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Prática de exercícios é benéfica mesmo em ambiente poluído, mostra estudo

Karina Ninni | Agência FAPESP – Muitos estudos recentes sugerem que a prática de exercícios de resistência em ambientes poluídos pode produzir efeitos indesejados na saúde humana. Mas um trabalho publicado recentemente no American Journal of Physiology por cientistas do Grupo de Estudos em Desempenho Aeróbio da Faculdade de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE/USP) aponta que, talvez, isso não seja verdade para os praticantes já habituados à poluição veicular.

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A equipe avaliou dez ciclistas recreativos do sexo masculino, a maior parte deles acostumada a treinar em uma ciclovia e dentro do Campus da Universidade de São Paulo, onde a Agência Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) reporta níveis de poluição veicular que ultrapassam os limites anuais impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao contrário do que se esperava, eles descobriram que os marcadores de inflamação no sangue desses ciclistas – como as interleucinas 6 e 10 (IL-6 e IL-10) – não se alteraram. E, por outro lado, aumentou o nível sanguíneo da proteína BDNF (ou brain-derived neurothophic factor), relacionada a benefícios do exercício para a neuroplasticidade do cérebro.

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A partir desses resultados, os pesquisadores formularam outra hipótese: a de que haveria um certo tipo de aclimatação desses indivíduos ao ambiente poluído. Afinal, são residentes em São Paulo e estão acostumados a treinar em ambiente aberto. “Assim, podemos dizer que, neste caso, os benefícios do exercício se sobrepõem aos efeitos deletérios do ambiente poluído”, resume André Casanova Silveira, primeiro autor do artigo.

Ele explica que o grupo partiu de dois estudos publicados pelo professor Rômulo Bertuzzi, coordenador do Grupo de Estudos em Desempenho Aeróbio, nos quais foi usado um modelo de exercício de carga constante com pessoas fisicamente ativas. Nesses estudos, Bertuzzi percebeu que havia um aumento dos marcadores inflamatórios nos praticantes após 60 minutos de exercícios.

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“Porém, modelos de exercício de carga constante não avaliam performance, não mimetizam bem a performance esportiva, são muito diferentes de uma prova. Assim, idealizamos um experimento com um exercício de longa duração, que ultrapassasse os 60 minutos e mimetizasse uma competição.”

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio de uma bolsa de doutorado no Brasil concedida a Silveira.

Poluição ‘real’

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O experimento foi realizado numa câmara localizada no estacionamento da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), na avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, a 20 metros da beira da rua e a 150 m de um cruzamento de tráfego movimentado. A câmara foi projetada pelo grupo do professor Paulo Saldiva (FM-USP), com quem Bertuzzi tem uma colaboração.

Os ciclistas simularam a participação em uma prova de 50 km (mais ou menos 1 hora e meia de exercício), contra o relógio. “Colocávamos a bike do indivíduo no rolo e ele fazia um circuito de realidade virtual. É uma competição simulada, ele vê uma pista no computador. A pista tem uma certa pressão, é como se ele estivesse pedalando na rua. Ele pode controlar a intensidade e mudar de marcha.”

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A câmara tem dois dutos por onde entra o ar da rua, jogado na cabine com a ajuda de uma bomba. Há também um sistema para a filtragem de material particulado, além de filtros químicos para livrar o ar de formaldeído, sulfeto de hidrogênio, dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio (NO), dióxido de nitrogênio (NO2) e outros gases que poderiam entrar na câmara. “Mas o marcador do nosso estudo é o material particulado, que também é o que mais se usa na literatura.”

Os ciclistas realizaram o circuito em dois dias distintos, com intervalo de pelo menos 48h. De forma randomizada, fizeram a prova ou no ambiente poluído (sem filtro), ou no ambiente com ar filtrado. “A poluição mimetiza uma situação mais real. Os estudos prévios utilizam motor a diesel para mimetizar a poluição, mas ele gera uma concentração muito alta de material particulado, e não tem mistura com nada mais. No nosso caso, é uma poluição real, que está vindo da rua.”

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Todos os testes foram realizados com controle de temperatura ambiente (20 °C a 24 °C) e duas horas após a última refeição. A coleta de dados ocorreu em 2019, antes da pandemia de COVID-19, entre 10h e 16h. Os marcadores inflamatórios IL-6, proteína C-reativa (CRP), IL-10 e molécula de adesão intercelular-1 (ICAM-1) e de neuroplasticidade (BDNF) foram medidos nas amostras de sangue coletadas antes e depois do circuito de 50 km.

Resultados surpreendentes

A equipe concluiu que não houve diferenças significativas entre os experimentos realizados em distintas condições para as respostas dos marcadores IL-6, CRP e IL-10. Entretanto, a prova realizada sob efeito da poluição veicular provocou aumento nos níveis de BDNF induzido pelo exercício, bem como redução dos níveis de ICAM-1.

