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Instituto Cultural Vale celebra a literatura e leva o Maranhão à 20ª edição da FLIP

Programação oferecida pelo Instituto, que apoia mais de 350 iniciativas culturais no Maranhão e no Brasil, inclui cortejo de Bumba meu Boi e Tambor de Crioula para celebrar a autora homenageada Maria Firmina dos Reis

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O Instituto Cultural Vale celebra a literatura, as artes e a cultura brasileira e maranhense na 20ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), de 23 a 27 de novembro. Com patrocínio oficial do Instituto, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a FLIP retoma este ano as atividades presenciais e homenageia a autora maranhense Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista negra do Brasil. 

Como parte de sua programação, o Instituto leva duas das mais tradicionais manifestações artísticas maranhenses para a festa literária: o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula. No Brasil, o Instituto Cultural Vale apoia mais de 350 iniciativas culturais, além de abraçar espaços culturais próprios, como o Centro Cultural Vale Maranhão, que valoriza os fazeres e saberes maranhenses e promove o desenvolvimento local.

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“Promover o desenvolvimento local, por meio da valorização da cultura e da criação de oportunidades para os fazedores de cultura de todo o Brasil, é uma das nossas missões no Instituto Cultural Vale. Por isso, é uma alegria trazer e celebrar o Maranhão na Flip, proporcionando o contato do público com manifestações culturais únicas, como o Bumba meu Boi e o Tambor de Crioula, e evidenciando o trabalho de artistas que integram o maior quilombo urbano do Brasil, o Quilombo da Liberdade”, afirma Hugo Barreto, diretor-presidente do Instituto Cultural Vale.

O Bumba Meu Boi da Floresta tem 50 anos de história e, assim como o Tambor de Crioula Prazer de São Benedito, que estará também presente na Flip, integra programações do Instituto Cultural Vale no Maranhão. O cortejo do Boi sairá pelas ruas de Paraty no dia 23, logo após a mesa inaugural, que vai debater a importância de Maria Firmina dos Reis para questões como feminismo, engajamento dos artistas e o papel da mulher negra na sociedade. Fundado por Mestre Apolônio, o Bumba Meu Boi da Floresta é uma brincadeira tradicional que constrói sua musicalidade com matracas e pandeirões, exaltando sua influência africana.

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“Quem conduz o Boi da Floresta em todo seu alcance na comunidade do bairro da Liberdade, em São Luís, é uma mulher negra. Maria Firmina e Nadir Cruz são pontas para a resistência ampliada do povo negro, da cultura popular e principalmente das mulheres enquanto agentes ativos de produção e fala”, comenta Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão.

Já no dia 25, o público vai poder dançar junto com o Tambor de Crioula Prazer de São Benedito, também fundado por Mestre Apolônio como forma de preservar os valores e tradições do tambor de crioula no bairro da Liberdade, em São Luís. Uma das figuras mais importantes da cultura popular maranhense, Apolônio Melônio desenvolveu trabalhos de formação para crianças e adolescentes em sua comunidade e, após sua morte, o trabalho foi continuado por sua mulher, Nadir Cruz. 

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“Estar à frente de um terreiro e barracão de boi, reconhecido pela sua produção, é muita coisa. Para além, estar à frente dos movimentos de transformação do maior quilombo urbano do Brasil, podendo representá-lo numa feira literária, é um ganho de alcance e de partilha de outros valores possíveis para uma sociedade mais justa”, afirma Nadir Cruz.

Com a presença e incentivo a um dos principais eventos literários do país, o Instituto, que também patrocina o Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), a Feira do Livro de São Luís (FeliS) e a exposição “Nhe he Porã – Memória e Transformação no Museu da Língua Portuguesa, reforça seu investimento na formação de novos leitores, proporcionando novas experiências por meio da literatura. E estreita a sinergia com a atuação da Vale na Costa Verde do Rio de Janeiro, onde apoia iniciativas como a Orquestra Jovem de Itaguaí e a Casa da Cultura de Paraty, que recebe a programação paralela da Flip.    

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Programação – Instituto Cultural Vale e Maranhão na FLIP

23/11 (quarta-feira), 21h30

Cortejo do Bumba Meu Boi da Floresta de Mestre Apolônio

Saída em frente à Igreja da Matriz

24/11 (quinta-feira), às 21h30

Apresentação do Bumba Meu Boi da Floresta de Mestre Apolônio

Auditório da Praça

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25/11 (sexta-feira), às 21h30

Tambor de Crioula Prazer de São Benedito

Auditório da Praça

26/11, às 19h

Intercâmbio e vivência com grupos locais.

Ocupa Parati / Praça Aberta

Mesas:

Flipinha

Dia 25/11 (sexta-feira), às 9h 

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Roda de conversa: Conversa à beira-mar. 

