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Perda de massa muscular na fase aguda da COVID-19 está associada a sintomas persistentes, mostra estudo

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Quanto maior a perda de massa muscular durante o período de hospitalização por COVID-19, maiores são as chances de o paciente desenvolver sintomas persistentes da doença, como comprometimento muscular e a chamada COVID longa, que pode incluir dificuldade para respirar, tosse persistente, dores de cabeça, insônia e ansiedade.

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A conclusão é de um estudo conduzido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e divulgado no Journal of the American Medical Directors Association. Os resultados também indicam haver uma relação entre maior perda de massa muscular e maiores gastos com saúde nos meses seguintes à alta hospitalar.

“A perda de massa muscular é razoavelmente comum durante períodos prolongados de internação hospitalar. No entanto, esse quadro parece ser exacerbado em pacientes hospitalizados por COVID, afetando a massa, a força e a função muscular a ponto de comprometer a mobilidade do paciente em alguns casos”, explica Hamilton Roschel, líder do estudo e um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Escola de Educação Física e da Faculdade de Medicina da USP.

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Financiada pela FAPESP por meio de dois projetos (17/13552-2 e 20/08091-9), a investigação envolveu 80 pacientes com COVID-19 moderada ou grave internados no Hospital das Clínicas da FM-USP em 2020 – época em que ainda não havia vacinas disponíveis. Os participantes foram acompanhados durante e após o período de hospitalização.

Os pesquisadores mediram a força e a massa muscular dos pacientes em quatro momentos: assim que eles deram entrada hospitalar, quando tiveram alta e dois e seis meses depois da alta hospitalar. Para isso foi usado um equipamento (dinamômetro) que mede a força de preensão manual – medida que tem uma boa correlação com a força global de um indivíduo. Já a massa muscular foi aferida com um aparelho de ultrassom, tendo como referência o músculo da coxa.

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“É comum associarmos a função dos músculos apenas com a locomoção, mas o sistema musculoesquelético tem um papel muito mais abrangente. Ele participa de vários outros processos no organismo, como a regulação do metabolismo e até mesmo do sistema imune”, explica Roschel.

De acordo com as análises, nos pacientes que tiveram maior perda de massa muscular também foi maior a prevalência de fadiga (76%) e de dor muscular (66%). Já nos que tiveram menor comprometimento da musculatura, a prevalência foi, respectivamente, de 46% e 36%.

Na avaliação feita seis meses após a alta hospitalar, aqueles que haviam perdido mais massa muscular permaneciam com dificuldade para recuperar a musculatura prévia. Já os que tiveram pouca perda se recuperaram quase que totalmente no período.

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Preditor de prognóstico

Os pesquisadores também avaliaram os gastos com saúde durante os seis meses seguintes à alta hospitalar. “Embora não tenha havido grandes diferenças em relação à reospitalização e autopercepção de saúde, os pacientes que perderam mais massa muscular tiveram um gasto total com a saúde relacionados à COVID-19 muito maior que o outro grupo”, conta Roschel.

Na média, os participantes que tiveram a musculatura mais afetada na fase aguda gastaram US$ 77 mil contra US$ 3 mil nos dois primeiros meses após a alta hospitalar. Quando considerados os seis meses após a saída do hospital, esse valor foi de aproximadamente US$ 90 mil com gastos em reabilitação e outras complicações, contra US$ 12 mil na média para os que tiveram menor comprometimento muscular.

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“Os resultados mostram que a perda de massa muscular parece ser um parâmetro de prognóstico negativo em pacientes hospitalizados, o que sugere serem necessárias testagens de intervenções terapêuticas já durante o período de internação. No plano coletivo, de saúde pública, mostramos que a perda de massa muscular está associada a maiores custos, o que certamente impacta e pressiona os sistemas de saúde não só no âmbito econômico, mas também na demanda por serviços de reabilitação para esses pacientes”, avalia.

Estudo anterior do grupo havia demonstrado que medidas de força e massa muscular podem ajudar a prever o tempo de internação por COVID-19. Ao analisar esses dados no momento da admissão hospitalar, foi possível observar que os pacientes com melhor saúde muscular tendiam a permanecer menos tempo internados (leia mais em: agencia.fapesp.br/35625/).

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“Essa primeira etapa do trabalho mostrou como a COVID-19 afeta o músculo e a importância de ter uma ‘reserva muscular prévia’ para lidar com a infecção. Agora vimos que, seis meses após a alta hospitalar, quem perdeu mais massa não apenas não conseguiu recuperá-la, como teve mais sintomas persistentes e maiores gastos com saúde. É importante ressaltar o impacto da doença também para o sistema musculoesquelético e como isso requer atenção dos sistemas de saúde, mesmo após o paciente estar recuperado da infecção”, ressalta o autor.

O artigo Acute muscle mass loss predicts long-term fatigue, myalgia, and health care costs in covid-19 survivors pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S152586102200891X.

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Cresce busca por autotestes de Covid-19 em novembro

No marketplace de farmácias Consulta Remédios, visualizações de páginas sobre este tipo de produto subiu 216%  

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Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil já registra mais de 690 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, com um número total de casos confirmados ultrapassando os 35 milhões. No marketplace de farmácias Consulta Remédios, a busca por autotestes de Covid-19 apresentou aumento significativo em novembro, com 216% mais visualizações de páginas deste tipo de produto em relação a outubro.

