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Nordestinos pretendem fazer menos compras no fim de ano, diz pesquisa

A menos de 10 dias do Natal, os brasileiros que moram na Região Nordeste vão reduzir em 50% as suas compras no final do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Trata-se do maior percentual entre todas as regiões do país e superior ao índice nacional, de 46%.
 

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O dado é apontado na edição mais recente da pesquisa RADAR Febraban, divulgada nesta quinta-feira (15), que revela o balanço que a população brasileira faz do ano de 2022. O levantamento foi feito entre os dias 29 de novembro a 5 de dezembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País.

Se 50% dos nordestinos querem fazer menos compras, o percentual cai um pouco na região Centro-Oeste (49%). A proporção é de 45% no Norte e no Sul, regiões seguidas pelo Sudeste (43%). Em todo o país, 46% dos brasileiros pretendem comprar menos.


Nem todos os resultados da pesquisa Radar são negativos na região Nordeste: a grande maioria dos brasileiros está muito satisfeita com a vida que leva e muitos avaliam que 2022 foi um ano que trouxe melhorias no campo pessoal. A análise dos segmentos sociodemográficos mostra que os mais velhos estão mais satisfeitos com a vida que vêm levando do que os mais jovens (18 a 24 anos).

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Quando avaliam a situação do país em geral, a opinião de que o Brasil melhorou em 2022 no comparativo com 2021 é um pouco maior do que a percepção de piora. No Nordeste, as áreas em que o Brasil mais piorou e teve mais problemas em 2022 foram a da saúde (15%); fome e pobreza (15%); e emprego e renda (12%).

Já as áreas com o sentimento de que o Brasil mais teria melhorado e avançado neste ano são a do emprego e renda (15%); saúde (10%); 10% infraestrutura a exemplo da malha de rodovias e do setor de saneamento (10%); entre outras (29%).

Sentimentos com o futuro

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Também foi divulgada nesta quinta-feira a pesquisa Observatório Febraban com expectativas dos brasileiros para o ano de 2023. Assim como no outro estudo, foram ouvidas 3 mil pessoas nas cinco regiões do País durante os dias 29 de novembro a 5 de dezembro.

Na Região Nordeste, 69% dos brasileiros acreditam que o próximo governo irá ter uma relação ótima ou boa com o STF (Supremo Tribunal Federal). O índice nacional ficou em 67%. Em relação aos movimentos sociais, a proporção ficou em 61% no Nordeste e 59% em todo o país. Quando a pergunta foi sobre os bancos e o mercado financeiro, os percentuais ficaram respectivamente em 52% e 48%. E os índices ficaram em 43% e 40%, no caso do Congresso Nacional, e em 38% e 37%, com relação ao empresariado.

Em geral, uma parcela 53% esperam que o próximo governo seja ótimo ou bom contra o índice nacional de 46%. Para os nordestinos, os setores que mais demandam atenção do Palácio do Planalto são os da saúde (22%); educação (20%); desemprego (15%); e fome e miséria (15%). Há expectativa para os primeiros seis meses de governo de que haja diminuição do desemprego (42%); mais acesso ao crédito para as pessoas e as empresas (44%); e aumento do poder de compra (38%). Os principais obstáculos seriam o comportamento dos juros, do dólar e da bolsa de valores (31%); a falta de apoio do Congresso Nacional (16%); e manifestações e a falta de apoio da população (13%).

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Para 79% dos brasileiros que vivem na Região Nordeste, a vida pessoal e familiar deve ficar melhor no ano de 2023. O índice nacional ficou em 74%. Para os nordestinos, as áreas que mais devem melhorar são a das finanças (32%); saúde física (29%); saúde mental (28%); trabalho e emprego (22%); e relações com familiares e amigos (17%). Já o sentimento de uma piora, de um modo geral, ficou em 7% contra o índice nacional de 10%.

A íntegra do 13º levantamento Observatório Febraban, pesquisa FEBRABAN-IPESPE pode ser acessada neste linkO recorte regional poderá ser lido neste link.

Já a íntegra do levantamento de dezembro do RADAR Febraban, pesquisa FEBRABAN News-IPESPE pode ser acessada neste linkO recorte regional poderá ser visto aqui.

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Na Bahia, 6 entre 10 mulheres com câncer de colo de útero iniciam tratamento após período determinado por lei

Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) revela que, na Bahia, são as mulheres com mais idade, com menos escolaridade e em estágio já avançado do câncer de colo do útero as que começam mais tarde o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, 65% de todas as mulheres no estado começam o tratamento no SUS mais de 60 dias após receber o diagnóstico, descumprindo lei federal (n.12.732/2012). O estudo, publicado na terça (21) na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, chama a atenção para uma realidade que pode ser nacional.

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Considerado o quarto câncer mais incidente em mulheres (desconsiderando o câncer de pele não melanoma), o câncer de colo de útero é a quarta causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Também chamado de câncer cervical, ele é uma doença de evolução lenta que acomete principalmente as mulheres com mais de 25 anos. O agente de transmissão é o papilomavírus humano, o HPV. Com base em dados de 2007 a 2018 do sistema de Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do estado da Bahia, as pesquisadoras encontraram um total de 9.184 mulheres que foram diagnosticadas com o câncer cervical em algum estágio da doença. Na Bahia, maior estado da região Nordeste, o câncer de colo do útero tem sido a segunda maior taxa de incidência entre as mulheres (12,51 casos novos por 100 mil mulheres).