Participantes: Andréa Oliveira (autora de “Maria Firmina, a menina abolicionista”) e Simone Mota (autora “Carolayne, Carolina e as histórias do diário da menina”). 

As autoras debatem o legado e as vivências das escritoras negras Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus.

Central Flipinha (Praça da Matriz)

Flip +

Dia 25/11 (sexta-feira), às 20h30

Painel: “Maria Firmina dos Reis: a trajetória inspiradora da primeira romancista brasileira

Painelistas: Agenor Gomes (Palestrante), Luciana Diogo (Palestrante) e Natércia Moraes Garrido (Moderadora).

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Casa da Cultura de Paraty (R. Dona Geralda, 194, Centro Histórico). Senhas serão distribuídas gratuitamente 1h antes do painel (100 vagas)

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Segunda semana de Território Corpo começa com curso sobre Cinema Queer

Programa do Centro Cultural Vale Maranhão traz ainda oficina de maquiagem artística e uma ball room

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O Território Corpo é o programa do Centro Cultural Vale Maranhão que abre espaço para o fazer artístico e para o diálogo sobre as relações entre corpo, arte e sociedade a partir de diferentes perspectivas e subjetividades. Desde o dia 8 de novembro, os espaços do CCVM estão ocupados com performances, shows, oficinas e debates sobre a cultura Queer. “Escolhemos o queer como tema para que possamos pensá-lo enquanto o amplo arco que rege um tipo de comportamento, de estética, de ocupação do espaço público, imbuído de uma orientação sexual e de identidades de gênero ditas como dissidentes. Além disso, é necessário resgatarmos a origem do queer no pensamento popular, enquanto produção de classes baixas, marginais e urbanas, que propõem uma forma de contrapor o que está dado”, comenta Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão e que assina a curadoria do Território Corpo ao lado de Calu Zabel, Ubiratã Trindade e Deyla Rabelo.

Em sua segunda semana de programação, será oferecido o curso “Cinema QUEER: teoria, estética e semiótica desgenerada”, que abrange os novos arranjos e composições estéticas que dão visibilidade a sujeitos que estavam fora do espaço fílmico – pessoas fora do padrão heteronormativo, que interseccionam com outros crivos, como raça, etnia, gênero e orientação sexual. Em cada aula haverá a exibição de um filme e leituras de textos-base que instigarão discussões entre os participantes sobre questões como epistemologias do corpo e produção de subjetividades. Quem ministrará as aulas é Prof. Dra. Marina Costin, cientista social, doutora em cinema e estudos de gênero pela University of Sussex (CAPES), com doutorado-sanduíche na University of California Berkeley e professora da U.V. Escola de Cinema do Maranhão/IEMA.

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A programação contará ainda com a oficina O Corpo como Espaço Moldável: Processos Híbridos de Criação, comandada por Alma Negrot, artista multimídia que trabalha com performances, maquiagem e direção de arte em videoclipes, publicidade e editorais de moda, tendo assinado trabalhos de artistas como Karol Conka, Letrux, Jhonny Hooker, Jaloo, entre outros. A oficina tem como objetivo apurar o olhar de forma sensível para o corpo e suas  infinitas possibilidades por meio da maquiagem criativa, utilizando materiais rejeitados, sucata, papel, linhas, botões, rendas e bilros. 

Espetáculos convidados e Afroball concluem a semana

Dois espetáculos serão apresentados essa semana. Ronaldo Serruya, ator e dramaturgo do grupo XIX de Teatro, apresentará a peça-manifesto A doença do outro, que propõe um formato de palestra-performance, partindo de conceitos extraídos do feminismo negro e da teoria queer para aproximá-los da ideia de “outro” que perpassa os corpos positivos e os friccionando com relatos autobiográficos do autor e performer, que vive com HIV desde 2014.

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A atriz Renata Carvalho apresentará Manifesto Transpofágico, onde se veste de seu corpo travesti para narrar a historicidade de sua corporeidade. O espetáculo acontecerá no Teatro Arthur Azevedo, com retirada de ingressos com 2 horas de antecedência na bilheteria, e tem classificação indicativa para maiores de 18 anos.

Encerrando a semana e o Território Corpo Queer, acontece o Afroball, que nasceu com o objetivo de difundir o afrobaile e a cultura ballroom em São Luís. Criada em Nova York, nos anos 80, por travestis negras e latinas que perceberam a necessidade de impor novas realidades em uma sociedade excludente, a cultura ballroom é um espaço onde a pluralidade de corpos e vivências de protagonismo preto e transexual se encontram para performar em categorias e competir por prêmios e reconhecimento.

Toda a programação é gratuita. O Centro Cultural Vale Maranhão está localizado na Rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís.