A alta acontece após quatro meses de diminuição da busca por autotestes na plataforma e em meio ao alerta de nova onda de transmissão e casos de novas variantes da doença. 

“Os autotestes começaram a ser comercializados na nossa plataforma em março de 2022, mais especificamente em 11 de março, após a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirma Rafaela Sitiniki, Farmacêutica da Consulta Remédios. 

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Chegada das festas e importância da prevenção

Segundo Rafaela, as medidas preventivas se tornam especialmente importantes com a chegada do período de festas, quando as pessoas se reúnem para as confraternizações de final de ano. Entre elas, se destacam o uso da máscara em locais fechados ou mesmo abertos, se houver aglomeração; lavagem adequada das mãos com água e sabão e a higienização das mãos com álcool em gel sempre que houver contato com superfícies de uso comum. 

“A pandemia segue em curso, com variantes ainda perigosas, especialmente para idosos, bebês, pessoas não vacinadas, com imunidade comprometida ou comorbidades”, alerta a farmacêutica. 

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Sobre a Consulta Remédios (CR): Nascida em 2000, há dois anos tornou-se o primeiro marketplace de farmácias do Brasil. A healthtech conecta pacientes, médicos e profissionais de saúde às farmácias online de todo o Brasil. Além de mostrar e comparar preços e ofertas, a plataforma traz informações sobre os medicamentos e produtos de saúde, perfumaria e beleza. São milhares de drogarias cadastradas na plataforma, oferecendo entregas rápidas para todo o país. Em 2022, a CR comprou a startup Receita Digital, acelerando ainda mais a conexão entre prescritores, pacientes e farmácias, independentemente do canal de venda. Mais informações podem ser encontradas em https://consultaremedios.com.br/

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Covid-19: vigilância de casos leves nos serviços de atenção primária à saúde poderia ter freado o contágio no Brasil

A atenção primária à saúde é a porta de entrada no sistema de saúde no Brasil. Na pandemia da Covid-19, seu potencial para prevenção, vigilância e atendimento de casos leves poderia ter evitado a sobrecarga de hospitais e emergências. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) e da Escola de Administração de Empresas do Estado de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) em artigo publicado nesta segunda (28) na “Revista Brasileira de Medicina da Família e Comunidade”.

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Os autores analisaram documentos publicados durante o primeiro ano da pandemia, como recomendações do Ministério da Saúde (MS) e de órgãos governamentais como o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS). Também compuseram a análise notas técnicas publicadas por sociedades científicas como a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). O objetivo foi verificar os aportes técnicos para o trabalho na atenção primária à saúde, que compreende serviços como a Estratégia de Saúde da Família e procedimentos como vacinação e testagens.

A pesquisadora Michelle Fernandez, uma das autoras do artigo, explica que a atenção primária consegue chegar facilmente à população, pois tem capilaridade no território brasileiro e está presente em áreas de vulnerabilidade social. “Isto dá à atenção primária à saúde capacidade de mapear e recomendar isolamento de casos suspeitos, e esse é um mecanismo muito eficaz de desaceleração do contágio. Porém, no caso da Covid-19, não havia normativas do Ministério da Saúde indicando a atuação nesse sentido para frear o avanço naquele primeiro momento”, aponta.

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Fernandez observa que outros entes, como estados e municípios, organizaram o enfrentamento à Covid-19 diante da ausência de coordenação nacional. Mesmo passados quase três anos do início da pandemia, ainda é tempo para o MS atuar de forma mais assertiva em diversas frentes do combate à Covid-19, sobretudo na vacinação, destaca a pesquisadora: “Já temos vacina para toda a população maior de seis meses e atualizadas para as novas cepas, mas o Ministério da Saúde ainda não comprou as vacinas com essa atualização”, destaca.

Conforme a autora, também é fundamental que a gestão pública atente para o bem-estar dos profissionais da atenção primária à saúde, que atuam em diversas frentes desde o início da pandemia: “Temos profissionais lidando com novos casos na triagem e cuidando de pacientes na Covid longa, e boa parte dessa demanda chega pela atenção primária. Também temos profissionais trabalhando ativamente na vacinação. Eles estão sobrecarregados, com saúde mental debilitada, e o atual governo não estabeleceu política para cuidado desses profissionais”, frisa Fernandez.

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O estudo evidencia a importância da coordenação do Ministério da Saúde para a atuação bem-sucedida da atenção primária à saúde e de suas equipes em todo o Brasil. “Outro achado interessante é a participação de atores além dos estatais na ressignificação da política pública para a atenção primária à saúde”, completa Fernandez, mencionando a contribuição de redes e entidades científicas no período analisado.

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Infecção de células da gordura visceral pode contribuir para o agravamento da COVID-19, sugere estudo

Karina Toledo | Agência FAPESP – Experimentos conduzidos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de São Paulo (USP) indicam que a gordura visceral – aquela que envolve os órgãos vitais e é considerada um fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão – contribui mais para o agravamento da COVID-19 do que a gordura existente abaixo da pele, que dá forma aos infames “pneuzinhos”.