Os resultados apontaram que 65,1% das mulheres começaram o tratamento depois dos 60 dias após o diagnóstico. Desse total, houve aumento da chance de tratamento tardio em cerca de 30% das mulheres com idades acima de 45 anos, de 24% entre as sem nenhum nível de escolaridade e aumento de 17% entre as que apresentavam o tumor em estadiamento (estágio do diagnóstico) avançado.

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“Isso revela um dado triste e preocupante demonstrando uma fragilidade da rede assistencial. As pacientes com tumor em estágio avançado deveriam acessar o tratamento com a maior brevidade possível, mas o estudo demonstrou que, ao contrário disso, estas mulheres acabam tendo mais chance de atraso no início do mesmo” ressalta uma das autoras da pesquisa, a enfermeira Dândara Silva, doutoranda do programa de Biotecnologia e Medicina Investigativa da Fiocruz da Bahia e pesquisadora do Grupo de Pesquisa Integrada em Saúde Coletiva da UNEB.

De acordo com a OMS, a vacinação contra o HPV, o rastreamento com o exame Papanicolau e a gestão do cuidado são medidas que, quando aplicadas estrategicamente, podem eliminar o câncer do colo do útero. Contudo, muitas dessas ações acabam não acontecendo em países com baixa renda. Estudos mostram que em cada quatro semanas de atraso entre o diagnóstico e o primeiro tratamento do câncer, ou entre a finalização de um tratamento até́ o início do próximo, pode ocorrer um aumento de 6 a 8% na chance de morte do paciente. “Embora não tivesse sido o objetivo desse estudo, é possível supor uma relação também entre acesso ao diagnóstico e o local do tratamento disponível na rede de atenção do estado, sobretudo para mulheres residentes no interior. Reiteramos que o tratamento em tempo inoportuno para o câncer do colo do útero continua sendo um problema de saúde pública da Bahia, necessitando de incremento e continuidade de medidas preventivas e intensificação do rastreamento, bem como da uma maior oferta de tratamento. Recomendamos a implementação de políticas que assegurem o tratamento precoce da doença, em cumprimento ao que já está previsto em lei”, conclui Silva.

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Passagem para animais sobre rodovia evita atropelamento de primata ameaçado de extinção, confirma estudo

Com apoio de órgãos ambientais, prefeitura e empresas, pesquisadores compararam durante três anos o uso de pontes de madeira e de corda instaladas entre as copas das árvores no município de Guareí. O foco do monitoramento foi o mico-leão-preto, espécie considerada Patrimônio Ambiental e símbolo de conservação da vida selvagem do Estado de São Paulo

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Karina Ninni | Agência FAPESP – A abertura de estradas afeta, muitas vezes, a fauna que vive nos ecossistemas adjacentes. Mas existem maneiras de minimizar esse impacto, como a construção de passagens para os animais: por cima, para os arborícolas, ou por baixo da estrada, para os terrestres. Os caminhos entre as copas das árvores são chamados de passagens de dossel.

Em uma estrada vicinal do município de Guareí (SP), a bióloga Francini de Oliveira Garcia, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), instalou dois tipos de passagem de dossel com o objetivo de verificar sua eficácia para evitar atropelamentos de micos-leão-pretos (Leontopithecus chrysopygus). O trabalho também comparou o uso das passagens de madeira e de corda pelos primatas.

A estrada GRI 253 corta a mata ciliar do rio Guareí, que conecta fragmentos de Mata Atlântica e abriga grupos de micos-leão-pretos. Parte da Estação Ecológica de Angatuba (cidade vizinha), que tem uma população de primatas estimada em 46 indivíduos, também está no território de Guareí. A espécie, endêmica da Mata Atlântica do Estado de São Paulo, é classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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“O conselho consultivo da Unidade de Conservação e a própria comunidade perceberam que estavam perdendo indivíduos na estrada. Só em 2013 foram cinco atropelamentos de micos-leão-pretos. Eu estava fazendo o mestrado e consegui recursos para instalar as passagens, estabeleci parcerias, principalmente com a prefeitura e com o órgão gestor da Unidade de Conservação, o Instituto Florestal, da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Assim, durante o mestrado, monitorei por 13 meses”, conta Garcia.

Após a defesa de sua dissertação, ela ainda monitorou o uso das passagens por quase dois anos, por conta própria. “Do ponto de vista da ecologia de rodovias, que é uma área científica relativamente nova e interdisciplinar, 13 meses era pouco. Eu queria resultados mais robustos, então, prossegui com as parcerias, que foram muito importantes, e com o monitoramento.”

De acordo com a bióloga, dois dias após a instalação das passagens verificou-se o atropelamento de apenas um mico-leão-preto e, de lá para cá, não houve mais registros de acidentes. “Dois dias é um tempo muito curto para estabelecer padrões de comparação com o que ocorria antes da instalação. Mas o importante é que, fora essa ocorrência, não tivemos mais atropelamentos e verificamos que o número de indivíduos do grupo aumentou.”

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Os resultados foram publicados recentemente por Garcia e colegas em artigo no European Journal of Wildlife Research. A pesquisa teve o apoio da FAPESP por meio do projeto “O efeito da fragmentação sobre as funções ecológicas dos primatas”, cuja responsável é Laurence Marianne Vincianne Culot, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e coautora do artigo.

Pontes e câmeras

As passagens foram instaladas em 2017 no local em que ocorreram os atropelamentos em 2013. Ambas têm 13 metros (m) de comprimento e foram colocadas a 6 m de altura, afixadas em postes instalados dos lados da vicinal. A de madeira é um tronco de eucalipto (Eucalyptus umbra), não tratado, com cerca de 20 centímetros (cm) de diâmetro. A outra é uma espécie de escada de corda colocada na horizontal. Tem 50 cm de largura e “degraus” feitos de tubo de PVC (policloreto de vinila, um tipo de plástico) anti-inflamável, com espaço de 40 cm entre eles.