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Programação Completa

●        16 a 19/11 – 14h às 18h – Curso Cinema Queer: Teoria, estética e semiótica desgenerada, com Marina Costin

                        15h às 19h – Oficina O Corpo como Espaço Moldável: Processos Híbridos de Criação, com Alma Negrot

●        16/11 – 19h – Conversa Aberta O queer, o marginal e a cena, com Glamour Garcia e Ronaldo Serruya

●        17/11 – 19h – Espetáculo A Doença do Outro, com Ronaldo Serruya

●        18/11 – 20h – Espetáculo Manifesto Transpofágico, com Renata Carvalho, no Teatro Arthur Azevedo

●        19/11 – 17h – Afroball, com apresentação de Negroni Blyndex e DJ Gabi Leão

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Sobre o Território Corpo

Criado em 2020, o Território Corpo é o programa do CCVM que abre espaço para o fazer artístico e para o diálogo sobre as relações entre corpo, arte e sociedade a partir de diferentes perspectivas e subjetividades. Em sua primeira edição, teve o tema “Entre Brasil e África Negra” e foi dedicado às danças e à corporeidade negra, com debates e oficinas de danças e artes cênicas em uma programação 100% virtual. Em 2021, com a retomada de atividades presenciais, teve a perspectiva da arte urbana, de rua, como tema, levando para paisagens de São Luís performances, instalações e intervenções.

Sobre o Centro Cultural Vale Maranhão

O Centro Cultural Vale Maranhão é um espaço cultural mantido pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com o objetivo de contribuir na democratização do acesso à cultura e valorização das mais diversas manifestações e expressões artísticas da região.

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CCVM abre inscrições para a 5ª edição do Festival Kebrada

O maior festival de cultura de rua do Maranhão está chegando. O Kebrada, realizado pelo Centro Cultural Vale Maranhão, acontecerá no mês de dezembro e está com inscrições abertas para artistas que queiram compor a programação. Estão sendo aceitas propostas de MCs, bandas e DJs que queiram se apresentar e grafiteiros que tenham interesse em renovar o mural de grafitti do CCVM. As inscrições podem ser feitas pelo site ccv-ma.org.br/editais até o dia 23 de novembro.

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O Festival Kebrada foi criado no ano de 2018 para valorizar a cultura de rua, dando destaque para todos os elementos que a compõem: a dança, o hip hop e o grafite. Ao longo dos anos, mais de 100 artistas já passaram pelo CCVM, entre eles nomes nacionalmente conhecidos como Rincon Sapiência, Erick Jay, Thiago Elniño e BK’. E também já foi palco de nomes maranhenses em ascensão na cena musical, como Marco Gabriel, Hades e Pantera Black.

A programação do CCVM pode ser acessada pelo site e pelas redes sociais @centroculturalvalemaranhao. Toda a programação é gratuita. O CCVM fica localizado na Rua Direita, nº 149, Centro Histórico.

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Parceria entre CCVM e Teatro Arthur Azevedo leva oficina de teatro lambe-lambe para a Semana de Teatro

Em parceria com o Teatro Arthur Azevedo, o Centro Cultural Vale Maranhão oferecerá a oficina de Teatro Lambe-lambe dentro da programação da XVII Semana do Teatro no Maranhão. De 8 a 12 de novembro, das 10h às 13h, a oficina trará conceitos e possibilidades na montagem de cenas dentro de uma caixa para um único espectador, com a linguagem do teatro de animação, objetos, bonecos e sombra. Além da história e dos conceitos que definem a linguagem, a oficina proporá técnicas para a construção de diferentes caixas, cenários, bonecos e investigação de objetos de acordo com proposições que surgirem no encontro.

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O Teatro Lambe-lambe foi criado na Bahia, em 1989, pelas artistas Denise Di Santos e Ismine Lima, que o nomearam assim inspiradas pelos antigos fotógrafos de rua chamados lambe-lambe. Esta linguagem teatral se disseminou pelo mundo, principalmente na América Latina, fazendo-se presente em diversos festivais de teatro de animação.

Quem ministrará as aulas é Fábio Pinheiro, artista plástico e membro fundador da Companhia A Roda de teatro de bonecos, apresentando-se como Animador e Coordenador de Animação em festivais e oficinas no Brasil e exterior, temporadas em Salvador e no Palco Giratório do SESC. Ministrou oficinas de animação e construção de bonecos e participou na montagem de espetáculos de teatro e música como cenógrafo e aderecista. Participa com mais de 200 esculturas em papel na Exposição permanente do Centro de Memória do Circo, Galeria Olido, São Paulo.

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Os interessados devem comparecer ao CCVM no primeiro dia de aula para realizar a inscrição presencialmente. O CCVM fica localizado à Rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís. Ao todo serão oferecidas 25 vagas.