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Para chegar a essa conclusão, o professor do Instituto de Biologia da Unicamp Marcelo Mori, um dos líderes da pesquisa, infectou em laboratório dois tipos de adipócitos: um obtido a partir de células-tronco humanas isoladas do tecido adiposo subcutâneo e outro diferenciado a partir de células-tronco do tecido adiposo visceral.

“Foi possível observar que o adipócito visceral é mais suscetível à infecção pelo SARS-CoV-2, pois a carga viral aumenta bem mais nesse tipo de célula de gordura do que no adipócito subcutâneo. Acreditamos que isso se deve, principalmente, à maior presença da proteína ACE-2 [à qual o vírus se conecta para invadir a célula] na superfície celular”, conta Mori à Agência FAPESP.

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Além disso, os pesquisadores notaram que, ao ser infectado, o adipócito visceral produz uma quantidade maior de citocinas pró-inflamatórias – moléculas que sinalizam para o sistema imune a existência de uma ameaça a ser combatida.

A pesquisa, divulgada na revista Nature Communications, contou com a participação de diversos grupos de pesquisa da Unicamp, além de colaboradores da USP, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio-CNPEM), do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor). Entre os coordenadores estão os professores Luiz O. Leiria (USP), Mariana Osako (USP) e Daniel Martins-de-Souza (Unicamp). A investigação recebeu financiamento da FAPESP por meio de 20 projetos (17/08264-820/05040-420/04746-019/00098-719/05155-920/04583-420/15959-519/26119-016/00194-820/04558-020/04579-721/10373-520/08716-913/07607-820/04919-217/01184-917/23920-916/24163-419/04726-2 e 18/21635-8).

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Reservatório viral

A equipe de Mori na Unicamp foi a primeira do mundo a mostrar – em julho de 2020 – que o SARS-CoV-2 era capaz de infectar células de gordura humanas e a sugerir que o tecido adiposo serviria de reservatório para o vírus (leia mais em: agencia.fapesp.br/33612/).

“Depois disso, outros trabalhos confirmaram que o adipócito de fato pode ser infectado. E, ao analisarmos amostras de pacientes que morreram de COVID-19, vimos que a presença do vírus no tecido adiposo é relativamente frequente, cerca de 50% dos casos”, conta o pesquisador.

O grupo então decidiu investigar se havia diferença na forma como as células adiposas viscerais e subcutâneas respondiam à infecção. No que diz respeito às doenças metabólicas, as evidências da literatura científica mostram que a gordura visceral é a principal vilã, enquanto a gordura subcutânea tende a ser neutra ou até mesmo benéfica.

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“Queríamos avaliar se no contexto da COVID-19 havia uma relação semelhante”, conta Mori. “E de fato nosso modelo sugere que, quanto mais abundante é o tecido adiposo visceral no indivíduo com obesidade, mais chances o vírus tem de se replicar e isso acaba amplificando o processo inflamatório.”

No adipócito subcutâneo, por outro lado, o grupo observou que a infecção leva a uma diminuição da lipólise, como é conhecido o processo de quebra dos lipídeos em moléculas de ácidos graxos que podem ser usadas como fonte de energia durante atividade física ou períodos de jejum.

“Nossa hipótese é que isso representa uma resposta celular antiviral. Há estudos mostrando que a inibição da lipólise diminui a capacidade replicativa do SARS-CoV-2, o que pode ser explicado pelo fato de o vírus precisar de lipídeos para produzir seu envelope e, além disso, demandar energia da célula para fazer cópias de seu material genético”, explica Mori. Segundo o pesquisador, portanto, a diminuição da lipólise no tecido adiposo subcutâneo pode ser algo positivo para nós humanos e uma má notícia para o vírus.

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Respostas antagônicas

Os adipócitos viscerais foram expostos a duas linhagens diferentes do SARS-CoV-2: a ancestral, oriunda de Wuhan, na China, e isolada de um dos primeiros brasileiros diagnosticados com COVID-19; e a gama (P.1.), que emergiu no fim de 2020 em Manaus. A diferença de suscetibilidade em relação aos adipócitos subcutâneos foi vista apenas com a cepa ancestral.

“Vimos que a variante de Manaus tem uma capacidade menor de infectar as células viscerais em comparação à cepa ancestral. E, por meio de proteômica [análise do conjunto de proteínas produzidas pela célula], observamos que, enquanto a linhagem de Wuhan leva a uma diminuição de diversas proteínas relacionadas à resposta de interferon na célula [mecanismo do sistema imune para combater vírus], a gama leva a um aumento. Ou seja, com a cepa de Manaus o adipócito produz mais proteínas que promovem uma resposta antiviral”, conta Mori.

Segundo o pesquisador, estudos recentes apontam que, com as novas variantes virais, há uma queda nos casos graves de COVID-19 entre pessoas com obesidade. “Mas esse fenômeno pode ter influência de outros fatores, como vacinação ou infecção prévia. Ou talvez esses indivíduos estejam se cuidado mais por saberem que pertencem a um grupo de risco”, diz.

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Para tentar avançar na compreensão do tema, o grupo pretende fazer novos experimentos em culturas de adipócitos com as linhagens delta e ômicron.

