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Tributar os mais ricos é o caminho para o Brasil reduzir a pobreza, com crescimento e equilíbrio fiscal

A pandemia, a elevação da pobreza e a inflação expõem ao mundo a necessidade de ampliar a proteção social, um desafio que geralmente esbarra no risco de desequilíbrio fiscal. Vários países adotam políticas de tributação progressiva, na qual os ricos pagam mais impostos do que os pobres. Para os economistas Manoel Pires e Marcelo Medeiros, este é o caminho para o Brasil combater a pobreza e promover o crescimento econômico, sem aumentar o déficit público e o imposto sobre consumo, que penaliza os mais pobres e afugenta investimentos na produção.

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Manoel Pires, que é coordenador do Observatório de Política Fiscal e pesquisador da Universidade de Brasília (UNB), considera que o Governo comete um erro ao trocar o Bolsa Família, “um programa permanente que funciona bem”, pelo Auxílio Brasil. Pelo caráter temporário, segundo ele, o novo programa pode causar insegurança social no fim do próximo ano. “Em dezembro de 2022, se tudo correr como o governo está planejando, você tem um encontro com isso novamente, com esse dilema. Os beneficiários podem achar que não terão mais direito ao benefício. Isso vai causar uma insegurança social”, afirma Pires.

Os dois economistas participaram da mesa-redonda “Como Financiar a Proteção Social no Brasil”, promovido pelo Observatório de Política Fiscal (Ibre-FGV) e pela Avenida Comunicação, com presença de jornalistas dos maiores veículos do país.

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Marcelo Medeiros, professor visitante na Columbia University, professor da UNB e pesquisador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), entende que a pandemia agudizou as desigualdades e mostrou a fragilidade do modelo brasileiro para lidar com seus efeitos. O modelo atual depende da arrecadação, que cai em momentos de crise, deixando mais frágeis os programas de apoio quando eles mais precisam de recursos.

Para solucionar o problema, Medeiros propõe a criação de um fundo específico para momentos em que há risco de crise social, à semelhança do Fundo Soberano do Brasil, que funcionou entre 2008 e 2019 para enfrentar os efeitos de crises econômicas. Esse novo fundo para destinação em crises sociais seria um instrumento contracíclico para proteger a população e estimular a retomada econômica. Além disso, evitaria que os governos tenham despesas imprevistas sem cobertura fiscal, impedindo que furem o teto de gastos.

Outra crítica de Medeiros ao atual modelo brasileiro é sua concentração excessiva nas contribuições trabalhistas, o que limita sua proteção efetiva ao trabalhador formalizado e onera as folhas de pagamento. Ao induzir empresas e trabalhadores a se dedicarem a manobras em busca de menor tributação, o modelo atual fragiliza ainda mais o sistema de proteção social. Como solução, o economista propõe que esse sistema seja financiado pela progressividade no Imposto de Renda, aliviando as folhas de pagamento e os custos das empresas com os empregos, o que aumenta a formalização e diminui a “pejotização”.

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Para Medeiros, o crescimento da informalidade do trabalho no Brasil já superou a “uberização”, em que há precariedade na relação trabalhista. “Estamos vivendo algo pior. A meu ver já passamos para uma fase de ‘faxineirização’, quando as famílias trocam domésticas por faxineiras, que não estão protegidas pelas leis. E isso denota uma injustiça ainda maior que é a enorme desigualdade de gênero, com a informalidade entre as mulheres sendo muito mais alta”, disse o professor.

Pires concorda com Medeiros sobre a necessidade da tributação progressiva, principalmente por meio do Imposto de Renda, de forma a transferir recursos dos extratos mais ricos para a redução da desigualdade. Ele afirma que o sistema tributário brasileiro é regressivo por incidir mais sobre o consumo do que sobre a renda. Imposto sobre o consumo afeta mais, em termos proporcionais, os pobres.