“Nosso estudo é inédito na América do Sul, pois é o primeiro que trabalha com duas passagens diferentes no mesmo local, avaliando a preferência das espécies por uma ou outra”, diz Garcia.

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As estruturas foram monitoradas por duas câmeras colocadas nos postes de sustentação das pontes, que funcionavam 24 horas por dia. Garcia recolheu as imagens mensalmente durante dois anos. E a estagiária do projeto, Rafaela de Carvalho, também da Unesp e coautora do artigo, as recolheu por mais um ano.

A bióloga assistia às gravações, separando aquelas em que havia animais usando as estruturas por espécie e por modelo de ponte utilizada. Foi feita uma parceria com a prefeitura de Guareí para a colocação da escada e a cessão de um funcionário capacitado para acessar as câmeras no alto da rodovia.

“Registramos nove espécies de mamíferos e uma de lagarto cruzando as pontes de dossel, além de 13 espécies de aves que as utilizavam como poleiros”, resume. O mico-leão-preto, o esquilo brasileiro, um roedor não identificado, mais uma espécie de roedor da família Cricetidae e uma espécie de lagarto da família Scincidae usaram apenas a ponte de madeira. Duas espécies de mamíferos (outro roedor da família Cricetidae e a cuíca-lanosa) utilizaram apenas a ponte de corda. E três espécies de mamíferos usaram ambas: o ouriço-cacheiro, o gambá-de-orelha-preta e uma outra espécie de roedor da família Cricetidae.

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Dos 702 eventos de travessia registrados pelas câmeras, 527 ocorreram na ponte de madeira e 175 na ponte de corda. Considerou-se um “evento” cada vez que o animal ou grupo utilizou as passagens. Do total de eventos, 500 ocorreram na estação seca e 202 na estação chuvosa.

“Sugerimos que o movimento dos micos-leão-pretos de um lado para o outro é impulsionado por exigências biológicas dentro da sua área de vida original, cortada pela estrada. As travessias ocorreram em ambas as direções e a maioria dos eventos de travessia ocorreu nos meses secos, quando a disponibilidade de frutos é reduzida e o consumo de presas é maior, aumentando o esforço para obtenção de alimentos, em comparação à temporada chuvosa.”

De acordo com Garcia, na estação chuvosa esses primatas se alimentam de frutos carnosos e doces, enquanto na estação seca a dieta inclui invertebrados, folhas, brotos e seivas de árvores.

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“Uma pergunta que tínhamos era se as espécies iriam usar as estruturas simultaneamente à passagem de veículos na rodovia. E concluímos que isso não interferiu no uso, não foi um fator limitante. Nem o ruído do automóvel, nem as luzes. Mesmo com o veículo lá embaixo, as espécies se sentiam seguras para usar as passagens.”

No caso do mico-leão, a utilização da passagem de madeira aconteceu aos poucos. “No primeiro ano, ela foi pouco usada, apenas um indivíduo do grupo; no segundo ano aumentou a frequência de uso e o número de indivíduos que utilizava a estrutura; e, no último ano, os nove indivíduos do grupo usaram simultaneamente a passagem e com maior frequência.”

Garcia ressalta que, entre os primatas estudados, cada indivíduo tem uma personalidade. “Cada um tem um ritmo para confiar na estrutura. Por isso, é preciso tempo para avaliar o uso das passagens. Há sempre os que vão na frente. Os outros os veem e vão também. E os filhotes aprendem com os pais.”

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Políticas públicas

Os resultados da pesquisa mostram que ambos os desenhos de pontes de dossel funcionam para espécies arborícolas, mas a de madeira foi utilizada por um maior número de espécies, incluindo o mico-leão-preto ameaçado de extinção. Vale lembrar que desde 2014 o primata é considerado Patrimônio Ambiental e símbolo de conservação da vida selvagem do Estado de São Paulo.

Segundo Garcia, o estudo pode contribuir para o desenvolvimento de ações e trabalhos futuros relacionados a medidas de mitigação de ameaças rodoviárias à fauna local. “A pesquisa permite conclusões preliminares sobre a funcionalidade das pontes de dossel, especialmente para micos-leão-pretos. No caso específico da GRI 253, sugerimos também a colocação de lombadas, pois podem ajudar a mitigar possíveis eventos de atropelamento.”

Para ela, o trabalho não seria viável sem a parceria entre pesquisadores vinculados a instituições públicas de ensino, prefeitura, órgãos ambientais governamentais, empresa privada e sociedade civil. “Ela é essencial para o desenvolvimento desta e de outras ações em ecologia rodoviária que podem beneficiar a conservação e gestão da vida selvagem.”

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O artigo Functionality of two canopy bridge designs: successful trials for the endangered black lion tamarin and other arboreal species pode ser acessado em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10344-022-01569-8.

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Pesquisa revela mecanismo ligado ao agravamento da COVID-19 nos pulmões e abre caminho para tratamento

Cientistas brasileiros do consórcio ImunoCovid mostram que a infecção por SARS-CoV-2 leva a uma ‘tempestade’ de enzimas no pulmão, que danifica o órgão e pode deixar sequelas

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Luciana Constantino | Agência FAPESP – Pesquisadores brasileiros descobriram um mecanismo ligado ao agravamento da COVID-19 nos pulmões, abrindo uma nova possibilidade para tratamento. Estudo publicado na revista científica Biomolecules mostrou, pela primeira vez, que a atividade enzimática e a expressão de dois tipos de metaloproteinase, MMP-2 e MMP-8, aumentaram significativamente nos pulmões de pacientes graves infectados pelo SARS-CoV-2.

