com o crescimento da insegurança alimentar no País, organização realinha sua estratégia de ajuda humanitária para alavancar frentes de combate à fome

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A ONG Visão Mundial – entidade que há 47 anos atua na proteção de crianças e adolescentes brasileiros em situação de vulnerabilidade – reforçou seu comprometimento com o combate à fome no País. A partir de agora, a organização colocará a diminuição da insegurança alimentar como uma estratégia transversal em todas as suas ações e projetos.

Por trás do reposicionamento está um cenário alarmante: pesquisa recente da Rede PENSSAN mostrou que 125,2 milhões de brasileiros vivem atualmente em domicílios com algum grau de insegurança alimentar, sendo que 33 milhões deles convivem com a fome. De acordo com o estudo, a dificuldade de acesso aos alimentos é maior em domicílios rurais e nas regiões Norte e Nordeste. 

Entre as crianças e adolescentes, a situação é ainda mais grave. A pesquisa da PENSSAN mostra que, de 2021 para 2022, quanto mais moradores menores de 18 anos existem em um domicílio, mais a insegurança alimentar se agravou. Considerando-se apenas crianças de até 10 anos, a insegurança alimentar grave praticamente dobrou de um ano para o outro, saindo de 9,4% para 18,1% nos domicílios com moradores nesta faixa etária.

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“As regiões que mais sofrem com o problema são justamente os locais em que a Visão Mundial mais atua, com décadas de experiência em respostas de emergência. Entendemos, por isso, que temos um papel importante na missão de evitar que a fome continue avançando no Brasil. Vamos usar nosso ecossistema humanitário e nossa expertise para ajudar a reverter esse quadro”, explica Thiago Crucciti, diretor-executivo da Visão Mundial Brasil.

Desde que chegou ao Brasil, a ONG tem realizado ações de combate à insegurança alimentar, especialmente no que diz respeito à má nutrição infantil. Entre 2000 e 2010, por exemplo, já fazia a distribuição de multimistura no Nordeste do País, em parceria com a Pastoral da Criança. Posteriormente, conforme o contexto social brasileiro foi se modificando, a organização passou a trabalhar outras questões, como a educação e a proteção de direitos. 

“Mas quando chega a pandemia, o tema da insegurança alimentar retorna de maneira alarmante ao foco da nossa atenção, passando agora a ser a nossa principal estratégia para garantir que jovens e crianças em áreas distantes, periféricas e vulneráveis tenham um desenvolvimento saudável e digno”, diz Crucciti.

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De 2020 para cá, por exemplo, incluindo os períodos mais intensos da pandemia, a Visão Mundial já distribuiu mais de 202 mil cestas básicas e kits alimentares, impactando cerca de 530 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. O público mais beneficiado são as crianças, que com essa ajuda podem evitar que seu processo de desenvolvimento seja prejudicado pela falta de nutrientes ou, como também é comum, terem de trabalhar para ajudar a colocar comida na mesa. Ao todo, foram 4 toneladas de alimentos destinadas ao combate da insegurança alimentar. Além de recursos próprios, as iniciativas contaram com dinheiro de empresas privadas e parceiros do terceiro setor. 

Mais recentemente, em 2022, a ONG aderiu à coalizão da Ação da Cidadania, que na próxima semana organiza o Encontro Nacional Contra a Fome, evento no Rio de Janeiro para discutir e buscar soluções contra o avanço desse problema histórico no Brasil.

Com a nova estratégia, a Visão Mundial atuará mais intensamente na distribuição de alimentos, seja com cestas básicas ou refeições prontas, priorizando comunidades rurais e ribeirinhas no Norte e Nordeste do País, assim como as periferias das grandes cidades. Além de ações imediatas, a organização também continuará apoiando e executando projetos sustentáveis de longo prazo, como a criação de quintais produtivos e redes de fornecimento de alimentos oriundos da agricultura familiar. As iniciativas são alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

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“Já fizemos trabalhos educativos de reaproveitamento de alimentos para famílias e merendeiras no sertão nordestino, por exemplo, e identificamos que o conhecimento tem um forte poder estrutural de criar novos comportamentos”, comenta Andrea Freire, gerente de operações da Visão Mundial.

Ela esclarece que a atuação programática da Visão Mundial também terá um eixo com foco em inclusão e recuperação econômica, especialmente de mulheres, para viabilizar uma maior capacidade de geração de renda e, consequentemente, de prover suas próprias necessidades e de seus filhos.

Projeto de combate à fome

Desde que a pandemia chegou ao Brasil, a Visão Mundial foi uma das primeiras organizações a atuar no combate à insegurança alimentar. Além da doação de cestas básicas, foi lançado o projeto “Resposta à COVID-19 no Brasil – Amazonas unido pela prevenção”, desenvolvido pela ONG, com financiamento do Escritório de Assistência Humanitária da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

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O projeto já beneficiou 3.890 famílias com a distribuição de cartões pré-pagos e cestas de alimentos, cada uma contendo 35kg e 59 itens. Apenas nessa frente foram destinados 5,4 milhões de reais para a compra de 204 toneladas de comida e dos cartões de alimentação, cada um com o valor de R$ 463,50 para serem gastos pelas famílias no comércio local. 

Mais de 70% das famílias beneficiadas com o projeto ganham menos de R$ 1 mil por mês. Sendo que 45% delas vivem com menos de R$ 500 mensais. Deste público, mais de 40% já havia enfrentado situações de fome. “São pais que deixam de comer para priorizar os filhos, famílias que fazem apenas uma refeição por dia ou que dependem de doações”, diz Andréa.

O projeto foi especialmente importante para as crianças e adolescentes, porque a pandemia impossibilitou que eles tivessem acesso à alimentação escolar, agravando a situação de insegurança alimentar.

Documentário

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Em outubro do ano passado, a Visão Mundial também lançou o documentário “Insegurança à Mesa”, em parceria com o movimento União BR, para chamar atenção da sociedade sobre o avanço da fome no Brasil. 

Naquela época, um estudo da própria ONG já apontava que, até o final de 2022, cerca de 283 mil crianças poderiam morrer em todo o mundo em decorrência da fome causada pela pandemia. Os episódios do documentário podem ser assistidos no canal do YouTube da entidade.

Ação global

Em maio, a Visão Mundial Internacional lançou uma resposta de emergência no mundo todo para combater o aumento da fome em decorrência das mudanças climáticas e do conflito na Ucrânia.

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A organização salienta que o aumento dos custos de combustível, fertilizantes e trigo, exacerbado pelo fechamento de portos, sanções e restrições comerciais decorrentes da guerra, tem potencial de criar um cenário de fome em massa em várias localidades do planeta.

O “Global Hunger Response” terá duração de 18 meses e baseia-se em esforços para enfrentar a fome generalizada e a desnutrição em, pelo menos, 24 países: Etiópia, Quênia, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Uganda, Tanzânia, Angola, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Chade, Burkina Faso, Líbano, Mali, Mauritânia, Níger, Guatemala, Haiti, Honduras, Venezuela, Afeganistão, Síria, Iêmen e Mianmar.

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