Segundo Pires, há espaço para o país eliminar “distorções” e tributar mais a renda, criando mecanismos para financiar a assistência social. “Uma boa forma de fazer a discussão do financiamento da seguridade social é eliminar distorções, consolidando uma boa parte da tributação na tabela do Imposto de Renda”, disse. Ele ilustra seus argumentos com tabelas que mostram a situação do Brasil em relação a outros países, conforme dados compilados da OCDE e da Receita Federal. A tributação sobre o consumo no Brasil chega a 14,4% do PIB, enquanto a média mundial é de 11%. Já o imposto de renda no Brasil arrecada o equivalente a 7,45% do PIB, bem abaixo da média mundial, de 11,5%. 

Pires admite que a agenda de reformas que ele e Medeiros propõem é difícil de ser implementada no Brasil devido à pressão de lobbies e à desinformação da população sobre o tema. “Uma agenda de reformas é sempre difícil, mas mesmo assim o país fez avanços recentes em reformas trabalhistas e da Previdência. É sempre conflituoso, mas avança. É preciso fazer um esforço para construir essa agenda no Brasil, que já acontece em economias mais sólidas, como nos Estados Unidos e na Europa”, enfatizou o economista.

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Um país sem ciência é refém de um presente medíocre e de um futuro sem perspectivas

Por Mercedes Bustamante

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Em 2 de setembro de 2018, o Museu Nacional do Rio de Janeiro foi devastado por um grande incêndio que consumiu, de forma irrecuperável, a maior parte de um acervo inestimável. O museu, fundado em 1818, é a instituição científica mais antiga do país e uma das mais importantes do mundo. Além da perda da memória e de conhecimentos únicos, especialmente sobre a América Latina, a devastação no Museu Nacional comprometeu a geração de novos conhecimentos por meio da ciência.

A ciência é a prática que nos fornece as explicações mais confiáveis sobre a natureza, nós mesmos, nossas sociedades, nossas construções físicas e de pensamento por meio das variadas áreas do conhecimento. As ações e inações que ao longo de anos deterioraram as condições do Museu Nacional até o trágico 2 de setembro de 2018 se repetem em instituições científicas país afora e se acentuaram nos últimos três anos. O desprezo pela educação e pela ciência nas esferas do poder federal, ancorado por discursos falaciosos e má gestão, foi demonstrado de forma cabal na solicitação do Ministério da Economia ao Senado Federal que resultou em novo corte de recursos para a ciência brasileira.

O setor já estava debilitado por manobras anteriores que impediram acesso aos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os recursos do FNDCT, cuja destinação é claríssima pelo próprio nome do Fundo, garantiriam a sobrevida de projetos e programas de pesquisa e inovação, em particular o Edital Universal do CNPq que sustenta todos os níveis do Sistema de Ciência e Tecnologia. Se o incêndio do Museu Nacional consumiu nossa memória, a manobra do Ministério da Economia, encampada pelo Senado, consome as nossas possibilidades de construir um país com base numa economia do conhecimento.

Impossível avaliar a degradação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia sem também mencionar o desmonte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fundação vinculada ao Ministério da Educação e responsável pela avaliação e fomento aos Programas de Pós-graduação no Brasil. A maior parte da pesquisa científica no país é conduzida em universidades públicas e no âmbito de programas de pós-graduação por pesquisadores e alunos de mestrado e doutorado.

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A CAPES tem sido instrumental para a expansão e consolidação da formação em nível de pós-graduação. No entanto, seus programas de bolsas de estudo e pesquisa, que permitem a dedicação desses jovens pesquisadores, padecem de restrições crescentes de recursos e os valores das bolsas encontram-se defasados pela ausência de reajustes recentes. As inúmeras mudanças na gestão, com dirigentes cada vez menos capacitados para suas funções, têm gerado instabilidades e controvérsias que lançam incertezas sobre a sustentação dos programas de pós-graduação.

O estudo histórico do sucesso moderno da pesquisa tem mostrado repetidamente que o conhecimento básico, a tecnologia e a inovação estão intensamente conectados formando um único e coeso tecido. Ademais, avanços científicos e tecnológicos emergem do conhecimento resultante de investimentos e contribuições de muitos grupos de pesquisa ao longo de anos.