Essa espécie de “tempestade” de enzimas ajuda no processo de inflamação exacerbada do pulmão, que acaba alterando as funções do órgão. Normalmente, as metaloproteinases (grupo de enzimas que participam do processo de degradação de proteínas) são importantes na cicatrização e no remodelamento do tecido, mas, com a produção excessiva, é como se elas atuassem para lesionar o pulmão.

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Outros estudos já haviam comprovado que a resposta hiperinflamatória à COVID-19 é caracterizada pela “tempestade” de citocinas, levando à síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Agora, o grupo de cientistas desvendou um mecanismo de desregulação das metaloproteinases, que pode estar associado à formação de fibrose no órgão, deixando sequelas nos pacientes.

Foram analisadas amostras de líquido aspirado traqueal de 39 pessoas internadas com casos graves de COVID-19, intubadas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) da Santa Casa e do Hospital São Paulo, ambos em Ribeirão Preto, entre junho de 2020 e janeiro de 2021. Também foram incluídos 13 voluntários críticos hospitalizados, mas por diferentes condições clínicas, para o grupo de controle, além de dados de proteoma de biópsias pulmonares de indivíduos falecidos em decorrência da doença.

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“Descobrimos que as metaloproteinases agem por dois mecanismos no pulmão: por injúria tecidual e ao modular a imunossupressão por meio da liberação de mediadores inflamatórios existentes na membrana das células, como o sHLA-G, um importante mediador de resposta imune”, explica à Agência FAPESP Carlos Arterio Sorgi, professor do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), e um dos autores correspondentes do estudo.

A injúria é causada quando o tecido detecta um estímulo nocivo externo ou um corpo estranho. Nessas circunstâncias ocorre uma inflamação e, durante esse processo, o cenário se modifica com o surgimento de células de defesa produzindo mediadores que levam a um estresse oxidativo descontrolado.

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No campus da USP em Ribeirão Preto, Sorgi é um dos coordenadores do consórcio de pesquisa ImunoCovid, uma coalizão multidisciplinar de 11 pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que trabalham em colaboração, compartilhando dados e amostras.

O consórcio, apoiado pela FAPESP, é liderado por Lúcia Helena Faccioli, professora da FCLRP-USP que também assina o artigo. O trabalho recebeu financiamento por meio de seis projetos (20/05207-614/07125-620/08534-820/05270-014/23946-021/04590-3).

Além disso, o grupo contou com a participação da professora Raquel Fernanda Gerlach, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, especialista em metaloproteinases que divide a correspondência do artigo. “O consórcio buscou essa parceria para conseguir responder às perguntas mais complexas que apareceram neste caso”, conta Sorgi.

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Resultados

Ao analisar as amostras, os pesquisadores detectaram que as taxas de MMP-2 e MMP-8 foram significativamente maiores no líquido aspirado traqueal de pacientes com COVID-19 em comparação aos não contaminados por SARS-CoV-2. Além disso, os indivíduos que morreram tinham um nível maior dessas enzimas ativas do que os que sobreviveram.

Durante a ação das metaloproteinases no pulmão são liberadas moléculas do sistema imune das membranas das células, entre elas sHLA-G e sTREM-1, responsáveis por causar imunossupressão no órgão. Ou seja, em vez de estimular a imunidade antiviral, o vírus acaba não enfrentando resistência do organismo.

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Na pesquisa, os dados demonstraram que os níveis de sHLA-G e sTREM-1 eram elevados em pacientes com COVID-19 e, após uma série de testes, ficou demonstrado que a MMP-2 estava envolvida na liberação de sHLA-G.

Em 2020, outro estudo do consórcio ImunoCovid havia apontado que o acompanhamento das taxas da proteína sTREM-1 no plasma, a partir dos primeiros sintomas, serviria como uma ferramenta importante para auxiliar na tomada de decisão das equipes de saúde e como um preditor de evolução e desfecho da COVID-19 (leia mais em: agencia.fapesp.br/34265/).

De acordo com os resultados publicados na Biomolecules, pacientes com a doença também apresentaram aumento na contagem de neutrófilos (um tipo de leucócito responsável pela defesa do organismo, capaz de produzir algumas metaloproteinases e espécies reativas de oxigênio) no pulmão.

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Embora a base molecular da imunopatologia do SARS-CoV-2 ainda seja desconhecida, está estabelecido que a infecção pulmonar se associa à hiperinflamação e ao dano tecidual. As MMPs são componentes cruciais dos processos que levam à pneumonia e ao agravamento dos casos da COVID-19.

Até então, as metaloproteinases vinham sendo estudadas como biomarcadores para a doença, como foi o caso de artigo publicado no ano passado por outra equipe de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto na revista Biomedicine & Pharmacotherapy.

No trabalho divulgado agora, essas moléculas aparecem na patogênese do pulmão, como potencial alvo terapêutico. Segundo Sorgi, a ideia é seguir os trabalhos testando em modelos animais um inibidor de metaloproteinase associado a anti-inflamatórios para tentar reverter o quadro grave de COVID-19. Uma dessas drogas é a doxiciclina, antibiótico disponível no mercado brasileiro e atualmente usado para tratar doenças como febre tifoide e pneumonia.

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“Vamos precisar começar do zero. A ideia é montar um novo projeto, incluindo parcerias com grupos internacionais, para trabalhar com o modelo animal e depois a aplicação clínica”, afirma o professor.