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História e estética do movimento Queer é a temática da nova edição do Território Corpo

Programa do Centro Cultural Vale Maranhão terá duas semanas de atividades que destacam produções locais e nacionais de artistas queer

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O termo Queer foi usado, durante muitos anos, de forma pejorativa para se referir a minorias sexuais e de gênero. Partindo de uma tradução literal – peculiar, estranho -, englobava em seu espectro todos aqueles que não se enquadravam em um padrão imposto pela sociedade. Foi no final dos anos 80 que ativistas tomaram posse do termo de forma política, para exigir respeito, direitos e reconhecimento de uma cultura que rompia com a normatividade heterossexual e com o estereótipo homossexual conhecido.

O viés político do queer, por conseguinte, tem desdobramentos artísticos, seja na moda, no cinema, na fotografia e em diversas linguagens. Entendendo a amplitude criativa que o queer abrange, o Centro Cultural Vale Maranhão apresenta a nova edição do programa Território Corpo, com a cultura Queer como temática, trazendo para os espaços da instituição uma programação com artistas maranhenses e de outros estados brasileiros.

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De 8 a 19 de novembro, o CCVM será ocupado por oficinas, um curso sobre a origem do queer, desfile, debates, shows, performances e um baile no estilo ball room. “Escolhemos o queer como tema para que possamos pensá-lo enquanto o amplo arco que rege um tipo de comportamento, de estética, de ocupação do espaço público, imbuído de uma orientação sexual e de identidades de gênero ditas como dissidentes. Além disso, é necessário resgatarmos a origem do queer no pensamento popular, enquanto produção de classes baixas, marginais e urbanas, que propõem uma forma de contrapor o que está dado”, conta Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão e que assina a curadoria do Território Corpo ao lado de Calu Zabel e Ubiratã Trindade.

Artistas maranhenses compõem a programação

Abrindo o Território Corpo Queer, as artistas maranhenses Fuega, Enme, Butantan e Frimes se reúnem novamente para apresentar o show Queer, levando para o CCVM o repertório autoral de suas carreiras reconhecidas nacionalmente. Juntam-se a elas as artistas trans PP Poeta Marginal, Nebraska Diamond e Hera Vyper, com performances sobre o corpo travesti em diferentes perspectivas e simbologias.

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O modelo e performer Negroni Blyndex junto com o bailarino David Rebolativo ministrarão um workshop de Voguing, estilo de dança surgido nos Estados Unidos, nos anos 60, que se popularizou entre a comunidade negra latino-americana LGBTQIA+, como forma de resistência e celebração da diversidade. As aulas serão uma preparação para o Afroball, baile que mistura a música preta com um ball, evento onde a comunidade queer se encontra para competir em categorias de dança, desfile e beleza. O evento vai encerrar o Território Corpo Queer no dia 19 de novembro.

Oficinas de moda e maquiagem e curso sobre o queer no audiovisual

Uma das novidades desse ano no Território Corpo é o curso sobre o Cinema Queer, ministrado pela cientista social e doutora em cinema Marina Costin. O curso abrange os novos arranjos e composições estéticas que dão visibilidade a sujeitos que estavam fora do espaço filmíco – pessoas fora do padrão heteronormativo, que interseccionam com outros crivos, como raça, etnia, gênero e orientação sexual. Em cada aula haverá um filme e leituras de textos-base que instigarão discussões entre os participantes em torno de questões como epistemologias do corpo e produção de subjetividades.

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Considerando a moda como uma das principais características da cultura queer, serão oferecidas as oficinas Transmutação Têxtil O Corpo como Espaço Moldável: Processos Híbridos de Criação. A primeira será ministrada pela artista e estilista Vicenta Perrotta, que desenvolverá em 4 encontros um processo artístico baseado nas tecnologias sociais construídas por pessoas trans – como a Pedagogia do Lixo, a Ressignificação de Consumo e a Transmutação Têxtil -, que por meio de técnicas de costura, estimulam uma consciência de que o consumo também é um mecanismo de construção de estereótipos.

O Corpo como Espaço Moldável: Processos Híbridos de Criação será comandada por Alma Negrot, artista multimídia que trabalha com performances, maquiagem e direção de arte em videoclipes, publicidade e editorais de moda, tendo assinado trabalhos de artistas como Karol Conka, Letrux, Jhonny Hooker, Jaloo, entre outros. A oficina tem como objetivo apurar o olhar de forma sensível  para o corpo e suas  infinitas possibilidades por meio da maquiagem criativa, utilizando materiais rejeitados, sucata, papel, linhas, botões, rendas e bilros. 

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Os interessados nas oficinas devem comparecer ao CCVM com 1 hora de antecedência, no primeiro dia de cada atividade, e realizar a inscrição presencialmente.