Por seu caráter sistêmico, os grandes desafios do Brasil no plano nacional e internacional só poderão ser enfrentados a partir de um investimento consistente e previsível em ciência e na formação de recursos humanos com conhecimentos, habilidades e ferramentas necessários para lidar com questões complexas que envolvem dimensões sociais, econômicas e ambientais. Não se trata somente de compartilhar os produtos da ciência, mas também os seus valores como o raciocínio crítico, a resiliência diante da incerteza e o apreço pelo conhecimento.

A atuação míope do Ministério da Economia ao propor o corte das verbas suplementares para a ciência brasileira, e a falta de interesse ou avaliação profunda por parte do Senado Federal das consequências nefastas desse corte, tornam o país refém de um presente medíocre e de um futuro sem perspectivas.

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Sobre o autor

Mercedes Bustamante é pesquisadora da UnB e membro da Coalizão Ciência e Sociedade. O artigo é endossado pela Coalizão Ciência e Sociedade

Crianças ricas têm mais de 7 mil horas de aprendizado a mais do que as de menor renda, aponta estudo

Estudo analisou os perfis de crianças de 0 a 14 anos, com famílias em extremos de renda no Brasil, com média per capita de R$ 145 e R$ 6.929

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Estudante do nono ano do Ensino Fundamental de uma escola privada, Nilo é filho único de pais empresários. Quando era criança, seu pai adorava ler livros e contar histórias de heróis para o menino dormir. Sua mãe também gostava de propor novas brincadeiras para ajudar no seu desenvolvimento. Agora, com 14 anos, o adolescente concilia as aulas de inglês, natação e guitarra na sua agenda. Antes da pandemia, frequentava cinema ou teatro aos fins de semana e nas férias aproveitava uma colônia com seus amigos escoteiros. 

Caíque, estudante do nono ano do Ensino Fundamental de uma escola pública, tem uma rotina bem diferente. Ele conta que a mãe nunca leu um livro para ele. Como ela trabalhava o dia todo em uma indústria, ficava bem cansada e não tinha muito tempo para brincar e dividir a atenção com os quatro filhos. Aos 14 anos, o menino queria frequentar a escolinha de futebol, mas o orçamento da família não permitia. Aulas de inglês somente na escola, uma vez por semana. Foi no cinema uma vez na vida, mas ainda não teve a chance de ver uma apresentação teatral. Nas férias, sua diversão é ficar entre os amigos e aproveitar a internet dos vizinhos, já que em sua casa não tem banda larga. 

Os personagens são fictícios, mas o impacto socioeconômico na vida dos estudantes é real. O estudo inédito “Cada Hora Importa”, realizado pelo Itaú Social, demonstra que ao final do 9º ano do Ensino Fundamental, crianças como Caíque, com famílias de baixa renda, recebem 7.124 horas de aprendizado a menos do que meninas e meninos como o Nilo, que têm famílias mais abastadas. Esse período equivale a 7,9 anos de uma escola regular. 

O estudo, com apoio do Plano CDE, foi baseado no parâmetro internacional “Every Hour Counts”, que defende o aprendizado fundamentado no pensamento crítico, resolução de problemas, eficiência na comunicação e conhecimentos gerais. A iniciativa tem como objetivo promover a educação integral, que considera as diferentes dimensões do sujeito, criando oportunidades que contemplem suas necessidades cognitivas, mas também físicas, sociais e emocionais. 

Os pesquisadores usaram como base de cálculo cinco levantamentos com abrangência nacional para estimar as horas de aprendizado: PNAD 2019 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios); POF 2017-2018 (Pesquisa de Orçamentos Familiares); Censo Escolar 2019; o estudo Primeiríssima Infância – Interações 2020 (Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal) e TIC Domicílios 2018. 