O artigo Matrix Metalloproteinases on Severe COVID-19 Lung Disease Pathogenesis: Cooperative Actions of MMP-8/MMP-2 Axis on Immune Response through HLA-G Shedding and Oxidative Stress pode ser lido em: www.mdpi.com/2218-273X/12/5/604/htm#.

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Tambaqui pode virar commodity brasileira no mercado global de pescado, aponta estudo

Segunda espécie em produção no Brasil, atrás apenas da tilápia, peixe amazônico tem carne apreciada e alto rendimento. Mas para conquistar o mundo é preciso investimento em pesquisas voltadas ao melhoramento da espécie, afirmam pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes

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André Julião | Agência FAPESP – Um peixe com grande produção de filhotes, altas taxas de crescimento, dieta majoritariamente vegetariana, resistência a baixas quantidades de oxigênio na água e com demanda no mercado é o sonho de qualquer piscicultor.

Sem que houvesse grandes investimentos em inovação e melhoramento genético, o tambaqui (Colossoma macropomum) reuniu essas características e alcançou uma produção anual de 100 mil toneladas no Brasil, atrás apenas da tilápia, com cerca de 500 mil toneladas.

A diferença é que a espécie africana foi alvo de um grande programa de melhoramento a partir dos anos 1980, na Ásia. A variedade melhorada – conhecida como GIFT (sigla em inglês para tilápia de criação geneticamente melhorada) – é produzida hoje em 14 países, incluindo o Brasil, que tem ainda uma cadeia de empresas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de produtos voltados a esse mercado.

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Por conta de suas características naturais, o tambaqui, peixe nativo dos rios amazônicos, é apontado por pesquisadores como dono de um potencial no mercado não apenas nacional, como global, podendo se tornar uma verdadeira commodity brasileira. No entanto, faltam investimentos em inovação, apontam pesquisadores em artigo publicado na revista Reviews in Aquaculture.

“Um peixe amazônico, com dieta 75% vegetariana e manejo muito fácil, tem um enorme potencial como produto sustentável, num momento em que a aquicultura está sob ataque por conta dos impactos no meio ambiente causados, por exemplo, pela cultura do salmão, primeiro peixe a se tornar uma commodity internacional”, conta Alexandre Hilsdorf, professor e pesquisador do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), primeiro autor do estudo.

O trabalho reúne o conhecimento mais recente sobre diversos aspectos da cultura do tambaqui, desde a história da produção no Brasil – as primeiras tentativas de domesticação datam ainda dos anos 1930 –, passando pelos sistemas de produção, genética, nutrição, doenças, até os métodos de processamento.

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Melhoramento genético

Parte da produção científica sobre o peixe nos últimos anos foi apoiada pela FAPESP, que financiou pesquisas de alguns dos autores do trabalho, como o próprio Hilsdorf, coordenador do projeto “Estudo integrado de genética quantitativa e genômica para caraterísticas de interesse zootécnico em tambaquis (Colossoma macropomum)”.

O pesquisador foi um dos responsáveis pelo sequenciamento e pela análise do genoma da espécie, publicado em setembro de 2021. Hilsdorf coordenou ainda estudo que caracterizou tambaquis sem espinhas intermusculares – aquelas em forma de “Y” que ocorrem dentro da carne de algumas espécies. Outro trabalho identificou genes possivelmente associados à ausência dessas espinhas no tambaqui (leia mais em: revistapesquisa.fapesp.br/o-genoma-do-tambaqui/).

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Em trabalho anterior, seu grupo estimou parâmetros genéticos de várias características do tambaqui, como os que determinam a área do lombo, um dos cortes mais apreciados pelos consumidores. Reunidos, os trabalhos estabelecem parâmetros científicos para o desenvolvimento de variedades genéticas melhoradas para o mercado.

“O lombo suíno, por exemplo, foi alvo de melhoramento genético. As raças de porco que temos hoje no Brasil foram selecionadas de forma a terem a capa de gordura reduzida e a área de lombo aumentada. O melhoramento pode fazer com que os cortes de tambaqui chamados de lombo, banda e costela resultem em produtos ainda melhores que os atuais”, explica o pesquisador.

Manaus é o principal mercado consumidor de tambaqui. Enquanto nos anos 1970 a cidade dependia quase totalmente da pesca para suprir a demanda pelo peixe, hoje tem nos piscicultores de Estados vizinhos – Acre, Rondônia e Roraima – seus principais fornecedores.

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Nos restaurantes manauaras, o peixe, que retirado da natureza chega facilmente a dez quilos, foi substituído pelos juvenis criados em cativeiro, com dois a três quilos. “Os donos de restaurante preferem este último, pois é um produto mais padronizado”, diz Hilsdorf.

Paradoxalmente, as características que fazem do animal tão vantajoso para criação em cativeiro acabam afastando investimentos em melhoramento. As matrizes, peixes que servem como reprodutores, ainda hoje são adquiridas de outros piscicultores ou mesmo capturadas na natureza.

A grande produção de alevinos (filhotes) e o crescimento rápido em relação a outras espécies (pode chegar a dois quilos em um ano), além da resistência a ambientes com pouco oxigênio, fazem com que os produtores não invistam em melhoramento.

“Não investir porque a espécie já tem um bom desempenho é um raciocínio errôneo. Se o peixe chega a dois quilos em um ano, com melhoramento poderia chegar a esse peso em nove meses, por exemplo. O produtor que investir nisso vai começar a vender alevinos ou matrizes para os vizinhos e estará à frente no mercado. É um investimento de longo prazo, de risco, mas a história mostra que há retorno”, opina o pesquisador.