Espetáculos convidados e debates sobre diferentes perspectivas queer

Artistas convidados vão compor a programação do Território Corpo com espetáculos, performances e debates. Ronaldo Serruya, ator e dramatugo do grupo XIX de Teatro, apresentará a peça-manifesto A doença do outro, que propõe um formato de palestra-performance, partindo de conceitos extraídos do feminismo negro e da teoria queer para aproximá-los da ideia de “outro” que perpassa os corpos positivos e os friccionando com relatos autobiográficos do autor e perfomer, que vive com HIV desde 2014.

Glamour Garcia, atriz revelação de 2019 por sua participação na novela A Dona do Pedaço, abre a mostra de performances do sábado, 12, com Lokomia, e compõe a mesa redonda O queer, o marginal e a cena junto com Ronaldo Serruya, debatendo a criação, os desafios e expressões de artistas queer no espaço cênico.

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A atriz Renata Carvalho apresentará Manifesto Transpofágico, onde se veste de seu corpo travesti para narrar a historicidade de sua corporeidade. O espetáculo acontecerá no Teatro Arthur Azevedo, com retirada de ingressos com 1 hora de antecedência na bilheteria.

A conversa aberta A roupa – subversão queer e a moda no Brasil reunirá Vicenta Perrotta e a jornalista, curadora e gestora cultural Erika Palomino, debatendo a moda brasileira a partir das bases queer – conectadas ao popular, ao urbano e ao marginal -, abordando a criação de roupas enquanto dispositivo de renovação cultural e suspensão dos costumes. A mediação será de Gabriel Gutierrez. O debate será seguido de um desfile com as roupas produzidas durante a oficina de Transmutação Têxtil.

O Território Corpo acontecerá de 8 a 19 de novembro, nos espaços do Centro Cultural Vale Maranhão, totalmente gratuito. O CCVM está localizado na Rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís.

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Programação Completa

●        08 a 11/11 – 15h às 19h – Oficina Transmutação Têxtil, com Vicenta Perrotta

●        08/11 – 19h – Show Queer – com Enme, Fuega, Butantan & Frimes

●        09/11 – 19h – Performance Mulundus – Pepê Poeta Marginal

●        10/11 – 19h – Espetáculo Pavão Misterioso – Ivan Bernadelli

●        11/11 – 19h – Conversa Aberta + Desflie A roupa – subversão queer e a moda no Brasil, com Erika Palomino e Vicenta Perrota. Mediação de Gabriel Gutierrez

●        12/11 – 14h às 18h – Vogue Class – com David Rebolativo e Negroni Blyndex

                                19h – Mostra de Performances com Glamour Garcia, Alma Negrot, Nebraska Diamond, Hera Vyper e Baby Vyper

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●        16 a 19/11 – 14h às 18h – Curso Cinema Queer: Teoria, estética, e semiótica desgenerada, com Marina Costin

                                      15h às 19h – Oficina O Corpo como Espaço Moldável: Processos Híbridos de Criação, com Alma Negrot

●        16/11 – 19h – Conversa Aberta O queer, o marginal e a cena, com Glamour Garcia e Ronaldo Serruya

●        17/11 – 19h – Espetáculo A Doença do Outro, com Ronaldo Serruya

●        18/11 – 19h – Espetáculo Manifesto Transpofágico, com Renata Carvalho, no Teatro Arthur Azevedo

●        19/11 – 19h – Afroball, com apresentação de Negroni Blyndex e DJ Gabi Leão

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Sobre o Território Corpo

Criado em 2020, o Território Corpo é o programa do CCVM que abre espaço para o fazer artístico e para o diálogo sobre as relações entre corpo, arte e sociedade a partir de diferentes perspectivas e subjetividades. Em sua primeira edição, teve o tema “Entre Brasil e África Negra” e foi dedicado às danças e à corporeidade negra, com debates e oficinas de danças e artes cênicas em uma programação 100% virtual. Em 2021, com a retomada de atividades presenciais, teve a perspectiva da arte urbana, de rua, como tema, levando para paisagens de São Luís performances, instalações e intervenções.

Sobre o Centro Cultural Vale Maranhão

O Centro Cultural Vale Maranhão é um espaço cultural mantido pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com o objetivo de contribuir na democratização do acesso à cultura e valorização das mais diversas manifestações e expressões artísticas da região.

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Programação de Cultura Popular abre o mês de outubro no CCVM

O Centro Cultural Vale Maranhão preparou uma semana dedicada à Cultura Popular para iniciar o mês de outubro. De terça a sexta, será realizada a oficina Percussão de Sotaque da Baixada, com a Caravana dos Mestres da Liga Maranhense de Apoio à Cultura Popular, que é formada por integrantes de grupos de Bumba Meu Boi, de Tambor de Crioula e de Cultura Afro.