“O estudo dá forma e quantifica a enorme desigualdade educacional no Brasil. As estimativas revelam um volume impressionante de horas adicionais de exposição a oportunidades de aprendizagem para crianças de famílias com mais recursos, em comparação às crianças de famílias de baixa renda”, aponta a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann. “Os dados comprovam a importância das escolas em tempo integral e do trabalho das organizações da sociedade civil, que oferecem atividades em contraturno escolar, para ampliar o acesso à arte, à cultura, aos esportes e tantos outros elementos que permitem o desenvolvimento integral e plural das crianças e adolescentes, que irão lhe conferir o exercício pleno da cidadania”, explica.  

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O estudo analisou os perfis de crianças de 0 a 14 anos, com famílias em extremos de renda per capita no Brasil. A amostra foi dividida em dois grupos: os que integram os 10% com menor renda (média per capita de R$ 145) e os 10% que estão entre os de maior renda (média per capita de R$ 6.929). As oportunidades de aprendizado foram separadas em cinco categorias: aprendizado em família, aprendizado via internet, educação formal, atividades extracurriculares e oportunidades nas férias. 

Aprendizado em família

Considerando a pesquisa “Primeiríssima Infância”, o estudo fez uma estimativa de horas usando como base a frequência de leitura e brincadeira com crianças em dias por semana. As famílias mais ricas leem duas vezes mais para suas crianças do que as mais pobres (quatro horas semanais contra duas horas). Já a diferença de horas quando falamos de brincadeiras em família é menor (seis contra cinco horas). Porém, ao somar o número de horas das duas atividades em um ano, as crianças de famílias com maior renda abrem uma frente de 43% em relação às de menor renda. 

Aprendizado via internet

O estudo considerou a pesquisa “TIC Domicílios”, que investiga o acesso e os hábitos dos brasileiros em relação ao uso da internet, para verificar a quantidade de horas que as crianças realizam atividades, pesquisas escolares e/ou estudam por conta própria. As famílias com rendas menores têm, num período de 5 anos, apenas 560 horas de aprendizado na internet, contra 1.390 horas daquelas com maior renda, o que equivale a uma diferença de 148%. 

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Educação formal

Com os dados do PNAD e do Censo Escolar, o estudo analisou o acesso e a carga horária de escolas e creches públicas (para famílias com menor renda) e particulares (para famílias com maior renda) para calcular a média de horas de aprendizado em educação formal. Crianças mais pobres, principalmente quando estão em creches e na pré-escola, têm menos acesso ao aprendizado do que as mais ricas. Em um total de 14 anos (duração da educação infantil até a conclusão do ensino fundamental), a diferença de horas é de 11.719 versus 13.713 horas, o que corresponde a uma diferença de 17% a mais para crianças de maior renda. 

Atividades Extracurriculares

A partir dos dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), os pesquisadores verificaram os gastos extracurriculares como cursos de idiomas, artes e esportes. Considerou-se que a carga horária padrão para cada curso é de duas a seis horas por semana. As informações do POF também permitiram identificar os gastos individuais das famílias com itens de diversão fora de casa, coletando dados sobre gastos com cinema, museu e teatro.

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Considerando 11 anos de atividades extracurriculares, enquanto famílias mais ricas têm uma carga média de horas em aulas de idiomas de 236 horas, as mais vulneráveis têm apenas 11 horas. Também existe um abismo na exposição às atividades relacionadas às  artes. Crianças de famílias de baixa renda têm apenas 12 horas de acesso contra 287 horas para as do grupo de alta renda. As horas no cinema são bem inferiores (168 horas para famílias ricas e 66 horas para famílias pobres), assistir a uma peça teatral ou visitar um museu são atividades que não ocorrem, pelo menos de forma paga, para crianças pobres. Ao todo, as horas de aprendizado a partir das atividades extracurriculares chegam a uma diferença de 1.038%

Oportunidades nas férias 

O estudo considerou ainda as atividades estruturadas nas férias escolares, como programações em clubes, colônias de férias, excursões ou outras atividades e cursos pagos nas próprias escolas. Famílias mais ricas proporcionariam 2.232 horas a mais de aprendizado para suas crianças no acumulado de nove anos, enquanto as mais pobres não promoveram nenhuma atividade nos intervalos dos anos letivos. 