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O peixe vive em uma faixa de temperatura entre 25o C e 34o C, o que mantém a cultura praticamente restrita ao norte do Brasil. O desenvolvimento de variedades resistentes a temperaturas mais baixas, por exemplo, poderia viabilizar a cultura no resto do país.

Em vez disso, a solução encontrada foi o desenvolvimento de híbridos com espécies que vivem mais ao sul do Equador, como o pacu (Piaractus mesopotamicus), cujo cruzamento resulta no tambacu, e a pirapitinga (Piaractus brachypomus), que originou a tambatinga.

“Temos recursos genéticos suficientes para desenvolver variedades com diferentes perfis de tolerância a frio, a baixo oxigênio na água, a doenças, sem espinhas, com maior produção de filhotes e de carne, entre outros. Não necessitamos da produção de híbridos, que são um risco para a manutenção da integridade dos recursos genéticos selvagens devido aos escapes de pisciculturas. Os produtores necessitam ir além, com a busca de produtos geneticamente superiores para o estabelecimento de uma piscicultura economicamente e ecologicamente sustentável. É isso que o mercado no mundo todo exige atualmente”, encerra o pesquisador.

O artigo The farming and husbandry of Colossoma macropomum: From Amazonian waters to sustainable production pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/raq.12638.

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Lula lidera com 45% das intenções de votos, aponta Genial/Quaest

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na disputa à Presidência em 2022, com 45% de intenção de voto, de acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira. Ele vence em todos os cenários já no primeiro turno. O atual presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, está com 23%. A pesquisa  foi realizada entre os dias 3 e 6 de fevereiro e entrevistou 2 mil pessoas, sendo todos eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiabilidade é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE.

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O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) aparece empatado com Ciro Gomes (PDT), com 7% das intenções de voto. O governador de São Paulo João Doria (PSDB) está com 2%, empatado numericamente com André Janones (Avante). A senadora Simone Tebet (MDB) está com 1%. Rodrigo Pacheco (PSD) e Felipe D´Avila não pontuaram. Brancos e nulos somam 8%, e indecisos, 5%.

Intenção de voto no 1º turno (Estimulada):

  • Lula – 45%
  • Bolsonaro – 23%
  • Sergio Moro – 7%
  • Ciro Gomes – 7%
  • João Doria – 2%
  • André Janones – 2%
  • Simone Tebet – 1%
  • Rodrigo Pacheco – 0%
  • Felipe D´Avila – 0%
  • Brancos e nulos – 8%
  • Indecisos – 5%
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Em uma eventual disputa pelo segundo turno, Lula venceria a disputa em todos os cenários, segundo a Genial/Quaest. Na disputa contra Bolsonaro, ficaria com 54% ante os 30% do atual presidente. Se for Moro, fica com 52% contra 28%. Ciro, 51% ante 24%. No caso de Doria, Lula chegaria a 55% contra 16% do tucano. E se o adversário for André Janones, chega a 56% contra 14%.

Na intenção espontânea, 48% dos eleitores ainda apontam estarem indecisos. 28% dizem votar em Lula, contra 16% de Bolsonaro e 4% de outros candidatos.

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Lula e Bolsonaro são os candidatos com os votos mais bem consolidados. 74% dos eleitores do petista dizem que a escolha do voto no primeiro turno já é definitiva, contra 65% dos que votam no atual presidente. Já em relação aos outros candidatos, a maior parte diz que ainda pode mudar de voto.

Por O Globo.

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Estudo mostra alta prevalência de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático após a COVID-19

Pesquisadores da USP avaliaram 425 pacientes entre seis e nove meses após a alta hospitalar. Mais da metade relatou declínio da memória e testes indicaram perdas cognitivas relevantes nessa população

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Karina Toledo | Agência FAPESP – Em estudo feito com 425 pacientes que se recuperaram das formas moderada e grave da COVID-19, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) observaram uma alta prevalência de déficits cognitivos e transtornos psiquiátricos. As avaliações foram conduzidas no Hospital das Clínicas entre seis e nove meses após a alta hospitalar.

Mais da metade (51,1%) dos participantes relatou ter percebido declínio da memória após a infecção e outros 13,6% desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático. O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 15,5% dos voluntários, sendo que em 8,14% deles o problema surgiu após a doença. Já o diagnóstico de depressão foi estabelecido para 8% dos pacientes – em 2,5% deles somente após a internação.

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Os resultados completos da pesquisa, que contou com apoio da FAPESP, foram divulgados na revista General Hospital Psychiatry.

“Um dos principais achados é que nenhuma das alterações cognitivas ou psiquiátricas observadas nesses pacientes se correlaciona com a gravidade do quadro. Também não vimos associação com a conduta clínica adotada no período de hospitalização ou com fatores socioeconômicos, como perda de familiares ou prejuízos financeiros durante a pandemia de COVID-19”, conta Rodolfo Damiano, médico residente do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeiro autor do artigo.

O estudo integra um projeto mais amplo, coordenado pelo professor da FM-USP Geraldo Busatto Filho, no qual um grande grupo de pessoas atendidas no Hospital das Clínicas entre 2020 e 2021 vem sendo acompanhado por profissionais de diversas áreas, entre elas otorrinolaringologia, fisiatria e neurologia, a fim de avaliar eventuais sequelas deixadas pelo SARS-CoV-2.

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“Durante meu doutorado, eu coordenei a avaliação neuropsiquiátrica, cujos resultados preliminares foram descritos neste artigo”, conta Damiano à Agência FAPESP. O trabalho foi orientado pelo professor da FM-USP Eurípedes Constantino Miguel Filho.