Comandarão as aulas sobre os toques da matraca, do pandeirão, do repique, do tambor-onça, do chocalho e do maracá representantes do Bumba Meu Boi Oriente, Bumba Meu Boi Rosa de Sarón e do Bloco Afro Juremê. Os interessados devem comparecer ao CCVM no primeiro dia de aula, às 14h. Ao todo, são 20 vagas.

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E na quinta-feira, o Bumba Meu Boi de Iguaíba é a atração do Pátio Aberto, com a apresentação Salve Iguaíba, há 170 anos guarnicendo e encantando as terras do Maranhão, celebrando a história de um dos grupos de Bumba Meu Boi mais longevos do festejo de São João. A apresentação está marcada para 19h.

O Centro Cultural Vale Maranhão está localizado na Rua Direita, nº 149, Centro Histórico. A programação é gratuita.

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Técnicas de serigrafia ensinadas gratuitamente no Centro Cultural Vale Maranhão

Originada na China por volta de 221 d.C., a serigrafia é uma técnica de impressão em tecido que se utiliza de tinta e estêncil. Hoje, por sua produção rápida e custo relativamente baixo, é bastante usada em camisetas, adesivos, ecobags, brindes etc.

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Com todas essas possibilidades de aplicação, o Centro Cultural Vale Maranhão proporcionará uma oficina de serigrafia, de 29 de setembro a 1º de outubro, das 14h às 18h, com aulas ministradas pelo artista visual e designer Hermano Torres. A técnica será demonstrada por meio da produção de fotolitos, confecção das telas e práticas em diferentes aplicações, como tecido, papel e embalagens.

Hermano Torres é bacharel em Design pela Universidade Federal do Maranhão e certificado em Digital Arts pela City College of San Francisco, nos Estados Unidos. Possui mais de 10 anos de carreira como designer e ilustrador.

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Inscrições abertas para mostra de animações em stop motion

O Centro Cultural Vale Maranhão lançou ontem (12), a chamada pública Ocupa Stop Motion, destinada a diretores e produtores de audiovisual que tenham trabalhos voltados à técnica de animação.

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Serão aceitas propostas de filmes de até 12 minutos, com temática livre, de todo Brasil.  Serão selecionadas 20 obras que comporão uma mostra no CCVM no mês de outubro. As obras escolhidas ainda concorrerão a dois prêmios em dinheiro, que serão votados por um júri especializado e por decisão do público presente.

O projeto foi criado pelo cineasta Jerry Quadros, com o objetivo de fomentar as produções de stop motion no Maranhão e facilitar o acesso do público às produções de outros estados brasileiros.

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As inscrições estão abertas até o dia 30 de setembro e o formulário pode ser acessado no site da instituição ccv-ma.org.br.

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Reunião de músicos de Choro abre o Pátio Aberto de setembro

Uma reunião entre instrumentistas consagrados e novos talentos: essa é a proposta da Roda de Choro que será apresentada nesta quinta-feira, 1º de setembro às 19h, no Pátio Aberto do Centro Cultural Vale Maranhão.

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Com um repertório autoral de choros de compositores maranhenses, o momento promete ser uma grande confraternização de artistas do gênero que formam o Clube do Choro do Maranhão. Participarão músicos dos grupos Regional Tira-Teima, Instrumental Pixinguinha, Cinco Gerações, Chorando Calado, além de integrantes do Núcleo de Choro do Maranhão, formado por alunos da Escola de Música do Maranhão.

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O Centro Cultural Vale Maranhão fica localizado à Rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís e toda programação é gratuita.

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Vale prevê mais 13 anos para eliminar barragens como Brumadinho

O programa da Vale para eliminar todas as suas barragens construídas pelo método de alteamento a montante prevê a conclusão do processo até 2035. Há alguns meses, a mineradora firmou acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), concordando em pagar indenização de R$ 236 milhões por não cumprir os prazos definidos na Lei Estadual 23.291/2019, conhecida como Lei Mar de Lama Nunca Mais. O atual cronograma, apresentado à Agência Brasil nesta semana, indica que 40% das estruturas estarão eliminadas ainda este ano, mas, em alguns casos, os processos demandarão mais tempo.

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O método de alteamento a montante era utilizado na barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG) em janeiro de 2019, causando 270 mortes e provocando devastação ambiental. Anos antes, em 2015, outro desastre similar já havia ocorrido. Dezenove pessoas morreram e dezenasde  municípios mineiros e capixabas ao longo da bacia do Rio Doce foram afetados pela lama, que escoou após a ruptura de uma barragem construída com a mesma tecnologia pela mineradora Samarco, que tem como acionistas a própria Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

Ao todo, o programa de descaracterização, criado em 2019 após a tragédia de Brumadinho, engloba 30 estruturas, das quais nove já foram eliminadas: seis localizadas em Minas Gerais e três no Pará. As 21 restantes estão todas em cidades mineiras, sendo que em três delas o processo deverá ser concluído ainda este ano. A Vale alega que cada estrutura é única e tem peculiaridades que devem ser levadas em conta. Por isso, em alguns casos, o processo exige mais tempo. No caso das barragens que se encontram em nível crítico, há um desafio adicional: trabalhar com equipamentos não tripulados, retirando trabalhadores da área de risco.