Outro objetivo futuro é investigar possíveis impactos metabólicos da infecção pelo SARS-CoV-2 em médio e longo prazo. “Queremos descobrir se a infecção muda o risco de o indivíduo desenvolver diabetes ou doenças cardiovasculares, por exemplo. Para isso uma possibilidade é estudar amostras de pacientes que tiveram COVID-19 e depois foram submetidos a cirurgia bariátrica e verificar se com a infecção ocorrem alterações morfológicas e funcionais no tecido adiposo visceral”, conta.

O artigo SARS-CoV-2 infects adipose tissue in a fat depot- and viral lineage-dependent manner pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41467-022-33218-8.

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Levantamento mostra impacto da Covid-19 no quadro geral de mortes no Brasil

Dados são da nova calculadora da insurtech Azos, capaz de mapear de modo simples e rápido as causas de morte no país

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Após 12 meses de estudos, a Azos lança uma nova versão da sua calculadora inteligente, capaz de combinar em diferentes filtros mais de 43 milhões de dados sobre as principais causas de morte no país. A partir desse estudo, foi feito um mapeamento dos impactos da Covid-19 em relação ao quadro geral de mortalidade no Brasil em 2021. As mortes por Covid-19 ultrapassaram o número de óbitos causados por doenças do coração e por câncer, que até então eram as doenças que mais matavam no país, respectivamente.

De 2017 a 2020, a mortalidade por doenças do coração se manteve constante, a uma taxa de 0,11% ao ano, enquanto a taxa de mortalidade por câncer se manteve em 0,10%. Contudo, em 2021, a Covid-19 atingiu uma taxa de mortalidade de 0,20%, maior do que qualquer outra já registrada.

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No que diz respeito à mortalidade por Covid-19, o estado do Rio de Janeiro apresentou uma taxa de 0,21%, a mais alta do país, seguido de Mato Grosso e Rondônia, que registraram taxas de mortalidade de 0,19%. Esses três estados apresentaram, respectivamente, 38,94%, 25,95% e 29,76% mais mortes do que a média do país.

Com relação a doenças de coração, por exemplo, os estados que apresentaram maior taxa de mortalidade, de 2017 a 2021, foram Rio de Janeiro, com uma taxa de 0,14%, seguido de Piauí e Paraíba, ambos com uma taxa de mortalidade média de 0,13%.

Já com relação a mortes em decorrência de câncer, os estados com as maiores incidência de óbitos foram Rio Grande do Sul, com uma taxa de mortalidade média de 0,16%, seguido do Paraná e Santa Catarina, ambos com 0,12%.

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O mapeamento dos impactos da Covid-19 está disponível no link: http://card.azos.com.br/apRwZF

Calculadora

O sistema da nova calculadora inteligente da Azos extrai informações de bases de dados abertos do governo, como o dados.gov e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que são compilados e combinados a partir de diferentes filtros: idade, sexo de nascimento, estado e recorte temporal.

Dessa forma, além de fundamentar as decisões estratégicas da empresa, gerando informações sobre mortes, o que é fundamental para o negócio e desenvolvimento de produtos, a ferramenta disponibiliza dados para a construção de políticas públicas, campanhas de conscientização e outras intervenções que possam beneficiar a saúde das pessoas. As informações coletadas abrangem pesquisas e informações dos anos de 1979 a 2021 e possuem mais de 43,4 milhões de entradas sobre óbitos registrados e ocorridos em solo brasileiro durante esse período.

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“O cruzamento de dados como o que fazemos na calculadora pode aprimorar estudos sociais, incentivar linhas de pesquisa e focar tratamentos em perfis específicos. São muitos os benefícios para a sociedade”, afirma William Chung, especialista de Insights & Analytics da Azos e responsável pela condução do estudo.

Além de combinar informações sobre as principais causas de morte no país, a calculadora apresenta dados públicos como a quantidade de mortes a cada 10 mil habitantes por estado e no país, e a representatividade da causa de uma morte no total de óbitos.

“A unificação de diversas bases de dados, o trabalho de refinamento dessas informações e a utilização de ferramentas que facilitam a visualização dos resultados é o que traz inteligência à análise de dados. Isso nos gera insights que podem ajudar uma empresa a entregar valor para a sociedade, por meio de serviços e produtos melhores, além de servir de apoio para prefeituras e governos em suas estratégias de saúde pública”, comenta o CEO da Azos, Rafael Cló.

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A calculadora inteligente completa está disponível no site da Azos, clique aqui para acessar: https://www.azos.com.br/vida-segura/causas-morte-brasil

Sobre a Azos

A Azos oferece apólices de seguro de vida com coberturas que chegam a R$ 2 milhões sem a necessidade de exames ou relatórios médicos. Por meio de um sistema de inteligência artificial desenvolvido com tecnologia proprietária, a startup emite apólices em trinta segundos. A empresa já captou mais de R$ 100 milhões em investimento de alguns dos principais fundos de venture capital do mundo, um deles sendo da resseguradora Munich Re, no valor de 30 milhões de reais, o primeiro aporte realizado pela companhia alemã em uma insurtech na América Latina. Atualmente, a Azos conta com mais de 2 mil corretores parceiros, mais de R$ 8 bilhões em capital segurado e já pagou milhões em sinistros. 