“Uma de nossas preocupações era entender se esse vírus e a doença por ele causada têm impacto no longo prazo, produzindo manifestações tardias no sistema nervoso central”, conta E. Miguel.

Para o pesquisador, o fato de não ter sido encontrada uma correlação clara entre a condição psiquiátrica e a magnitude da doença na fase aguda ou fatores psicossociais – incluindo os de natureza socioeconômica ou vivências traumáticas – corrobora a hipótese de que alterações tardias relacionadas à infecção pelo SARS-CoV-2 (como processos inflamatórios associados a alterações imunológicas, danos vasculares associados a coagulopatias ou a própria presença do vírus no cérebro) teriam papel na origem dos transtornos.

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“A presença de manifestações clínicas, como perdas cognitivas, cefaleias, anosmia [perda do olfato] e outras alterações neurológicas nesses pacientes contribuem com evidências adicionais de que essas alterações psiquiátricas possam refletir a ação do SARS-CoV-2 no sistema central.”

Metodologia

Todos os participantes foram submetidos a uma bateria de testes cognitivos para avaliação de habilidades como memória, atenção, fluência verbal e orientação espaço-temporal.

“Observamos bastante perda cognitiva. Em um teste que mede a velocidade de processamento, por exemplo, os pacientes demoravam em média duas vezes mais do que o esperado para a idade [com base em valores médios descritos na literatura científica para a população brasileira]. E isso foi observado para todas as idades”, conta Damiano. “Além disso, mais da metade relatou, de forma subjetiva, um declínio na memória.”

Os voluntários também passaram por uma entrevista estruturada com um psiquiatra e responderam a questionários padronizados usados no diagnóstico de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.

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Como descrevem os autores no artigo, a prevalência de “transtorno mental comum” (sintomas depressivos, estados de ansiedade, irritabilidade, fadiga, insônia, dificuldade de memória e concentração) no grupo estudado (32,2%) foi maior do que a relatada para a população geral brasileira (26,8%) em estudos epidemiológicos.

Nesses pacientes, a prevalência de transtorno de ansiedade generalizada (14,1%) foi consideravelmente maior do que a média dos brasileiros (9,9%). A prevalência de depressão encontrada (8%) também é superior à estimada para a população geral do país (entre 4% e 5%).

“Os pacientes que evoluem para a forma grave, em geral, são mais comprometidos clinicamente [por problemas cardíacos, renais, diabetes e outras comorbidades] e, consequentemente, já apresentam mais sintomas psiquiátricos. Isso foi considerado na análise. Mesmo corrigindo para esse fator, a prevalência observada no estudo foi muito alta”, afirma Damiano.

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O agravamento de sintomas psiquiátricos após infecções agudas é algo comum e esperado, comenta o pesquisador. “Mas com nenhuma outra doença viral se observou tanta diferença e perdas cognitivas tão significativas como com a COVID-19. Uma das possíveis explicações é o próprio efeito do vírus no sistema nervoso central”, comenta. “Se essas perdas são recuperáveis é algo que ainda não sabemos.”

Próximos passos

Atualmente, o grupo da USP estuda amostras de sangue coletadas dos voluntários durante o período de internação. O objetivo é avaliar o perfil de citocinas (proteínas do sistema imune que regulam a resposta inflamatória) para descobrir se há correlação entre o grau de inflamação durante a fase aguda da COVID-19 e o desenvolvimento de sintomas neuropsiquiátricos.

“Caso exista alguma correlação, o passo seguinte será investigar se drogas inibidoras de interleucinas [um dos tipos de citocina] podem ser usadas para prevenir o aparecimento ou o agravamento de sintomas psiquiátricos”, conta.

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Para quem já foi afetado, Damiano indica vacinação e acompanhamento psiquiátrico. “Há evidências de que exercícios físicos ajudam a reverter alterações cognitivas associadas a doenças graves e também há treinos de reabilitação cognitiva que podem ser feitos com acompanhamento de um neuropsicólogo habilitado. Além disso, acredito que a prática de meditação pode ser benéfica.”

O artigo Post-COVID-19 psychiatric and cognitive morbidity: Preliminary findings from a Brazilian cohort study pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0163834322000020#!.
 

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Pesquisa quer analisar os impactos da covid-19 na saúde mental de crianças e adolescentes

Uma pesquisa está sendo feita por Janicelma Fernandes de Sousa Gualter, quer analisar os impactos da pandemia da Covid-19 na saúde mental de crianças e adolescentes.

A pesquisa é orientada pelo Prof. Dr. Bruno Bavaresco Gambassi , a pesquisa tem o objetivo de pesquisar o nível de estresse de crianças e adolescentes que tiveram pais acometidos por COVID-19. O estudo faz parte do Programa de Mestrado em Gestão dos Programas e Serviços de Saúde, da Universidade CEUMA.

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A participação é voluntária e caso  tenhas interesse em participar basta preencher o formulário disponível nesse link https://forms.gle/cgg1YVuZaTK9xajo9  para que os pesquisadores entrem em contato com você. O material produzido não terá qualquer identificação dos participantes, respeitará a legislação vigente para utilização das imagens e será utilizado somente em atividades acadêmicas, tais como artigos científicos, palestras, seminários, etc. resguardando sempre a privacidade dos participantes. O tempo estimado para responder ao questionário é de alguns segundos.

Caso você ou se conhecer alguma família com crianças ou adolescentes que perderam os pais acometidos por COVID-19, preencha e compartilhe este convite para termos o maior número possível de famílias envolvidas.