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Segundo Frank Pereira, gerente executivo do Programa de Descaracterização da Vale, há um esforço inédito de desenvolvimento tecnológico. “É algo que aconteceu no passado com as barragens de geração de energia. O Brasil virou uma referência no mundo. Pode ter certeza que, após Brumadinho, também seremos referência em barragem de mineração. Isso vai acontecer por causa do escrutínio, do julgamento da engenharia, da criticidade que estamos colocando em cima disso. Não só a Vale, mas a indústria de mineração como um todo”, disse.

Agência Brasil visitou o Centro de Operações Remotas, em Belo Horizonte, e a barragem B3/B4 da Mina Mar Azul, em Nova Lima (MG), onde a tecnologia já está em uso. Trata-se de uma das três estruturas do país que se encontram no nível de emergência 3, que significa risco iminente de ruptura. Atualmente, apenas a Vale tem barragens nessa situação. As outras duas são a Sul Superior, em Barão de Cocais (MG), e a Forquilha III, em Ouro Preto (MG), onde os trabalhos de descaracterização também envolverão operações remotas. Segundo Frank Pereira, ainda falta concluir a ligação de fibra ótica entre o centro de operações e as duas estruturas.

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Na barragem B3/B4, caminhões, escavadeiras e tratores são usados diariamente nos trabalhos de retirada dos rejeitos. Ele são guiados de forma remota pelos mesmos funcionários que operavam essas máquinas. Os trabalhadores participaram de treinamentos teóricos e práticos e, atualmente, movimentam ao todo 20 equipamentos. Segundo Marcel Pacheco, gerente responsável pela descaracterização da barragem B3/B4, um dos desafios é a perda de sensibilidade, já que no trabalho remoto o operador não sente as vibrações do veículo.

“Não há aquela percepção de que vai atolar. Quando ele percebe, já atolou. Então precisamos fazer diversas adaptações porque remover o veículo dá trabalho. Já criamos dispositivos para isso, para atrelar outro caminhão não tripulado ao que está atolado. Mas é uma operação complexa que pode estragar o equipamento. Então temos que ser mais conservadores. Para que eles não quebrem, a manutenção é constante. Eu não posso, por exemplo, correr o risco de um pneu furar. Esses pneus são preenchidos com um tipo de borracha que os deixam mais maciços. São melhorias que fomos fazendo a partir da experiência que acumulamos”, explica.

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Os operadores usam joysticks e grandes monitores curvos. Um protótipo, simulando uma cabine de caminhão com volante, chegou a ser desenvolvido e testado, mas não foi bem avaliado. A ideia não está abandonada, e novos modelos serão produzidos. Atualmente, a Vale considera que as operações remotas alcançam 60% da produtividade das operações presenciais. A mineradora trabalha para chegar aos 100%, mas um dos desafios é o volume de transmissão de dados. Isso porque qualquer atraso de cinco segundos pode resultar na colisão entre caminhões e escavadeiras. Existe a expectativa de que as condições melhorem com a conclusão da implantação do 5G no Brasil.

Quando necessário, análises e sondagens do solo ou da estrutura também são realizados com equipamentos operados de forma remota. “Criamos estruturas para entrar com segurança quando é necessário. Por exemplo, recentemente um eletricista entrou para instalar uma bomba de água. Opera com cabos. Já usamos helicóptero”, diz Marcel.

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A promessa da Vale é de que a tecnologia em desenvolvimento já é um prenúncio da mineração do futuro, mais segura. “É um trabalho pioneiro no mundo. E não servirá apenas para descaracterização de barragens. Poderemos usar essa tecnologia para outras atividades da mineração, afastando diversos riscos”, acrescenta.

A conclusão da descaracterização da barragem B3/B4 está prevista para 2025. Segundo a mineradora, a estimativa leva em conta o tempo necessário para o desenvolvimento de nova tecnologia. Frank Pereira admite que o maior investimento em inovação e o aumento de sondagens e análises são consequências da tragédia de Brumadinho. “A indústria da mineração teve que ser mais criteriosa. Também passou a ser mais fiscalizada”, afirmou.

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A lista de barragens em situação de emergência cresceu após pente-fino impulsionado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e outros órgãos de controle. Diversas barragens perderam suas declarações de estabilidade, o que exige a paralisação e o acionamento automático do nível 1 de emergência. Nos casos classificados como nível 2 ou 3, as mineradoras foram obrigadas a organizar a evacuação de todo o perímetro que seria alagado em eventual tragédia e reparar a população. Em muitos locais, moradores atingidos ainda brigam judicialmente por reparação.