Caso Francisco Osvaldo: Família denuncia Clínica São Francisco Neuropsiquiatria por tortura a paciente

A família de Francisco Osvaldo continua lutando por justiça contra a Clínica São Francisco de Neuropsiquiatria, localizada na capital maranhense. Francisco morreu aos 38 anos no dia 13 de março, três dias após ser devolvido a família, com 40 kg mais magro e com sinais de tortura.

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A família está lutando na justiça, fazendo até pedido na Procuradoria Geral de Justiça, para abrir investigação contra a Clínica São Francisco de Neuropsiquiatria. Para Sidneyde Dias, irmã do falecido Francisco, durante os 102 dias que seu irmão esteve internado, a Clínica usou e abusou de tortura e que chegou a cortar a comunicação com a família, impedindo até mesmo através de ligação, alegando que por causa da pandemia, não poderia haver visitas. Em relação as ligações, a clínica declarava que Francisco estava muito “instável”.

Francisco tinha depressão e transtorno bipolar, mas possuía uma saúde física forte e saudável. Ele ganhava seu sustento como manobrista, freelancer, no restaurante Cabana do Sol, motorista de vã e de ônibus. Foi internado na Clínica São Francisco após um surto, por causa da falta de remédio que o mantinha controlado.

De acordo com Sidneyde Dias, Francisco já mostrava uma situação piorada durante as visitas. A Clínica ainda cobrava o preço dos remédios, mesmo recebendo recursos direto do Sistema Único de Saúde.

A família de Francisco Osvaldo abriu denuncia no Ministério Público do Maranhão e entrou em contato com Direitos Humanos no Maranhão. Além ter instaurado uma Verificação Preliminar de Informação (VPI) na Delegacia da Cidade Operária.

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O caso de Francisco Osvaldo não é um isolado. Em 2015, a Clínica São Francisco de Neuropsiquiatria foi alvo de uma investigação da polícia sobre a morte de um outro paciente, chamado Vitor Alves Sales, de 21 anos, A família do jovem também alega que ele foi espancando chegando a entrar em óbito logo após ser levado ao Socorrão II.

O Blog Sílvia Tereza procurou em contato com o Assessor Jurídico da Clínica São Francisco de Neuropsiquiatria, dr. Tiago Paes Leme, onde declarou que as acusações seriam inverídicas, negando a prática de maus-tratos.

Na nota da Assessoria Jurídica da clinica, a defesa lamenta o falecimento de Francisco e afirma que o óbito não aconteceu nas dependências do hospital e que o mesmo não teria abandonado o paciente no dia dez de março e que o teria levado em casa na presença de equipe técnica.

Um segundo turno sem debate

As Eleições 2020 da cidade de São Luís neste segundo turno está sendo disputado pelo partido PODEMOS, Eduardo Braide, e o partido REPUBLICANOS, Duarte Junior. Dentre os 10 candidatos que estavam disputando o cargo de Prefeito de São Luís, somente dois conseguiram chegar nessa fase final.

Dois candidatos que aparentemente conseguem se equipará na irresponsabilidade. Nesta terça-feira (24), o candidato Eduardo Braide noticiou que irá suspender os atos da campanha por causa de uma suspeita de está com covid-19. Pois, sua vice, professora Esmênia Miranda, testou positivo para o novo coronavírus.

Ainda no primeiro turno, o candidato Duarte Jr. também passou pela mesma situação. Justamente nos últimos dias que faltavam para as votações do primeiro turno, ele confirmou que estava com covid-19. Porém, o problema não estava somente em ter a doença, mas da suspeita de que ele continuou fazendo campanha sabendo do resultado e divulgou o exame só na última semana. Podendo ter contaminado milhares de cidadãos ludovicenses nessa negligencia.

Os candidatos se colocam como opções diferentes e que são os melhores candidatos a Prefeito de São Luís. Quem observa atentamente a posição dos dois, entende que estamos tendo que escolher quem é o “menos pior”. Dois candidatos que estão somente buscando o poder. Enquanto a cidade de São Luís, somente é um obstáculo para saciar essa fome.