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PF deflagra operação por vendas de notas frias com recursos da Covid-19 em cinco cidades do Maranhão

A Operação Arrivismo foi realizada nos municípios de São Luís, Pedreiras, Bacabal, Timon e Teresina

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A Polícia Federal, com a participação da Controladoria-Geral da União, deflagrou na manhã desta quinta-feira (17), a OPERAÇÃO ARRIVISMO, nos municípios de São Luís/MA, Pedreiras/MA, Bacabal/MA, Timon/MA e Teresina/PI, com a finalidade de desarticular grupo criminoso que realizava a venda fictícia e superfaturada de produtos e insumos destinados ao combate à pandemia da covid-19 no município de Pedreiras/MA.

A investigação teve início a partir de informações produzidas pela Central de Operações Estaduais da Secretaria-Adjunta da Fazenda do Estado do Maranhão. Informações iniciais apontavam para suposta simulação e superfaturamento na venda de vários insumos e materiais que deveriam ser utilizados no combate à pandemia, como aventais, máscaras, ventilador eletrônico e diversos litros de álcool em gel.

Posteriormente, a pedido da Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União reforçou os indícios anteriores e trouxe elementos indicadores de fraudes em pelo menos sete processos de dispensa de licitação do município de Pedreiras/MA.

A partir dos dados fornecidas por esses órgãos, a Polícia Federal efetuou a análise de informações financeiras suspeitas constantes em extratos bancários e confirmou movimentações atípicas de pelo menos quatro empresas envolvidas, calculando prejuízos aos cofres públicos que chegam ao montante de R$ 706.678,34.

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O modus operandi utilizado pelo grupo criminoso consistia em realizar a combinação e montagem de diversos processos de dispensa de licitação, muito comuns durante a pandemia de covid-19, a fim de justificar a contratação de empresas específicas, beneficiando empresários e servidores públicos.

A Polícia Federal cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e outras medidas diversas da prisão decretadas para 17 alvos da operação. Ao todo 66 policiais federais e 4 auditores da Controladoria-Geral da União cumpriram as determinações judiciais expedidas pela 1a Vara Federal Criminal da SJMA, em decorrência de representação elaborada pela Polícia Federal.

Se confirmadas as suspeitas, os investigados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação (Art. 90, da Lei n.o 8.666/93), peculato (Art. 312, do Código Penal), sonegação fiscal (Art. 1o, I e II, da Lei n.o 8.137/1990), lavagem de capitais (Art. 1o, da Lei n.o 9.613/1998) e associação criminosa (Art. 288, Código Penal), com penas que somadas podem chegar a 34 anos de prisão.

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A justificativa para o nome arrivismo se baseia na qualidade de uma pessoa arrivista, que faz tudo para obter sucesso não se importando com as consequências de seus atos. São pessoas oportunistas, calculistas, ambiciosas e gananciosas. O nome foi escolhido devido ao fato de as fraudes ocorrerem durante o pico da pandemia da covid-19 no Brasil, o que gerou uma oportunidade para os criminosos.

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Descoberto novo mecanismo associado ao agravamento da COVID-19

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a forma grave da COVID-19 está associada ao desequilíbrio em uma importante via de sinalização do sistema imune. Além de ajudar a explicar em nível molecular por que parte dos infectados pelo SARS-CoV-2 desenvolve uma inflamação sistêmica potencialmente fatal, o achado abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais específicas.

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No estudo – financiado pela FAPESP e publicado na revista Frontiers in Immunology – foi identificada a ocorrência de uma desregulação no sistema de sinalização da resposta imune mediada por moléculas de ATP (trifosfato de adenosina), uma das principais fontes de energia para a realização dos processos celulares. Além de apresentarem maior quantidade de ATP no sangue, pacientes com a forma grave da doença tinham menor quantidade de adenosina, molécula gerada a partir da degradação do ATP.

“O sistema imune é formado por diversas vias de sinalização que servem para alertar sobre a invasão de um patógeno, por exemplo. Entre elas, existe uma que funciona por meio de moléculas de ATP, que liberam sinais inflamatórios nas células de defesa como forma de atacar o invasor. Geralmente, o sistema imune apresenta também mecanismos para controlar essa inflamação, evitando assim uma resposta muito exacerbada. Porém, quando ocorre esse erro na degradação de ATP, há um desequilíbrio enorme que desencadeia disfunções sistêmicas na resposta imune”, explica Maria Notomi Sato, professora da Faculdade de Medicina da USP e coautora do estudo.

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Esse aumento de ATP não degradado, segundo o artigo, resulta em um status pró-inflamatório que desencadeia a chamada tempestade de citocinas, uma inflamação sistêmica potencialmente fatal. “O estudo mostra que, além de contribuir para o desequilíbrio do sistema de sinalização, ocorre uma disfunção na regulação desses componentes. É mais um dos fatores que vão atuar em nível sistêmico ou nos órgãos acometidos pela COVID-19 grave”, afirma Sato.

O ATP é uma molécula que está constantemente sendo produzida pelas células e é degradado no ambiente extracelular por enzimas chamadas ectonucleotidases. “O ATP vira um sinal de perigo a partir do momento que sai das células em grandes quantidades. E quando isso acontece? Quando ocorre uma ativação exacerbada [da resposta inflamatória], ou quando a célula foi lesada gravemente, ou ainda quando há um dano muito grande. O ATP então promove um processo inflamatório que sinaliza para as outras células, ativando-as como uma reação em cadeia”, diz Anna Julia Pietrobon, primeira autora do estudo e doutoranda no Instituto de Virologia do Charité Universitätsmedizin Berlin (Alemanha).