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“O aumento nos níveis de BDNF promove o crescimento e a proliferação de células no hipocampo [fenômeno ligado à formação das memórias e associado ao aprendizado e às emoções]. O BDNF também está envolvido na diferenciação neuronal, plasticidade, sobrevivência celular e aprendizado. Esse aumento nos níveis de BDNF que diagnosticamos em ambiente poluído foi o resultado mais curioso de nosso trabalho, porque a literatura diz que o exercício em ambiente poluído suprimiria a expressão dessa proteína. Queremos, futuramente, além da dosagem do BDNF, fazer também testes cognitivos para ver se há correlação da exposição à poluição com desempenho e cognição, que acabamos não fazendo desta vez”, revela Silveira.

Já o ICAM-1 é uma molécula de adesão (que permite a ligação entre células) relacionada aos processos inflamatórios. “No início do processo de inflamação há um aumento do ICAM-1 porque é ele que faz a ligação dos macrófagos (células do sistema imunológico) para as células lesionadas. Trata-se de um marcador precoce da inflamação, indica o estado inflamatório bem no início. Em nosso experimento, caso tivéssemos observado um aumento da inflamação por causa da poluição, o ICAM-1 poderia estar bem expresso no teste feito em ambiente poluído, e não foi isso o que aconteceu. Mas existe muito pouco na literatura para que possamos discutir o ICAM-1 e os resultados referentes a ele, ainda.”

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Silveira afirma que a equipe imaginou que haveria prejuízo da performance do cliclista porque supôs que, em um ambiente poluído, haveria aumento da percepção subjetiva de esforço. “Na competição, o participante tem controle da intensidade do exercício pela percepção subjetiva de esforço, e vai fazendo ajustes ao longo da prova com base nisso. Imaginei que teríamos aumento dessa percepção de esforço no ambiente poluído causado pelos sintomas subjetivos da poluição (ardência de olho, nariz escorrendo) e isso prejudicaria o desempenho, mas isso não se confirmou. Outro ponto surpreendente foi o dos marcadores inflamatórios porque, como tínhamos estudos prévios do grupo mostrando que após 60 minutos havia aumento desses marcadores, imaginamos que numa prova de longa duração, com intensidade mais alta comparada à prova de carga constante, também haveria aumento. Não ver diferença nesses marcadores foi surpresa.”

Segundo ele, a maior conclusão do trabalho é que o exercício faz bem mesmo em ambientes poluídos, para pessoas adaptadas a esse tipo de ambiente. “Em meu pós-doutorado, submetido há pouco, pretendo fazer a distinção e separar os grupos menos e mais expostos à poluição. Quero fazer essa comparação para saber se o nível de exposição prévia interfere de alguma forma na inflamação, nas adaptações cardiovasculares e no exercício.”

O artigo completo pode ser lido em https://journals.physiology.org/doi/abs/10.1152/ajpregu.00305.2021.

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Confira 10 dicas de saúde para o verão

Alimentação e a pele merecem atenção especial durante a estação mais quente do ano que começa nesta quarta-feira (21)

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O verão está chegando, com seus dias ensolarados e de muito calor. Para curtir com saúde e responsabilidade a estação mais quente do ano, é importante adotar alguns cuidados básicos, já que algumas infecções, queimaduras e outras doenças se tornam mais frequentes.

“Um dos itens prioritários da lista é a pele, que fica mais exposta aos raios solares, UVA e UVB, principalmente no período festivo e de férias, onde as praias, piscinas e rios ficam lotados. Além das queimaduras momentâneas, que podem estragar o seu momento de lazer, há ainda o risco do câncer de pele, tipo mais frequente da doença no Brasil”, alerta Gisele Abud, médica e diretora Técnica da Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA) Zona Leste, em Santos.

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A unidade, que pertence a rede pública de saúde da Prefeitura de Santos, sendo gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, está localizada na região litorânea do estado de São Paulo e atua como referência para urgências em Clínica Médica, Ortopedia, Pediatria e Odontologia.

Os raios UVA, que respondem por cerca de 95% da radiação emitida pelo sol, são os mais preocupantes para a saúde, pois estão presentes todos os dias e atingem camadas profundas da pele. Já o UVB, é comum nas estações mais quentes, como o verão, e atinge camadas superficiais da pele, causando vermelhidão e queimaduras.

“A diferença entre eles está, principalmente, na profundidade dos danos causados por cada um na pele. É muito importante usar protetor solar com fator de proteção e quantidade adequadas, evitar os horários de maior incidência do sol e utilizar roupas e acessórios para complementar a proteção”, orienta a profissional.

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Outro ponto de atenção é em relação à alimentação. “Qualquer alimento preparado com muita antecedência e não armazenado de forma apropriada, ou sem os cuidados de higiene adequados, pode servir como meio de cultura para as bactérias, ocasionando quadros de intoxicação alimentar”, explica Gisele. “Por isso, nesta época de altas temperaturas é necessário ter uma atenção redobrada com a higienização, o preparo e o armazenamento dos alimentos”, complementa.

