É preciso falar sobre feminismo(s) e política

Rosilene Marcelino

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Volte algumas casas no jogo da vida caso você pense feminismo como uma agenda cara a uma dada ideologia política. E outras tantas se ainda imagina o feminismo como oposto ao machismo. Retroceda um pouco mais caso não note a existência de feminismos (isso mesmo, no plural, reconhecendo toda sorte de vivências). E recomece a partida se segue julgando feminismo(s) como algo restrito às mulheres. 

Em um mundo polarizado (bipartido, do isso e daquilo, do é assim e do é assado, do certo e do errado, do bem e do mal, de direita e de esquerda, de santos e profanos, analógicos e digitais, do quiquei e do não quiquei e não sei mais o quê…). É provável você já ter se deparado com o (lamentável, raso e frágil) juízo de valor dos feminismos caracterizados como coisa de comunista, esquerdista e socialista, com essas expressões sendo proferidas a plenos pulmões como espécie de xingamento.  

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Tal articulação, carregada nas tintas de matizes pejorativas, não passa de um mergulho no pires daqueles que abrandam como os nervos milimetricamente estivessem à flor da pele para afugentar qualquer possibilidade de reflexão e consciência. No âmbito político, tem sido no grito a estratégia de silenciamento das diversidades e, consequentemente, o retardo de possibilidades de exponenciar políticas públicas inclusivas. 

Dá-lhe barulho, de caso (bem) pensado, para tentar manter o patriarcado no poder. Em meio a quebra de braço e a opacidade de extremos forjados, brasileiros, parecem praticamente arremessados a uma saída perigosa: que trincheira integrar? Acena aí o risco, entre tantos, da subtração dos indivíduos da potência do diálogo e da reflexão, desde muitas perspectivas, para a busca de saídas conjuntas e responsáveis aos desafios de muitas ordens em termos de País. 

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De uns tempos para cá, na esteira de crises socioeconômicas, políticas e sanitárias, tem-se tornado recorrente a expressão “terceira via”.  À beira das eleições 2022, o termo recuperado d’outras épocas, representa a fração da população que rejeita os, até aqui, líderes das intenções de voto: o Presidente Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT). Na tentativa de pavimentação nada tranquila da terceira via, seja nos “quiproquós” de bastidores ou sob holofotes, não se pode dar de ombros para os eleitores que não querem “isso ou aquilo”, mas outras respostas para a retomada de um projeto de Brasil.  

Com a distância de alguns dias da oficialização da candidatura da Senadora Simone Tebet à Presidência sob a tríade MDB, PSDB e Cidadania, assenta-se finalmente a promessa recente de uma chapa feminina com a confirmação da Senadora Mara Gabrilli à vice. 

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Ter, agora, a constituição de uma alternativa de “terceira via” efetivamente composta por mulheres (emedebista e tucana) na corrida presidencial de 2022 soa emblemática e como um convite para se colocar em curso mais visibilidade para a luta por igualdade de gênero na política brasileira. A candidatura evidencia, ainda, que “mulheres no poder” não é caro a um dado espectro político apenas. 

Está se perguntando sobre o(s) feminismo(s) mencionados no início do texto? Para os efeitos destes dois dedos de prosa, fica a ciência de que essa movimentação política e intelectual abriu caminhos para a escrita desta reflexão. As palavras aqui partilhadas logo se dão na esteira de quem foi ponta de lança para denunciar a dominação masculina. Dito isso, lembre-se: Gabrilli não era a primeira opção dos “caciques” dos partidos envolvidos. E, ao final de julho, no sindicato dos Metroviários, foi anunciada pelo PSTU a primeira chapa integralmente feminina na disputa à eleição presidencial de 2022 formada pela cientista social Vera Lúcia e pela vice, a pedagoga Raquel Tremembé, indígena da etnia Tremembé, do Maranhão. Isso deixa o fio da meada para pensar visibilidades, invisibilidades e invisibilizações. 

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Bora colocar os olhos no jogo político; ele diz respeito a todos.  

Rosilene Marcelino é professora do curso de Ciências Sociais da ESPM, doutora em Comunicação e Semiótica (PUC), mestre em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM), especialista em Comunicação com o Mercado e em Ciências do Consumo Aplicadas (ESPM).

Sobre a ESPM

A ESPM é uma escola de negócios inovadora, referência brasileira no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração e Economia Criativa. Seus 12 600 alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação e mais de 1 100 funcionários estão distribuídos em cinco campi – dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um em Porto Alegre e um em Florianópolis. O lifelong learning, aprendizagem ao longo da vida profissional, o ensino de excelência e o foco no mercado são as bases da ESPM.

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