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Alteração no eixo ATP-adenosina

No estudo, os pesquisadores dosaram a quantidade de moléculas de ATP e de adenosina em amostras de sangue de 88 pacientes com COVID-19 grave. As amostras foram coletadas entre 2020 e 2021 e, portanto, nenhum dos participantes havia sido vacinado.

“Identificamos que ectonucleotidases presentes na superfície celular e que são responsáveis por clivar o ATP estavam menos expressas nas células de pacientes com COVID, isso principalmente na forma grave da doença. Identificamos, inclusive, uma relação: quanto mais ATP, maior a gravidade da doença”, afirma Pietrobon.

Os pesquisadores também investigaram possíveis alterações em células do sistema imune. “Observamos que algumas células imunes, em especial os linfócitos B, estavam expressando menos CD39 e CD73, enzimas que degradam o ATP”, contou a pesquisadora.

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“Pacientes com COVID-19 tendem a ter redução de linfócitos de maneira geral. Porém, observamos que nas amostras de sangue de pacientes graves, além de as células B estarem diminuídas, elas também expressavam menos dessas duas enzimas, o que contribui para a menor degradação do ATP e, por consequência, para a menor geração de adenosina – o componente anti-inflamatório que tentaria regular essa resposta”, explicou Pietrobon.

Com esse achado, os pesquisadores decidiram isolar as células B presentes nas amostras de sangue e fornecer a elas moléculas de ATP. “No experimento in vitro, demos ATP tanto para as células de pacientes com COVID-19, quanto para a de controles saudáveis. Desse modo, descobrimos que as células B dos pacientes geram menos adenosina, quando comparadas às de controles saudáveis. Isso acontece possivelmente porque elas expressam menos enzimas CD39 e CD73”, diz.

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Vale ressaltar que a equipe de pesquisadores ainda não sabe se a alteração no metabolismo do ATP é causa ou efeito da resposta inflamatória exacerbada ao SARS-CoV-2, algo que ainda precisa ser investigado em futuros projetos.

Reação sistêmica

Outro trabalho conduzido no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na USP de Ribeirão Preto – já havia constatado que o quadro mais grave de COVID-19 tem relação com um mecanismo inflamatório conhecido como inflamassoma, que, além de estar exacerbado nesses pacientes graves, não é desativado nunca. Dessa forma, a resposta imunológica que provoca a inflamação também não cessa (leia mais em: agencia.fapesp.br/39333/).

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O inflamassoma é um complexo proteico existente no interior das células de defesa. Quando essa maquinaria celular é acionada, moléculas pró-inflamatórias conhecidas como citocinas passam a ser produzidas para avisar o sistema imune sobre a necessidade de enviar mais células de defesa ao local da infecção.

A equipe de pesquisadores que realizou o estudo sobre o metabolismo de ATP afirma que o fato de pacientes graves estarem acumulando essa molécula e gerando menos adenosina pode contribuir com a exacerbação das respostas inflamatórias mediadas por citocinas. “O processo inflamatório desencadeado pela não degradação do ATP ocorre devido a uma descompensação dessa via, que funciona como uma forma de regulação anti-inflamatória. Porém, quando ocorre esse erro no eixo ATP-adenosina, a sobrecarga de ATP vai sinalizar para outras vias de inflamação do sistema imune, culminando na ativação do inflamassoma, por exemplo”, afirma Sato.

Não por acaso, de acordo com as pesquisadoras, são nesses casos em que a regulação do sistema imune está disfuncional que ocorre uma resposta inflamatória exagerada e diretamente relacionada com falência múltipla de órgãos – fatores que levam aos piores desfechos da COVID-19.

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O artigo Dysfunctional purinergic signaling correlates with disease severity in COVID-19 patients pode ser lido em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2022.1012027/full.

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Novo dispositivo identifica anticorpos contra a COVID-19 em cinco minutos

Ricardo Muniz | Agência FAPESP – Testes rápidos, baratos e precisos continuam sendo essenciais para que os serviços de vigilância em saúde monitorem e contenham a disseminação do vírus SARS-CoV-2 e pesquisadores desenvolveram um sensor capaz de ajudar nesse objetivo. O trabalho foi considerado relevante na área e teve destaque ao estampar a capa da revista ACS Biomaterials Science and Engineering.

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Para desenvolver esse novo método diagnóstico o grupo utilizou um material usualmente conhecido na área de metalurgia, o óxido de zinco, combinado de forma inédita com o FTO, um vidro condutor de elétrons. “Por meio dessa combinação inusitada e acrescentando uma biomolécula, a proteína viral Spike, foi possível desenvolver uma superfície com capacidade de detecção de anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2. A leitura do resultado se dá pela captação de sinal eletroquímico na superfície desenvolvida”, explica o químico Wendel Alves, professor do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC (UFABC) e autor principal do artigo.

O eletrodo criado detectou anticorpos contra o novo coronavírus em amostras de soro em cerca de cinco minutos, com índice de sensibilidade de 88,7% e especificidade de 100%. Os resultados revelaram número de acertos até maiores que o do teste convencional ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática), padrão-ouro empregado atualmente.