Das 31 barragens em situação de emergência no estado de Minas Gerais, uma pertence à ArcelorMittal e uma à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). As outras 29 são de responsabilidade da Vale, incluindo as três que se encontram atualmente no nível 3. Com o avanço dos trabalhos, a promessa da mineradora é de que elas deixarão a mais alta classificação de emergência até 2025.

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Acordos

Após a tragédia de Brumadinho, a ANM editou resolução estabelecendo datas para a eliminação de todas as barragens erguidas pelo método de alteamento a montante: agosto de 2021 para estruturas inativas e agosto de 2023 para aquelas que ainda estavam em operação. As regras valiam para a mineração em todo o país. Mas em Minas Gerais, o assunto ganhou tratamento específico pela Lei Mar de Lama Nunca Mais. Aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a legislação exigia a conclusão de todo o processo em três anos.

O prazo se encerrou em fevereiro, quando apenas sete das 54 barragens desse tipo existentes em Minas Gerais estavam completamente descaracterizadas. Diante do cenário, o MPMG procurou diversas mineradoras para estabelecer novos compromissos, entre eles, o pagamento de indenizações. Apenas três rejeitaram o acordo e viraram alvo de ação judicial. Uma dessas mineradoras, a Serra da Fortaleza Mineração e Metalurgia, já teve inclusive decretado o bloqueio de R$ 100 milhões de suas contas. A decisão foi tomada para garantir recursos necessários à descaracterização da barragem Dique 2, situada em Fortaleza de Minas (MG).

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O MPMG também tem cobrado das mineradoras a adesão ao Padrão Global da Indústria de Gestão de Rejeitos (GISTM, na sigla em inglês). Na semana passada, um termo de compromisso com esse objetivo foi assinado com a Vale. Criado em 2020, o GISTM fixa 77 requisitos com foco na segurança das pessoas e do meio ambiente. Segundo a Vale, até 2025 todas as suas estruturas estarão em conformidade com o GISTM.

Alternativas

Um movimento que vem ocorrendo no Brasil é a adoção de métodos do empilhamento a seco, conhecido também pela expressão em inglês dry stacking: a água filtrada é reutilizada no processo produtivo enquanto o rejeito é disposto em pilhas, dispensando assim o uso das barragens. Essa alternativa, embora seja mais onerosa, tem se tornado atraente em meio às mudanças na legislação ambiental brasileira. Muitas das grandes mineradoras que atuam no país têm caminhado nessa direção.

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Uma das primeiras experiências da Vale, de empilhamento a seco, ocorre na Mina do Pico, no Complexo de Vargem Grande, em Itabirito (MG). A estruturação da planta de filtragem teve início em 2019 e foi concluída no ano passado. O rejeito decorrente da atividade mineradora é separado: 70% são arenosos e encaminhados para a disposição em pilhas e os outros 30%, compostos por sedimentos ultrafinos, são encaminhados para barragem. “Temos todos os controles dessa pilha para todas as intempéries possíveis”, afirma Haline Paiva, gerente da usina de filtragem.

Em janeiro deste ano, no entanto, um episódio na mina de Pau Branco, onde a mineradora Vallourec usa o sistema de disposição a seco, levantou um alerta. Após grande volume de chuvas, houve transbordamento do dique que capta a água que passa pela pilha de rejeitos. O nível da água se elevou porque parte do material empilhado escorregou para o reservatório.

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“São coisas para se estudar. Essas pilhas estão começando a ser construídas e vão atingir alturas consideráveis. Mas deve demorar algumas décadas para chegarmos a esse cenário”, disse à Agência Brasil na época o engenheiro Marcos Massao Futai, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, é preciso aprofundar os conhecimentos.

“Independentemente do método de disposição, ele precisa ser bem projetado, bem construído, bem monitorado e ser preparado para um dia fechar. Chega um momento em que é impossível colocar material. E aí podemos devolver para a sociedade, de forma que sejam áreas reutilizáveis. É possível prever, por exemplo que, depois do empilhamento, seja construído um parque com revegetação. Envolve um esforço amplo, não só da engenharia”.

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Outra aposta da Vale, que vem sendo desenvolvida em projeto piloto na Mina do Pico, é a fabricação de bloquetes que podem ser usados em calçamento ou pavimentação. Atualmente são produzidas 4,3 mil peças por dia. Cada uma tem cerca de 37% de rejeito em sua composição, que leva ainda areia e cimento. O trabalho é feito por seis mulheres. Apesar de considerar interessantes as iniciativas que reaproveitam o rejeito na construção civil, Futai avalia que elas só conseguem dar destinação a um volume pequeno do material produzido na mineração.

* O repórter e o fotógrafo viajaram a convite da Vale.

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