Condições de trabalho interferem na duração do aleitamento materno exclusivo, aponta estudo

Novo estudo aponta que mães em ocupações manuais semiespecializadas (manicures, sapateiras, padeiras, auxiliares de laboratórios, feirantes, entre outros) e com jornadas de trabalho de 8 ou mais horas diárias deixam com mais frequência de alimentar seus filhos exclusivamente com o leite materno – o que é chamado de aleitamento materno exclusivo (AME) – durante os 4 ou 6 meses após o parto. A pesquisa, publicada nesta sexta (5) na Revista Cadernos de Saúde Pública, mostra também que mães com ocupações em funções de escritório, que trabalhavam 4-5 dias ou 6-7 dias/semana e por 5-7 horas também praticaram menos o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês (AME 6).

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Os dados foram coletados a partir de questionários e entrevistas com 5.166 mães de nascidos vivos em 2010 na capital do estado do Maranhão, São Luís. Ao longo deste ano, as mães responderam questionários após 24h do parto sobre as ocupações que exerciam ou não. Depois, entre 2012 e 2013, elas foram entrevistadas sobre a duração do AME quando as crianças tinham de 24 a 36 meses. O estudo mostra que mães em ocupações manuais semiespecializadas e mães que trabalhavam 8 ou mais horas diárias mais frequentemente interromperam AME.

Mães com ocupações em funções de escritório, que trabalhavam 4-5 dias ou 6-7 dias/semana e por 5-7 horas também praticaram menos o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês (AME 6). Trabalhar ou não em pé a maior parte do tempo e levantar ou não objetos pesados no trabalho diminuíram a duração de AME 6. Tipos de ocupação e de jornada de trabalho interferiram mais frequentemente na duração de AME 6

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De acordo com Marizélia Ribeiro, autora do estudo, o objetivo era entender quais fatores influenciam na menor duração do aleitamento exclusivo. “Não trabalhar é a categoria de menor risco para interrupção do aleitamento materno. Frequentemente os trabalhos só estudam se a mulher trabalha ou não. Queríamos ver mais: que condições de trabalho fazem a mãe abandonar mais”, diz.

Os dados são relevantes, pois a Constituição Brasileira de 1988 torna obrigatória a licença maternidade por 4 meses (podendo ser iniciada 28 dias antes do parto), o que pode estar relacionado com o fato de o AME ser abonado com mais frequência em até 6 meses de vida do que em 4. Além disso, o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida é recomendado pelo Ministério da Saúde. No entanto, os autores ponderam que muitas das ocupações analisadas aqui funcionam na informalidade, bem como consideram que os dados reforçam as dificuldades de mulheres exercerem concomitantemente as funções de trabalhadoras e mães.

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