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Esse projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade CEUMA (parecer consubstanciado número 5.086.069, CAAE: 51631021.9.0000.5084). A pesquisa é orientada pelo Prof. Dr. Bruno Bavaresco Gambassi (brunobavaresco@gmail.com) e a orientanda Janicelma Fernandes de Sousa Gualter (janicelmafernandes@gmail.com), Estando à disposição para esclarecer qualquer dúvida que possa surgir.

Sua participação e apoio são fundamentais para que possamos desenvolver a pesquisa cientifica na área de saúde mental de crianças e adolescentes.

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Lula continua liderando intenções de voto, aponta Pesquisa da Quaest

O ex-presidente do Brasil, Lula da Silva (PT), manteve por mais um mês a liderança nas intenções de voto, conforme a pesquisa da Quaest Consultoria, encomendada pela Genial Investimento. Com 45% da preferência do eleitorado, Lula teria chance de vencer no primeiro turno.

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Para ter noção sobre sua liderança, Lula tem quatro pontos percentuais a mais do que a soma das intenções de voto dos demais concorrentes à Presidência. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em segundo lugar nas pesquisa, aparece Jair Bolsonaro (PL) com apenas 23%. Enquanto o terceiro lugar não conseguiu nem ao menos 10% das intenções, que é o caso do ex-juiz Sergio Moro (Podemos), com 9%. Em seguida aparecem as opções da chamada “terceira via”, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 5%, o governador João Doria (PSDB), com 3%, e a senadora Simone Tebet (MDB), com 1%. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e Luiz Felipe d’Ávila (Novo) não pontuaram. Foram entrevistadas 2 000 pessoas na pesquisa, a primeira do tipo divulgada neste ano eleitoral de 2022.

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Nas simulações de segundo turno, Lula venceria os adversários por pelo menos 20 pontos percentuais de diferença. Contra Bolsonaro, marcaria 54% a 30%. Contra Moro, 50% a 30%. Os dados relativos ao primeiro turno foram colhidos na pesquisa estimulada, na qual é apresentada ao entrevistado uma lista de candidatos. Na espontânea (sem lista de candidatos), o petista está à frente de Bolsonaro, mas fica atrás dos indecisos. O resultado é o seguinte: 52% de indecisos, 27% para Lula, 16% para Bolsonaro e 1% para Moro e Ciro Gomes.

O contingente de indecisos tem alimentado as esperanças da chamada terceira via, que também se apega ao fato de que, conforme a Quaest, 26% dos entrevistados não quererem a vitória nem de Lula nem de Bolsonaro. A rejeição ao petista é de 43%, e a do ex-capitão, a maior entre os presidenciáveis, de 66%.

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Bolsonaro continua com dificuldades para recuperar popularidade. Metade dos entrevistados reprova o seu governo, e só 22% o avaliam como positivo. Mesmo entre os evangélicos, a reprovação (36%) supera a aprovação (31%).

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Pesquisa avalia fraqueza muscular em pessoas que tiveram Covid-19

Estudo da UFSCar busca voluntários que tiveram, ou não, a doença para entender os efeitos do vírus

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Uma pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Fisiologia e Biofísica Muscular (LFBM), do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tem como objetivo estudar as causas da fraqueza muscular observada após infecção pelo novo coronavírus. O estudo é desenvolvido por Anabelle Silva Cornachione, docente do DCF, e pela pós-doutoranda Patty Karina dos Santos, e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com as pesquisadoras, a Covid-19 mostrou ser uma doença que não afeta apenas o trato respiratório dos indivíduos infectados, tendo efeitos consideráveis sobre o sistema musculoesquelético, causando fadiga excessiva, dor muscular, dor nas juntas e fraqueza muscular. Esses sintomas podem persistir por muito tempo após o término da infecção, impactando o dia a dia de inúmeros indivíduos.

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“Pouco se sabe sobre o efeito do SARS-CoV-2 em músculos esqueléticos, principalmente de indivíduos que não necessitaram de hospitalização e suporte ventilatório. E como o sistema muscular tem uma importância fundamental no nosso cotidiano, nos permitindo andar, correr, sentar etc., entender como o músculo é afetado pela Covid-19 é essencial para uma adequada reabilitação pós-doença”, comentam as pesquisadoras.

A expectativa do estudo é obter um melhor entendimento dos efeitos do novo coronavírus no sistema musculoesquelético, possibilitando uma melhoria no diagnóstico, no manejo e no tratamento de indivíduos acometidos pela doença. “Além disso, espera-se obter informações importantes sobre a fraqueza muscular persistente que tem sido observada em muitos indivíduos após o término da infecção viral”, apontam.

Voluntários

Para realizar a pesquisa, estão sendo convidados voluntários que tiveram Covid-19 com sintomas leves a moderados, incluindo fraqueza muscular (dor no corpo), fadiga e/ou dor nas juntas, que podem ou não estar persistindo mesmo após o término da doença. Também são convidados voluntários que não tiveram Covid-19, visando comparar os efeitos a longo prazo da doença no sistema muscular. Os interessados poderão acessar um questionário online (https://bit.ly/3EFjge8), cujo preenchimento tem duração aproximada de cinco minutos. O formulário ficará disponível até o próximo ano.

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Além do formulário online, o estudo terá uma etapa presencial para entrevista e avaliação dos efeitos da Covid-19 nos músculos para os voluntários que se interessarem. A etapa presencial ocorrerá no DCF, na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar. Toda a equipe de pesquisa já está vacinada, o que garante maior segurança a todos os voluntários, além da adoção de todas as medidas sanitárias para a Covid-19.

Outras informações podem ser solicitadas pelo telefone (16) 99761-3234 (Anabelle Cornachione) ou pelo e-mail lfbm.lab@gmail.com. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 39913520.3.0000.5504).

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