Derrotado nas eleições passada, Eduardo Braide chegou nessas eleições alegando está pronto. Porém, justamente fugiu dos debates e embates promovidos pelas emissoras locais de TV e Rádio na última semana. Neste segundo turno, apareceu com suspeita, dando um passe livre para não participar. Um candidato que se diz pronto, mas não consegue ter responsabilidade.

Do outro lado, temos Duarte Junior disputando pela primeira vez o cargo de Prefeito. Porém, não é sua primeira disputa de eleição. Como deputado, mostrou que usa dos cargos públicos como muleta para ganhar mais poder. Com um discurso que se tornou cansativo, colocando sempre o PROCON e o Viva em suas falas, o candidato do Republicanos passa a entender que tudo que fez como servidor público, foi para ser usado futuramente em propagandas eleitorais. Como se ter um bom trabalho não fosse uma obrigação dele quando assume um cargo público.

Temos dois candidatos irresponsáveis que colocaram até suas próprias vidas em perigo em uma tempo de pandemia de coronavírus, tudo para ter poder. Tivemos 10 candidatos, somente 7 não tiveram covid-19. Candidatos que podem ser de partidos pequenos, mas buscaram responsabilidade com os cidadãos e consigo mesmo.

Talvez não seja nessas eleições que a cidade de São Luís comece a ter realmente mudanças significativas. Mudanças necessárias para que a capital necessita pelo crescimento desordenado que vem tendo . Continuaremos tendo que escolher quem é o “menos pior”, que fogem de confrontos pois tem medo de não parecerem preparados.

Lições do feminismo ‘geek’

O guia de Kameron Hurley para não baixar a guarda diante do ciberataque machista

Kameron Hurley, escritora de ficção científica vencedora de dois prêmios Hugo, indicada a um Arthur C. Clarke, um Nebula e um Locus por uma produção que não deixa de crescer e se expandir, que abandonou a ficção e se sentou diante do espelho para contar como chegou até aqui e quais batalhas ainda é preciso travar – ela conta isso no livro The Geek Feminist Revolution (a revolução feminista geek) –, está fazendo uma pausa na agência de publicidade onde trabalha, em Dayton, Ohio. Sobre a mesa há uma Coca-Cola Zero, um ventilador e fones de ouvido. Se estivesse em casa, talvez estivesse jogando um videogame on-line e aguentando a infinidade de comentários de homens que lhe diriam em quais coisas poderia utilizar melhor o seu tempo. Em qualquer caso, Kameron não ficaria calada. Responderia. Porque, diz, “há uma revolução em andamento” – que inclui acabar, de uma vez por todas, com “a aguda nostalgia”, sentida “quase sempre por homens brancos”, daqueles “dias em que se considerava que eles eram o único público das obras pulp e dos videogames”. Em outras palavras, que só eles tinham direito de ser geeks (pessoas fascinadas pela tecnologia e a informática).

A escritora Kameron Hurley.
A escritora Kameron Hurley.

Já tentaram calar Hurley, que vê Duro de Matar duas vezes por ano – “tem um dos melhores roteiros já escritos” e “mostra justamente um cara tentando deixar claro que, embora sua mulher ganhe mais, ele continua sendo um ‘machão'”. “Embora tenham aumentado as oportunidades para as mulheres nos espaços geek, a rejeição também aumentou. As campanhas de ódio distanciaram algumas mulheres da rede e de um mundo que consideravam seu. Porque, gostem disso ou não, as mulheres também sempre foram geeks. Têm sido gamers e escritoras, leitoras de revistinhas e fãs de coisas como Conan, o Bárbaro e Jornada nas Estrelas. A única coisa que esses caras estão tentando fazer é defender seu relato do que se supõe que deve ser o mundo. Manter o status quo de uma situação que os beneficia”, diz Hurley, que incentiva toda mulher – e todo homem que se sinta ofendido pelas maneiras impositivas dessa parte do mundo que acha que o mundo é seu – a não se calar. A responder. Porque nesse terreno “não se ganha ou se perde de uma vez. Cada uma dessas pequenas batalhas importa. O que devemos fazer é persistir. Só persistindo o inimigo perceberá que o mundo mudou enquanto ele se dedicava a tentar evitar isso.”

