Filme “O Dilúvio Maxakali” é tema de evento sobre herança antropofágica na literatura e no audiovisual

Próximo encontro do projeto Alma será no dia 25 de novembro, via YouTube

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O projeto Alma – Antropofagia, literatura, modernismo e audiovisual – tem apresentado, desde março, uma série conferências online. A iniciativa reúne escritores, cineastas, artistas e acadêmicos do Brasil, Portugal e Angola, que discutem temas relacionados ao processo colonial, à emergência de uma voz indígena no audiovisual contemporâneo e ao impacto da experiência modernista em diferentes territórios. Sob o título “Antropofagias tecnológicas”, a sexta e última conferência conta com a participação dos realizadores Charles Bicalho e Isael Maxakali, e com a moderação de Jorge Carrega, do Centro de Investigação em Arte e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve (UAlg), e de Pedro Varoni, professor do Departamento de Letras (DL) da UFSCar. A sessão centra-se no filme de animação “O Dilúvio Maxakali” (2016), uma versão de Maxakali para a história do Dilúvio. A produção e animação foram realizadas a partir de oficinas com os indígenas Maxakali que participaram desse processo. O trailer do filme pode ser visto no YouTube (encurtador.com.br/akKSW).

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O evento acontece no dia 25 de novembro, às 15 horas (horário de Brasília). Confira a programação na íntegra no site www.cech.ufscar.br/alma e no site https://ciac.pt/noticias/ciclo-de-conferencias-9/17713.

O Alma resulta de parceria entre o Laboratório de Estudos do Discurso (Labor) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); o Centro de Investigação em Arte e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve (UAlg), em Portugal; a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG); e o Polo Audiovisual da Zona da Mata. A conferência será realizada de forma remota pelo canal do CIAC no YouTube, pelo link encurtador.com.br/nwM09. Haverá inscrição prévia para os participantes que quiserem receber certificado; para isso, é preciso preencher o formulário eletrônico disponível em encurtador.com.br/hiDGP. Dúvidas podem ser esclarecidas com o professor Pedro Varoni, do Departamento de Letras (DL) da UFSCar, pelo e-mail pedrovaroni@ufscar.br.

Sobre o Alma

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A programação foi pensada de modo a refletir sobre os sentidos contemporâneos da antropofagia. “O Manifesto Antropófago, publicado pelo escritor brasileiro Oswald de Andrade em 1928, constitui um dos mais potentes signos do modernismo literário brasileiro e uma práxis cultural presente nas artes e no pensamento crítico durante o século passado e com potenciais contribuições ao contemporâneo. É essa atualidade do pensamento antropofágico pensado para além do campo literário, como uma filosofia decolonial avant la lettre, que o projeto pretende desenvolver através de um ciclo de conferências que deve resultar na produção de uma coletânea de textos de pensadores e artistas de Brasil e Portugal”, explicam os coordenadores do evento, os pesquisadores Miriam Tavares e Jorge Carrega (CIAC); César Piva (Polo Audiovisual da Zona da Mata); Vanice Sargentini, Daniel Laks e Pedro Henrique Varoni de Carvalho, docentes do DL da UFSCar; Rodolfo Magalhães, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da UFSCar; e Cláudio Santos Rodrigues, da UEMG.Segundo os pesquisadores, a transposição para o campo cultural do ritual tupinambá de devorar o inimigo, inspiradora do Manifesto, tornou-se potência criativa de manifestações culturais, num contexto de resistência à ditadura civil-militar imposta ao Brasil até meados dos anos 1980 e de intensificação dos fluxos midiáticos globalizados. A antropofagia ressurge no movimento tropicalista, deixa marcas no teatro, na literatura e no cinema. Ao mesmo tempo em que sugere uma síntese cultural própria a partir das trocas e da alteridade, desloca-se dos nacionalismos identitários presentes em certas marcas do modernismo brasileiro. O movimento se faz mais por um desejo antinarcísico pelo outro, conforme indicam as palavras de Oswald de Andrade: “só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.”‘Mais do que uma investigação sobre a obra de Oswald, interessa-nos pensar a ideia de antropofagia como uma chave para entendimento de temas contemporâneos que transcendem as questões de identidade nacional e, para o que importa aqui, se referem às relações culturais entre Portugal e as antigas colônias, Brasil e África. Há modernismos de um lado e de outro e eles dizem respeito também a um sentimento da língua portuguesa, à metáfora das navegações como busca de territórios existenciais. Como na Passagem das horas de Álvaro Campos: ‘Viajei por mais terras que aquelas em que toquei/ Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos/ Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti…'”, citam os organizadores.

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