Pesquisa associa diabetes a declínio cognitivo mais rápido em idosos

Estudo, coordenado por pesquisadora da UFSCar, analisou dados de mais de 3,6 mil participantes

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Um estudo internacional coordenado por pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) evidenciou que o declínio cognitivo se instala mais rapidamente em pessoas idosas com diabetes, especialmente aquelas do sexo masculino. A pesquisa foi realizada junto a 3.687 pessoas com 50 anos ou mais, integrantes do Tilda (The Irish Longitudinal Study on Ageing), que foram acompanhadas pelo período de seis anos.

A cognição está relacionada à memória, à tomada de decisões e ao planejamento para a resolução de problemas ou tarefas. Márcia Regina Cominetti, docente no Departamento de Gerontologia (DGero) da UFSCar e primeira autora de artigo resultante da pesquisa, conta que “o diabetes tem sido fortemente associado ao declínio cognitivo e ao risco aumentado de desenvolver todos os tipos de demência, incluindo a doença de Alzheimer”. Os resultados do estudo no Tilda reforçam esses achados e a importância do rastreamento e manejo do diabetes mellitus (DM) em adultos e idosos, para prevenir futuros comprometimentos cognitivos.

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“Apesar de o estudo não ter sido realizado com a população brasileira, é muito provável que possamos transpor e extrapolar seus resultados para nosso contexto, ainda que com algumas particularidades”, destaca Cominetti. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 o Brasil contava com 28 milhões de pessoas acima de 60 anos – idade que se considera uma pessoa idosa no País -, o que representa 13% da população brasileira. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que, até 2050, esse número chegue a triplicar. “Nosso sistema de saúde não estará preparado para lidar com o grande número de doenças que irão surgir nesse contexto de rápido envelhecimento populacional. Considerando que o diabetes, as doenças cardiovasculares e as demências representam grandes problemas de saúde pública no mundo, e que no Brasil esses serão problemas ainda maiores por conta do cenário descrito, precisamos conhecer a relação entre essas doenças, de modo que ações de prevenção possam ser estimuladas”, explica a docente sobre a importância do levantamento.

O Tilda é um estudo prospectivo sobre as condições sociais, econômicas e de saúde de adultos com 50 anos ou mais que vivem na Irlanda. Na pesquisa sobre diabetes e declínio cognitivo, os participantes foram reavaliados a cada dois anos ao longo de seis anos de estudo. Além da associação independente entre diabetes e declínio cognitivo mais acentuado, também foram encontradas associações entre idade, sexo masculino e ocorrência de problemas cardiovasculares como hipertensão e acidente vascular cerebral e a maior rapidez em apresentar problemas de cognição.

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A influência do diabetes na cognição pode ser explicada pelo fato de que os elevados níveis de glicose circulantes nas pessoas diabéticas causam alterações na estrutura dos vasos sanguíneos, hiperlipidemia (altos níveis de gordura na corrente sanguínea) e inflamação. Essas alterações atingem também o cérebro, e o resultado gera uma neuroinflamação, que é uma das principais características da doença de Alzheimer, por exemplo.

É importante reforçar que, além do impacto na cognição, o DM possui várias outras complicações, como problemas vasculares, particularmente nos pés, com risco aumentado de necessidade de amputação em pessoas diabéticas; problemas na visão que podem levar à cegueira, além de lesões renais. “O nosso artigo serve de alerta para mostrar que é necessário um controle metabólico rigoroso em pessoas que já tenham o diabetes, para evitar que o declínio cognitivo se instale futuramente. Esse alerta também pode servir para pessoas mais jovens ou idosos saudáveis, para que se mantenham fisicamente ativos, evitando aumento de peso e obesidade, para impedir o surgimento de diabetes ou outros problemas. O artigo também pode estimular políticas públicas de prevenção ao diabetes e, consequentemente, das demências”, conclui a pesquisadora da UFSCar.

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Além de Cominetti, a pesquisa teve a participação de Henrique Pott Júnior, docente no Departamento de Medicina da UFSCar, que realizou uma minuciosa análise estatística; Cristiane Cominetti, do Grupo de Pesquisa em Genômica Nutricional (GPGEN) da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG); Roman Romero-Ortuno, professor na Escola de Medicina da Trinity College Dublin, Irlanda; e de Raquel Gutiérez Zúñiga, do Global Brain Health Institute (GBHI), também do Trinity College. Atualmente, Márcia Cominetti realiza pós-doutorado no Trinity College Dublin, atuando em um programa do GBHI que se dedica a proteger as populações envelhecidas contra ameaças à saúde do cérebro em um esforço coletivo dedicado a populações em todo o mundo.

O artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Diabetes Epidemiology and Management e está disponível no link https://bit.ly/3nVL6fs.

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