A intoxicação alimentar pode apresentar desde sintomas leves e moderados, que variam entre dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia – ocasionando desidratação –, até casos mais extremos, com quadros abdominais graves com risco de paralisia muscular, com consequente parada respiratória.

É essencial ter atenção aos alimentos consumidos, dando prioridade para os ricos em água – para favorecer a hidratação – , e de fácil digestão, como as frutas, legumes e verduras. “Evite os alimentos com alta densidade calórica ou muito gordurosos, como frituras, já que são mais difíceis de serem digeridos e por isso podem causar desconforto e mal-estar”, enfatiza a diretora da UPA.

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Para se manter hidratado, o recomendado é ingerir, pelo menos, dois litros de água diariamente. Temperatura, exposição solar e atividade física são os fatores mais comuns que aumentam o volume de água necessária a ser reposta no organismo. “É importante lembrar ainda que o consumo excessivo de bebidas alcóolicas também favorece a desidratação, por isso, além de beber moderadamente, é importante intercalar com o consumo de água”, orienta Gisele.

Em regiões litorâneas como a Baixada Santista, vale ainda o alerta em relação aos afogamentos. “A maioria das mortes ocorre porque as pessoas ignoram os riscos, não respeitam seus limites pessoais e não sabem como agir nessas situações”, lembra a médica. No Brasil, as principais causas de afogamento nas praias são a ingestão de bebidas alcoólicas, correntes de retorno, depressão no fundo das praias e o impacto das ondas, que arremessa o banhista para baixo.

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Confira as dez principais orientações para curtir o verão com responsabilidade e cuidar da saúde:

– Use e abuse do protetor solar, com atenção à quantidade e fator de proteção;

– Complemente a proteção com acessórios como guarda-sol, chapéus, bonés e óculos de sol;

– Mantenha a pele limpa e seca, retirando o excesso de sal e areia, para evitar reações alérgicas e infecções;

– Consuma bastante água e mantenha-se hidratado;

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– Cuidado com alimentos calóricos e gordurosos, que podem ser de difícil digestão;

– Dê preferência para comidas mais leves e ricas em nutrientes e sais minerais, como frutas e legumes;

– Cuidado com o manuseio e armazenamento de alimentos, mantendo a refrigeração necessária;

– Não entre no mar/piscina logo após comer;

– Atenção ao consumo de bebidas alcóolicas, além da saúde, isso é essencial para evitar acidentes;

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– Cuidado ao entrar em mar, piscina ou rios. Mesmo sabendo nadar, siga sempre as orientações dos guarda-vidas e placas de sinalização.

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Saúde íntima no verão: quais cuidados ter para evitar doenças ginecológicas

Atenção com a higiene, roupas, uso de maiôs e biquínis molhados

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A região íntima da mulher requer cuidados em todas as épocas do ano, e durante o verão – que inicia dia 21 de dezembro e vai até 20 de março de 2023 – a atenção precisa ser ampliada devido às temperaturas altas que destroem as bactérias que protegem a flora vaginal e favorecem o aparecimento de microorganismos que podem gerar doenças ginecológicas, é o que explica o ginecologista e obstetra, Francisco Mota.

“Vivemos num lugar quente. É normal que as mulheres passem tempo na praia e piscina. Naturalmente, pelo banho vai aumentar a umidade na região íntima, sendo um ambiente oportunista para proliferação de fungos. Essa exposição a roupas úmidas por longos períodos pode aumentar o risco das infecções da vulva e vagina (vulvovaginite), isso porque as temperaturas mais elevadas acabam destruindo os lactobacilos que são as bactérias que protegem a flora vaginal”, informa.

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O especialista acrescenta que a principal patologia no verão nas mulheres é a candidíase, que é uma infecção que provoca coceira intensa, vermelhidão e corrimento. O público feminino precisa ficar atento aos hábitos de higiene nesta época, acrescenta Francisco Mota, que também é professor e coordenador adjunto do curso de Medicina da Unex, em Feira de Santana. 

A região vaginal possui a própria proteção, que é constituída de bactérias que equilibram o pH, por isso a escolha do sabonete íntimo é importante. “O pH ácido deve ser abaixo de 7, respeitando as propriedades naturais de defesa da região. A ducha também não deve ser usada pois ela destrói as bactérias protetoras do local. O sabonete íntimo deve ser utilizado para lavar a vulva, na região externa da vagina. Optar também por um sabonete neutro”, orienta.  