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O trabalho contou com apoio da FAPESP por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioanalítica (INCTBio) e de um Projeto Temático. Alves, que desenvolve pesquisas no Laboratório de Eletroquímica e Materiais Nanoestruturados (LEMN) da UFABC, conta que o conhecimento de propriedades químicas, como o ponto isoelétrico da proteína Spike do SARS-CoV-2, permitiu desenvolver uma plataforma em que ela ficasse retida por meio da ligação eletrostática com os nanobastões de óxido de zinco. Esse composto, aliás, tem sido cada vez mais utilizado na produção de biossensores por causa de sua versatilidade e propriedades químicas, ópticas e elétricas diferenciadas.

De fácil produção e utilização, o imunossensor tem também custo de fabricação relativamente baixo. “Ele foi viabilizado graças ao emprego do forte conhecimento do grupo de pesquisa sobre novos materiais e a habilidade de sintetizar nanobastões de óxido de zinco, os chamados ‘nanorods’, modificando a superfície de um vidro condutor, o FTO”, detalha Alves. Esse processo permitiu criar um microambiente molecular favorável para a imobilização da proteína viral Spike sobre a superfície eletrocondutora, transformando essa construção em um dispositivo simples para detecção de anticorpos contra o SARS-CoV-2.

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A perspectiva do grupo é adaptar a plataforma para torná-la portátil, permitindo a conexão de dispositivos móveis para facilitar a detecção de anticorpos contra a COVID-19 e outras doenças infecciosas.

Análises e usos futuros

Para os testes, foram analisadas 107 amostras, divididas em quatro grupos: pré-pandemia (15); convalescentes de COVID-19 (47); vacinados sem resultado positivo anterior para a doença (25); vacinados com resultado positivo anterior (20). Os vacinados haviam recebido duas doses de CoronaVac, com quatro semanas de intervalo entre elas.

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Um dos destaques ressaltados pelos pesquisadores é que os anticorpos detectados na plataforma desenvolvida podem ser tanto de infecção pelo coronavírus quanto de resposta imunológica induzida por uma vacina. Essa segunda aplicação é bastante importante para auxiliar as ações de saúde pública ao monitorar a eficácia de diferentes programas e campanhas de vacinação.

O trabalho é assinado por pesquisadores da UFABC e do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), que apontam a importância desse monitoramento das taxas de soroconversão e soroprevalência da imunidade gerada após vacinação. O dispositivo está atualmente validado para detecção de imunidade induzida pela CoronaVac, mas o grupo pretende expandir para testar também a resposta de outros fabricantes, como Pfizer e AstraZeneca.

Uma das vantagens do eletrodo desenvolvido é sua arquitetura flexível, tendo potencial para outras aplicações biomédicas e de diagnóstico a partir de adaptações e personalizações. “A tecnologia gerada é uma plataforma de biossensoriamento versátil. Com o domínio dessa tecnologia é possível modificá-la e customizá-la para detecção sorológica de outras doenças de interesse para a saúde pública”, aponta Alves.

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A íntegra do artigo Electrochemical immunosensors based on zinc oxide nanorods for detection of antibodies against SARS-CoV-2 spike protein in convalescent and vaccinated individuals pode ser acessada em: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsbiomaterials.2c00509.

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Covid-19: omissão de governos do Brasil, da Índia e dos Estados Unidos evidencia riscos da concentração de poder

O presidencialismo do Brasil e Estados Unidos e o parlamentarismo-westminster da Índia empoderaram os chefes de estado para agir de forma omissa na primeira onda da pandemia de Covid-19. Com amplos poderes constitucionais, esses chefes de estado puderam atuar de maneira controversa e autoritária. A análise é de pesquisadores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e das Universidades Cornell, de Illinois e de Michigan, nos Estados Unidos, em artigo publicado nesta segunda (10) na revista britânica “Journal of Social Policy”.

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Os pesquisadores realizaram um estudo de caso sobre como os três países lidaram com a pandemia entre janeiro e setembro de 2020, período em que eram governados por líderes populistas de direita – os presidentes Jair Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos e o primeiro-ministro Narendra Modi na Índia. A análise considerou as políticas de saúde pública implementadas ou não pelos governos federais, como o incentivo ao uso de máscara e ao distanciamento social, além do processo de testagem, rastreamento de casos, isolamento e atendimento à população.

Elize Massard da Fonseca, pesquisadora da FGV EAESP e uma das autoras do artigo, explica que o trabalho dialoga com o alerta do cientista político Juan Linz sobre os riscos de concentrar a capacidade de ação política em chefes de executivo com amplos poderes, como ocorre no sistema majoritário. “Esse líder pode escolher negar a pandemia ou agir de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde”, aponta a autora.

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Conforme o artigo, o executivo federal optou pela inação nos três casos. As gestões promoveram medidas como a reabertura de atividades não essenciais durante a fase crítica de transmissão e incentivaram terapias sem eficácia comprovada. “A resposta destes países à pandemia demonstrou exatamente a falta de resiliência dos sistemas presidencialistas sobre a qual Linz nos alertou. No caso do Brasil, por exemplo, o Congresso demorou mais de um ano para agir com a CPI da Pandemia e, ainda assim, o resultado jurídico é incerto”, ilustra Fonseca.