Fã da fantasia sombria – “tentei ler Terry Pratchett na adolescência, mas não combinava comigo; sempre preferi Angela Carter” – e defensora da ideia de que não só é preciso talento para escrever, mas também, e muito, “trabalho duro”, Hurley lança seus dardos contra o núcleo duro do fandom. “Se não gostam que a gente mexa em suas coisas, é porque acham elas que são isso, ‘suas’. Mas não puderam impedir que a gente cresça e queira escrever e que nossos livros agradem. Não puderam impedir que fosse Leigh Brackett, uma mulher, a autora de O Império Contra-Ataca, considerado por muitos fãs o melhor filme da saga Star Wars. Tentam silenciar isso, mas não adianta. Quanto mais eu pesquiso, mais vejo a maneira como as mulheres foram apagadas da História. Ou simplesmente silenciadas. Mas isso já não vai acontecer de novo. Há mulheres como Anita Sarkeesian – que disseca questões de gênero nos videogames, diversas vezes ameaçada de morte por gamers – e Mikki Kendall, mulheres como eu mesma, que não vão se calar. A Revolução Feminista Geek, o livro, é, nesse sentido, ao mesmo tempo mistura de história pessoal – sobre como foi difícil para ela chegar aonde está e como sua situação ainda é precária, apesar do sucesso – e profunda e beligerante reflexão pop. Seus ataques vão para obras emblemáticas dos últimos tempos, como a série True Detective, em que as mulheres “nunca são pessoas”, só “obstáculos ou prêmios” – sobre o mundo de hoje.

Embora tenham aumentado as oportunidades para as mulheres nos espaços geek, a rejeição também aumentou. As campanhas de ódio distanciaram algumas mulheres da rede e de um mundo que consideravam seu

O livro artefato, um autêntico festim feminista que decididamente pode ser desfrutado, rebate essa visão única da ficção que tem muito a ver com o que pensamos quando ouvimos a palavra herói. “Em que pensamos? Num arquétipo. Um sujeito, músculos, branco, machão. Quando comecei a ler e consumir cultura pop, não entendia por que todos eram homens, por que nenhum podia ser mulher, e tampouco por que as mulheres eram obstáculos ou prêmios na trama”, diz Hurley. Como criaturas que vivemos “das histórias que contamos”, porque “disso todos estamos feitos, de histórias”, a melhor, a única maneira, de lutar contra o que não gostamos do mundo é “desafiar as expectativas” e fazer isso, também, através da ficção, pois a ficção “é o único antídoto”.

Fonte: El País


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A Influência da TV sobre as crianças


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Precisamos falar sobre: Votos em Brancos e Nulos

O país está em um conflito político onde as pessoas perderam a confiança nos políticos, onde nas últimas eleições houve um grande aumento de votos em brancos e nulos. Existe uma lenda urbana, que os defensores da campanha do voto nulo utilizam, que o art. 224 do Código Eleitoral prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais da metade dos votos no país.

A nulidade a que se refere o Código Eleitoral decorre da constatação de fraude nas eleições como, por exemplo, eventual cassação de candidato condenado por compra de votos. Nesse caso, se o candidato cassado obteve mais da metade dos votos, será necessário a realização de novas eleições, denominadas suplementares.

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Portanto, votando nulo, não obterá nenhum efeito diferente da desconsidração de seu voto. Os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo apenas para fins de estatística.

O Tribunal Superior Eleitoral, utilizando a doutrina de Said Fanhat, esclarece que “Votos Nulos são como se não existissem: não são válidos para fim algum. Nem mesmo para determinar o quociente eleitoral da circurscrição ou, nas votações no Congresso, para se verificar a presença na Casa ou comissão do querum requerido para validar as decisões”.

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