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A mulher também precisa prestar atenção nas roupas,maiôs e biquínis molhados durante o verão para não aumentar os índices de infecção. “Se vai passar um dia inteiro na praia ou piscina, é ideal levar dois trajes de banho para se trocar e não ficar com a roupa molhada o tempo inteiro. Se não vai mais entrar na água, coloque uma roupa seca. As calças jeans e roupas apertadas abafam a região íntima e faz com que a vulva não respire adequadamente, favorecendo o crescimento de fungos e bactérias, por isso optar por roupas arejadas”, recomenda o especialista Francisco Mota.   

O professor do curso de Medicina da faculdade em Feira de Santana enfatiza que no período mestrual é importante que a mulher troque o absorvente quando estiver cheio, pois o ambiente é propício para o crescimento de bactérias também. “Atenção ao uso de protetores diários, que podem deixar a vulva mais úmida que o normal. Faça consulta com seu ginecologista regularmente. É essencial procurar orientação médica para receber as instruções necessárias para o tratamento de problemas ginecológicos”, esclarece. 

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Dezembro Vermelho: cresce número de casos de AIDS entre jovens de 15 a 24 anos

Médica de família da Kipp Saúde fala sobre a redução de diagnósticos de AIDS nos últimos anos e preocupação em relação aos jovens que estão entre os principais afetados pela doença

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O tema ainda é um tabu em muitas rodas de conversas por ter assombrado a década de 1980. Mas, mesmo apresentando redução no número de casos, o mundo ainda vive uma pandemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, popularmente conhecida como AIDS.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico HIV/AIDS publicado recentemente pelo Ministério da Saúde, no Brasil, de 1980 até junho de 2022, foram diagnosticados mais de 1 milhão de casos de AIDS. A boa notícia é que a taxa de detecção da doença apresentou redução de 26,5% em 2021, mas ainda há um número que desperta a atenção: a infecção em mais de 52 mil jovens entre 15 e 24 anos, de ambos os sexos, evoluiu para AIDS e isso mostra que o desenvolvimento da doença nessa faixa etária precisa ser observado com cuidado.

Para a médica de família da Kipp Saúde, Clarissa Willets, a qualidade das informações a respeito do assunto deveria ser um dos focos das políticas públicas para atingir os jovens. “É preciso utilizar formas de comunicação mais segmentadas para os jovens, especialmente na internet. A UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) deixa claro que uma atenção específica deve ser destinada à juventude brasileira, tendo em vista os diferentes cenários em que eles estão – área rural, urbana, quilombolas, indígenas, periferias etc. Ações de educação mais direcionadas para esse público devem ser incentivadas, especialmente sobre prevenção, diagnóstico e tratamento”, diz.

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Ainda de acordo com a médica, as políticas públicas de saúde devem focar também no estímulo à testagem e diagnóstico precoce. Além de ser fundamental um prognóstico mais favorável, o tratamento também é uma forma de prevenção da transmissão, porque indivíduos com carga viral indetectável não transmitem o vírus. O Brasil tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de renda média e baixa. Das pessoas estimadas vivendo com HIV, 84% já fizeram o teste, dessas, 75% estão em tratamento e, dentro deste grupo, 92% está com carga viral indetectável.

HIV x AIDS

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da AIDS, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Já a AIDS é a sigla em inglês para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. 

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“Ter HIV não significa ter AIDS. Existem muitas pessoas com HIV que vivem anos sem apresentar qualquer sintoma. A AIDS ocorre em uma parcela das pessoas soropositivas, ou seja, que têm o vírus HIV, especialmente quando essas pessoas não fazem tratamento antiviral durante muitos anos”, explica a médica da Kipp.

Diagnóstico e cura

A infecção pelo vírus HIV é considerada uma doença crônica que conta com tratamento eficaz. “Pessoas que aderem à terapia antirretroviral podem ficar com carga viral indetectável durante muitos anos, de modo que seu organismo funciona como o de uma pessoa que não vive com o HIV. Porém, se descontinuar o tratamento, o vírus volta a se multiplicar e a doença pode progredir para a AIDS”, comenta Willets.

A médica lembra ainda que o diagnóstico precoce é muito importante para um prognóstico mais favorável, afinal, a AIDS pode matar. Em 2020 foram mais de 10 mil óbitos pela doença.

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Prevenção

A principal forma de transmissão do vírus HIV ainda é por relação sexual sem proteção, mas é possível contrair o vírus por outros meios, que incluem o compartilhamento de seringas e objetos cortantes de uso pessoal, como alicates de cutículas.

“Precisamos deixar claro, também, que picadas de inseto, aperto de mão ou compartilhamento de copos e talheres não transmite o vírus e que esse é um tabu que precisa ser quebrado”, finaliza a médica.

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Dezembro Vermelho

Dezembro Vermelho é uma campanha nacional, instituída pela Lei nº 13.504/2017, que promove a prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos humanos das pessoas que vivem com HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis.

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Confira 7 dicas realistas para uma alimentação saudável nas festas de fim de ano

Nesta época do ano, as confraternizações de Natal e Ano Novo são fartas de comidas típicas e bebidas alcoólicas. Até mesmo quem tem uma rotina saudável o ano inteiro, costuma não conseguir desviar da comilança.