Os governos estaduais adotaram medidas diante desse vácuo de gestão, mas suas limitações de autonomia e orçamento geraram resultados desiguais. Fonseca diz que é importante planejar respostas a emergências sensíveis à realidade política. “Um executivo federal muito forte exige mecanismos de coordenação e governança que possam prover informação e formas de ação em períodos de crise. Isso permitirá que a política de saúde funcione mesmo na ausência de bons líderes e é uma defesa contra os controversos porque determinará quais ações esses políticos serão capazes de tomar”, diz a autora.

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Outra medida importante diante da capacidade de ação dos governos federais é fortalecer o papel de especialistas autônomos, como o cientista Anthony Fauci, que foi referência ao pautar o combate à pandemia nos Estados Unidos, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que desempenhou função semelhante de aconselhamento aos gestores no Brasil. “Mesmo que o chefe do executivo os ignore, compreender o que esses especialistas independentes aconselham aumenta o accountability democrático”, completa Fonseca.

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Mais de 4.500 profissionais de saúde morreram por Covid-19, revela estudo inédito

Entre março de 2020 e dezembro de 2021, morreram no Brasil mais de 4.500 profissionais da saúde pública e privada. Oito a cada dez entre os que morreram salvando vidas na pandemia eram mulheres. O levantamento divulgado na quinta (13), que cruza dados de fontes oficiais, foi feito especialmente para a Internacional de Serviços Públicos (PSI, Public Services International, da sigla em inglês), pelo estúdio de inteligência de dados Lagom Data.

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A pesquisa faz parte de uma campanha documental da ISP que denuncia a situação de quatro países nos momentos mais intensos da pandemia de Covid-19. Além do Zimbábue, Paquistão e Tunísia, o Brasil foi escolhido pela abordagem negacionista do governo Bolsonaro. A ISP atua com o sistema das Nações Unidas em parcerias com a sociedade civil.

“Faltaram equipamentos de proteção, oxigênio, vacinas, medicamentos, sobraram mensagens falsas e desaforadas do governo sobre a Covid-19, chocando o mundo. E até hoje os profissionais da linha de frente seguem desvalorizados no Brasil”, afirma Rosa Pavanelli, secretária-geral da ISP, que tem sua sede mundial em Genebra, e integra a Comissão de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre Emprego em Saúde e Crescimento Econômico.

A análise foi feita a partir do cruzamento de microdados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e Registros de profissionais do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

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Os dados revelam que as mortes entre os profissionais brasileiros de saúde se avolumaram mais rapidamente do que o observado na população geral, especialmente nos meses em que faltaram equipamentos de proteção individual para esses trabalhadores. E o impacto da doença foi maior nas ocupações com menores salários e mais próximas à linha de frente: auxiliares e técnicos de enfermagem morreram proporcionalmente mais do que enfermeiros, e estes, proporcionalmente, mais do que os médicos.

“Apesar de os dados serem incompletos, é possível ver por meio deles o quanto os profissionais da saúde foram atingidos no começo da pandemia por estarem mais expostos”, comenta o jornalista de dados Marcelo Soares, responsável pela análise. “Com a prioridade dada a eles na vacinação, os dados também mostram como vacinar mais cedo derrubou as mortes antes do resto da população.”

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Quanto mais próximos aos pacientes esses profissionais trabalhavam, mais morriam: 70% dos mortos trabalhavam como técnicos e auxiliares de enfermagem; em seguida vieram os enfermeiros (25%) e por último os médicos (5%). Para se ter uma ideia, foram 1.184 enfermeiros mortos, o que pode ter impactado diretamente o atendimento de 21.300 pacientes. Pelas regras do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cada enfermeiro atende até 18 pacientes e cada atendente, 9 doentes. Em Manaus, por exemplo, cada enfermeiro atendeu 40 pacientes com o auxílio de dois atendentes.

Dois terços dos profissionais de saúde que morreram durante a pandemia  provavelmente não tinham contrato formal de trabalho, segundo cruzamento entre os dados do Ministério da Saúde e informações sobre desligamentos por morte no Novo Caged. Tanto nos dados oficiais de emprego formal quanto nos registros dos conselhos profissionais, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem representavam 61%, 20% e 18% dos profissionais empregados – o que ilustra as desigualdades de exposição ao risco dentro das especialidades da área da saúde.

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Ainda segundo a pesquisa, nos primeiros meses da pandemia, a curva do excesso de desligamentos por morte entre os profissionais da saúde era mais elevada do que a da totalidade das ocupações no Brasil. Ou seja, os profissionais da saúde morriam proporcionalmente mais. Em maio de 2020, as mortes excedentes chegaram ao dobro da média anterior.

Da mesma forma, quando finalmente o Brasil avançou na vacinação prioritária dos profissionais de saúde, a mortalidade entre eles caiu mais rápido do que na população em geral, que demorou mais meses para ser vacinada. Mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse zelo ou empenho governamental, segundo a análise da ISP.

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Em março de 2021, com uma confluência de fatores que iam da pressão pela volta precoce das atividades presenciais à lentidão do governo em avançar com a vacinação, as mortes de Covid explodiram no Brasil inteiro. Os profissionais da saúde sentiram esse impacto também, embora por menos tempo: o avanço da vacinação prioritária abreviou no setor o pior pico prolongado de mortes que já se viu no Brasil durante o período pandêmico.

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