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Nos encontros de familiares e amigos, não podem faltar pratos como pernil, filé mignon, costelinha suína, peixe, bacalhau e as deliciosas sobremesas de tortas, mousses e sorvete. Alimentos ricos em gorduras, açúcares e carboidratos que em excesso fazem muito mal para a saúde.

Apesar de tantos pratos deliciosos, será que é possível passar uma virada de ano comemorando com uma alimentação pelo menos equilibrada?

A nutricionista Rivianne Santos Dionísio, que atua na Clínica Censo, em Parauapebas (PA), elaborou uma lista de “dicas realistas” para quem deseja aproveitar a ceia das festas de fim de ano, aliando a tradição dos alimentos típicos da época e uma vida mais saudável.

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1-   Se alimente normalmente antes e após as festas

Nada de jejum antes da ceia. Ficar horas sem comer reservando espaço no estômago para o momento da ceia pode aumentar a sensação de fome e fazer você comer mais do que de fato o seu corpo necessita. Portanto, se alimente normalmente antes e depois das festas, pois ficar em jejum após a confraternização para compensar a comilança, pode gerar compulsão e desidratação.

2-   Não exagere na quantidade

São muitas opções deliciosas, é verdade! Mas foque em fugir dos exageros. Comer além do que o seu corpo consente pode gerar efeitos como desconforto abdominal, indigestão, ressaca e o sentimento de culpa. As ceias não precisam ser sinônimo de gula. É possível fazer refeições saudáveis e saborosas em quantidade adequada.

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3-   Evite alimentos embutidos

Os embutidos (linguiça, bacon, salaminho, presunto etc.) estão presentes na maioria dos pratos das festas de fim de ano: nas tábuas de frios, farofas e recheios de carnes e são ricos em sódio e gorduras. Parece impossível, mas não custa tentar. Que tal escolher apenas um prato, focando naquilo que você mais gosta?

4-   Coma devagar e com atenção

Se você seguiu a dica 1, esta será fácil de cumprir porque você terá se alimentado antes da festa, e poderá fazer a ceia com tranquilidade e apreciando os sabores de cada alimento. Coma devagar e mastigue bem os alimentos, pois isso ajuda a melhorar a digestão e a sensação de saciedade.

5-   Atenção ao armazenamento dos alimentos

Quer evitar uma intoxicação alimentar? Então fique atento ao armazenamento dos alimentos. Pratos expostos por muito tempo e mal acondicionados são suscetíveis à contaminação por bactérias e parasitas. Além disso, evite ingerir gordura e açúcar além da capacidade normal, pois o excesso destas substâncias também pode causar intoxicação. Atenção aos sintomas de intoxicação alimentar: língua seca, fraqueza, sensação de desmaio, ausência de urina, vômitos e diarreias.

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6-   Consuma bebidas alcoólicas com moderação

Posso beber? Pode! Deveria? Não. Mas se for beber, beba com moderação. Não misture bebidas alcoólicas diferentes, como destilados e cervejas, e intercale sempre com água para não desidratar e evitar a ressaca no dia seguinte. Comer antes e depois de beber também é importante para repor os nutrientes e eliminar o álcool do organismo. Tome muita água e água de coco. Faça refeições leves contendo frutas, sucos naturais e cereais integrais.

7-   Dance, brinque e divirta-se!

Por fim, desfrute da companhia de pessoas, não fique focado apenas em comer!

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Caso Celine Dion: neurocientista revela detalhes da síndrome da pessoa rígida

A cantora Celine Dion, de 54 anos, revelou ter um distúrbio neurológico raro chamado “síndrome da pessoa rígida”.

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De acordo com o PhD em Neurociências Fabiano de Abreu Agrela, que já realizou estudos sobre a síndrome, a doença é extremamente rara e afeta duas vezes mais mulheres do que homens e se manifesta geralmente por espasmos dolorosos.

Outros sintomas que também podem caracterizar o distúrbio, que geralmente aparecem entre os 30 e os 70 anos, são: a hiperreflexia e a rigidez muscular axial que pode ainda, progredir lentamente para os músculos proximais dos membros.

Conforme Fabiano, os espasmos são desencadeados, na maioria dos casos, por sensações de medo, estímulos táteis ou auditivos inesperados.

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“As características funcionais do portador da doença são a marcha lenta, a perda insidiosa da flexibilidade do tronco e, posteriormente, da musculatura dos membros. Fato que leva a dependência de terceiros”, explicou.

Um estudo, publicado na revista científica Cognitions, concluiu que a descompressão medular e radicular por meio da discectomia endoscópica transforaminal foi eficiente em controlar a dor radicular e disfunção neural pela compressão sem apresentar agressões tecidulares, o que poderia ser um gatilho para os espasmos.

“A rizotomia A-RF, por sua vez, conseguiu bloquear a entrada de estímulos nociceptivos da artrose facetária que sustentavam uma via de retroalimentação de dor-rigidez-dor. Já a rizotomia P-RF, se mostrou eficiente em modular a dor crônica, possivelmente por múltiplas causas”, diz trecho do artigo.

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Por isso, conforme Fabiano, é necessário avaliar diferentes esferas do relato de uma dor crônica. Pois, a dor relatada por um paciente deve ser abordada nos âmbitos biológico, psicológico e social.

“Compreender a multidimensionalidade da dor, pode ajudar a desenvolver estratégias menos agressivas e mais eficientes em pacientes pouco convencionais, como no caso da SPS”, comentou o professor sobre o estudo.

Sobre Fabiano de Abreu

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, é um Pós-doutor e PhD em neurociências eleito membro da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society e Membro da Society for Neuroscience (USA), Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat, membro-sócio da APBE – Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva. Membro Mensa, Intertel e TNS.

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Pandemia acelerou envelhecimento do cérebro de adolescentes, afirma estudo

De acordo com estudo, a pandemia causou um envelhecimento precoce do cérebro de jovens em cerca de três anos

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A pandemia e o consequente isolamento social foram extremamente prejudiciais para a saúde mental da sociedade como um todo, no entanto, esses impactos negativos podem ser mais intensos entre os adolescentes.

É o que indica a nova pesquisa realizada por um grupo de cientistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos e publicado pela revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science, que afirma que o isolamento social causado pela pandemia estimulou o envelhecimento precoce de cerca de três anos nos jovens.

O estudo analisou dados de ressonâncias magnéticas de um grupo de 128 adolescentes durante o primeiro ano de pandemia, e identificou alterações no desenvolvimento de áreas importantes do cérebro como o hipocampo, amígdala e córtex cerebral, responsáveis por funções como memórias, sentimentos, linguagem e percepção social.

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Essas alterações estão normalmente relacionadas a situações traumáticas como violência, dependência e disfunções familiares, causando geralmente doenças como depressão, ansiedade, doenças cardíacas e dificuldade em lidar com emoções.

Esse envelhecimento acelerado pode causar uma série de problemas durante a vida dos jovens, como alerta o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

O envelhecimento precoce do cérebro de adolescentes é uma situação séria pois desenvolve de forma anormal áreas do cérebro responsáveis por importantes funções, como a formação de memórias e regulação de emoções, ter alterações nessas funções pode significar uma estimulação ainda maior ao aumento de casos de ansiedade e depressão entre os jovens” Ressalta.

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O estudo não indicou se as alterações são permanentes, no entanto, as mudanças não foram identificadas em grupos de outras faixas etárias, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, após os participantes completarem 20 anos, serão reanalisados para identificar como os impactos se mantêm ao longo do tempo.

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Dezembro Laranja faz alerta para prevenção do câncer de pele

Apesar de evitado por meio de cuidados básicos com a pele, trata-se do tipo de câncer mais comum no Brasil

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O câncer de pele é o mais comum no Brasil, respondendo por cerca de 33% de todos os diagnósticos da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O tipo não melanoma, que surge nas células basais ou nas escamosas, é um dos mais incidentes, com cerca de 185 mil novos casos por ano, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

“Em um país tropical como o Brasil, com alta incidência solar durante todo ano, a doença é mais frequente. Histórico familiar, pessoas de pele e olhos claros e o excesso de exposição solar sem proteção adequada, são fatores de risco para o câncer de pele”, destaca Gisele Abud, diretora Técnica da Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA) Zona Leste, em Santos.

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A unidade pertence a rede pública de saúde da Prefeitura de Santos, sendo gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, está localizada na região litorânea do estado de São Paulo e atua como referência para urgências em Clínica Médica, Ortopedia, Pediatria e Odontologia.

“Neste período de verão e férias, além do alto fluxo de turistas, temos também mais pessoas realizando esportes e atividades ao ar livre, com maior exposição ao sol. Por isso, precisamos falar sobre a prevenção”, ressalta a diretora. Neste mês acontece nacionalmente a campanha Dezembro Laranja, organizada pela SBD, que busca promover a conscientização sobre os riscos da doença e reforçar as orientações sobre cuidados adequados.

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Apesar da prevenção do câncer de pele consistir em cuidados básicos com a pele, grande parte da população não se protege, ou não sabe como se proteger. De acordo com a última pesquisa do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele, realizada em 2017, 70% dos brasileiros não usam protetor solar diariamente, e 80% dos que usam o produto, não sabem a quantidade correta para aplicação.

“É importante ressaltar que os danos causados pelo sol são acumulativos. Portanto, ao longo do tempo, quanto mais frequente e duradoura é a exposição, maior a possibilidade de surgir manchas na pele, envelhecimento precoce e tumores malignos”, explica Gisele.

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Medidas de prevenção

Evitar a exposição excessiva ao sol e proteger a pele dos efeitos da radiação UV são as melhores formas de prevenção aos tipos de câncer cutâneo. Pessoas que possuem antecedentes familiares com histórico de câncer de pele, queimaduras solares e muitas pintas devem ter atenção redobrada aos seguintes cuidados:

  • Use protetor solar com FPS mínimo de 30;
  • Utilize filtros solares diariamente, aplicando o produto pela manhã e antes do horário de almoço;
  • Evite a exposição solar entre 10 e 16 horas;
  • Na praia ou na piscina, use barracas de algodão ou lona que absorvem 50% da radiação ultravioleta;
  • Use chapéus de abas largas, óculos escuros e camisetas;
  • Proteja bebês e crianças do sol, o protetor pode ser usado a partir dos seis meses.
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Atenção aos sintomas

“Por ser menos agressivo e ter alto índice de cura, é importante prestar atenção aos sintomas do câncer não melanoma, para realização do diagnóstico precoce. Clinicamente, esse tipo de câncer se manifesta por lesões vermelhas que formam ‘cascas’, feridas que não cicatrizam ou tumores róseos pequenos”, alerta Gisele.

Apenas a avaliação de um especialista, ou uma biópsia, podem diagnosticar a doença, entretanto, é necessário atenção a outros sintomas, como:

  • Pintas pretas ou castanhas que mudam de cor, textura, tamanho e tornam-se irregulares nas bordas;
  • Manchas ou feridas que não cicatrizam e continuam crescendo, apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento;
  • Em casos em que o câncer avançou, pode-se observar nódulos na pele, inchaço nos gânglios linfáticos (região do pescoço, axila e virilha), falta de ar ou tosse, dores abdominais e dores de cabeça. 
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“Há alguns fatores que ajudam a identificar cânceres perigosos. Tumores malignos são assimétricos, com borda irregular, superiores a 0.5 centímetros, apresentam mais de dois tons e crescem ao longo do tempo”, explica a profissional.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que nenhum exame caseiro substitui a avaliação médica. Por isso, é importante realizar consultas periódicas com dermatologistas e, ao identificar qualquer sintoma, é necessário procurar ajuda médica. 

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Na Amazônia, amamentação diminuiu risco de malária em crianças menores de 2 anos

André Julião | Agência FAPESP – Estudo que acompanha crianças nascidas entre 2015 e 2016 na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, encontrou uma associação entre o tempo de amamentação e o risco de infecção pelo Plasmodium vivax, parasita causador da malária. Entre 435 crianças acompanhadas até o segundo ano de vida, aquelas que foram amamentadas por um ano ou mais tiveram uma chance 79,8% menor de serem infectadas.

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Os resultados, publicados no Pediatric Infectious Disease Journal, foram obtidos no âmbito do “Estudo MINA – materno-infantil no Acre: coorte de nascimentos da Amazônia ocidental brasileira”, realizado com apoio da FAPESP na região conhecida como Vale do Juruá, que responde por 18% dos casos de malária no país.

“Em um trabalho anterior, vimos que a incidência de casos de malária notificados foi baixa ao longo do primeiro ano de vida e aumentou de forma pronunciada no segundo ano. Fizemos sorologia para identificar infecções não notificadas e vimos que a exposição ao Plasmodium vivax foi muito maior do que registrado. No primeiro ano, 77% das infecções não foram diagnosticadas e, nos primeiros dois anos, ao menos metade das infecções não teve diagnóstico e, portanto, não foi tratada com antimaláricos”, conta Anaclara Pincelli, primeira autora do estudo, realizado durante doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) (leia mais em: agencia.fapesp.br/36352/).

O trabalho foi realizado sob orientação de Marcelo Urbano Ferreira, professor do ICB-USP.

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Nos dois primeiros anos de vida, 665 crianças foram acompanhadas pelo estudo, mas só foi possível coletar amostras de sangue de 435. Os pesquisadores fizeram testes sorológicos para três diferentes antígenos do parasita para identificar a exposição das crianças ao Plasmodium vivax, que provoca a malária quando inoculado pela picada de mosquitos.

“Muitos casos são assintomáticos ou com sintomas leves, o que faz com que nem todos busquem auxílio médico e sejam testados. Além disso, os níveis do parasita no sangue podem estar indetectáveis pelo exame de microscopia, usado para diagnosticar a infecção”, explica Marly Augusto Cardoso, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e coordenadora do Estudo MINA.

O trabalho é o primeiro a relacionar o aleitamento materno como fator de proteção contra o Plasmodium vivax, responsável por 85% dos casos de malária na região.

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Os poucos estudos que se debruçaram sobre a relação entre amamentação e malária foram realizados na África Subsaariana, onde predomina outra espécie do parasito, o Plasmodium falciparum, causador de formas mais graves da doença.

Leite materno protetor

O estudo detectou ainda que malária na gestação foi um dos principais fatores associados com aumento de risco de malária nos primeiros dois anos de vida.

Em se tratando de uma região endêmica da doença, os pesquisadores acreditam que a testagem contínua, pelo menos nas consultas de rotina, seria uma forma de compreender melhor o impacto da exposição à doença nas crianças.

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Além disso, eles ressaltam a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e continuado pelo menos até 2 anos de idade, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em média, nessa população, a amamentação exclusiva ocorreu apenas até os primeiros 16 dias de vida, quando foram introduzidos outros alimentos não recomendados.

“Nossa ideia agora é analisar não apenas os dados de malária até os 5 anos de idade, como também verificar o impacto da doença no desenvolvimento das crianças”, encerra Cardoso.

Pela apresentação do trabalho na 8th International Conference on Plasmodium vivax Research, ocorrida em abril, Anaclara recebeu como prêmio na categoria para estudantes uma ilustração com os resultados do estudo.

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O artigo Prolonged Breastfeeding and the Risk of Plasmodium vivax Infection and Clinical Malaria in Early Childhood: A Birth Cohort Study pode ser lido em: https://journals.lww.com/pidj/Citation/2022/10000/Prolonged_Breastfeeding_and_the_Risk_of_Plasmodium.2.aspx.

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Novo modelo de rotulagem de alimentos do Brasil é menos eficaz para identificar produtos nocivos voltados a crianças que modelos adotados na América Latina

Por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alimentos vendidos no Brasil ganharam nova rotulagem em outubro. Entre as mudanças, uma das mais importantes é a inclusão de um selo frontal com uma lupa. O ícone indica produtos com altos teores de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio — teores estes definidos pelo perfil nutricional eleito pela agência, mais permissivo do que perfis nutricionais adotados por outros países da América Latina e do que o perfil recomendado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Essa permissividade torna o modelo brasileiro menos eficaz em identificar alimentos com presença de publicidade dirigida para o público infantil e que são nocivos à saúde das crianças. É o que concluem pesquisadoras do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) em estudo publicado na “Frontiers in Nutrition” nesta semana.

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Assim como ocorre em diversos países, alimentos voltados para o público infantil no Brasil costumam ter ações de marketing na própria embalagem. Exemplos são a imagem de personagens infantis, de celebridades do esporte e alegações sobre crescimento e desenvolvimento. Para testar a eficácia do perfil nutricional brasileiro em identificar nutrientes em excesso nestes produtos, as cientistas fizeram um experimento: analisaram cerca de 3500 alimentos e bebidas de acordo com seis diferentes perfis nutricionais (Brasil, Chile. México, Uruguai, Peru e o modelo estabelecido pela Opas).

O resultado mostrou que 30% dos alimentos selecionados tinham pelo menos uma estratégia de marketing para o público infantil, e que 61% dos produtos eram alimentos ultraprocessados. As bebidas adoçadas (como refrigerantes e sucos de caixa) tiveram a maior prevalência de marketing infantil no rótulo. Entre os diferentes perfis nutricionais analisados, os da Opas e do México foram os mais efetivos em identificar ao menos um nutriente crítico nos alimentos com presença de publicidade dirigida para crianças no rótulo. O modelo brasileiro teve a pior performance: das bebidas ultraprocessadas, por exemplo, menos de 20% levariam o selo frontal da Anvisa.

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“A performance da nova rotulagem adotada no Brasil é preocupante, e mostra que o modelo pode não ser eficaz para o entendimento do consumidor sobre a saudabilidade do alimento, ainda mais quando tem a presença da publicidade reforçando sua compra”, diz Camila Borges, uma das autoras do estudo. “A presença de marketing infantil desperta o desejo das crianças pelo produto. Ao mesmo tempo, a ausência de um destaque sobre teores inadequados de nutrientes como açúcar e sódio pode fazer com que o alimento pareça saudável, influenciando na decisão de compra dos responsáveis.”A detecção da presença de açúcar foi o quesito com maior diferença entre os perfis nutricionais analisados: enquanto o modelo mexicano foi capaz de identificar teor inadequado em 81% das bebidas lácteas, por exemplo, com presença de publicidade voltadas ao público infantil, o modelo brasileiro identificou apenas 19%.

Para Borges, o perfil nutricional pode ser uma ferramenta importante para regular o marketing infantil em alimentos ultraprocessados altos em açúcar adicionado, gordura e sódio — caso isso venha a acontecer, o estudo aponta que será necessário revisar os patamares tolerados para os nutrientes críticos, bem como os critérios de elegibilidade para ampliar a lista de alimentos que devem receber selos frontais em formato de lupa. “A regulação de alimentos ultraprocessados é de extrema importância, tendo em vista que a obesidade e o sobrepeso atingem uma em cada cinco crianças e adolescentes na América Latina, sendo uma das mais altas prevalências do mundo.”

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