Parar de fumar e consumir álcool pode evitar 40% dos casos de câncer

No Dia Mundial do Câncer (4/2), confira oito dicas fundamentais para prevenir a doença

O consumo de tabaco, bebida alcoólica, alimentação inadequada e a falta de prática de atividades físicas estão entre os principais fatores de risco para o surgimento do câncer em todo o mundo. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o câncer é uma das principais causas de morte na população. A previsão é que 2,1 milhões de pessoas morram em decorrência da doença, até 2030. Câncer, também conhecido como tumor maligno e neoplasia é a denominação genérica de um grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo. A doença é caracterizada pelo crescimento desordenado de células que invadem órgãos e tecidos. “É unânime entre as recomendações médicas a indicação de hábitos saudáveis, como a interrupção do fumo, de bebidas alcoólicas, além do estímulo à prática de atividades físicas regulares na prevenção do câncer. De acordo com a OPAS, 40% dos casos poderiam ser prevenidos evitando estes fatores de risco”, destaca a médica Gisele Abud, diretora Técnica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h Zona Leste, em Santos (SP). A unidade, que pertence a rede pública de saúde da Prefeitura de Santos, sendo gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, está localizada na região litorânea do estado de São Paulo e atua como referência para urgências em Clínica Médica, Ortopedia, Pediatria e Odontologia. A médica acrescenta que o câncer de pulmão está entre os mais comuns, segundo as autoridades em saúde, e que o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer, causando 22% das mortes. “É inegável que rastrear o câncer precocemente é fundamental para tratar corretamente e aumentar as chances de cura, mas a recomendação prioritária, é adotar hábitos que contribuam de fato para o não aparecimento da doença”, afirma Gisele. “Os exames ajudam no monitoramento e se fazem essenciais, porém, a prevenção de fato é mudar hábitos, rotina, o que permite que o corpo funcione melhor e saudável”, complementa. Dicas de prevenção No Dia Mundial do Câncer (4/2), data que busca aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, confira oito dicas fundamentais de prevenção: 

Projeto Agita Bairros chega ao Vinhais neste sábado (4)

Evento patrocinado pela Lei de Incentivo ao Esporte promove tarde de lazer a comunidades da capital maranhense de forma gratuita.

Inclusão social por meio de atividades de esporte e lazer. É com este objetivo que o Projeto Agita Bairros: Esporte e Lazer nas Comunidades chega à sua quarta edição. Neste sábado (4), o bairro do Vinhais, em São Luís, vai receber as atividades dessa importante iniciativa, que conta com os patrocínios do governo do Estado e do El Camiño Supermercados por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte. A programação é totalmente gratuita e terá início a partir das 14h, na Praça do Letrado.

“É importante ressaltar que o Agita Bairros é para todos. Vamos ter diversas atividades que serão desenvolvidas por uma equipe especializada em lazer, esporte recreativo, arte e cultura”, explicou Kléber Muniz, coordenador do projeto.

Jogos, brincadeiras lúdicas, oficinas, apresentações artísticas e culturais são algumas das atividades que vão movimentar esta edição do Agita Bairros. Além disso, haverá, ainda, aulão de dança para toda a comunidade. É importante destacar que todas as atividades que ocorrerão no neste sábado são gratuitas, assim como nas edições anteriores do projeto.

Antes de chegar ao Vinhais, o Agita Bairros já havia sido realizado uma vez no bairro do Monte Castelo e outras duas oportunidades no Cohatrac. “Nosso muito obrigado ao governo do Estado, à Secretaria de Esporte e Lazer e ao El Camiño Supermercados por incentivarem essa importante inciativa. Contamos com a presença da comunidade do Vinhais e adjacências. Em cada edição do projeto é montada uma grande estrutura com espaço para dança e brincadeiras lúdicas para as crianças e disponibilizamos brinquedos infláveis e lanche para todos os participantes”, concluiu Muniz.

Tudo sobre projeto Agita Bairros: Esporte e Lazer nas Comunidades está disponível no Instagram oficial da competição. O endereço é o @agitabairros.

Mineração em terras indígenas da Amazônia aumentou 1.217% nos últimos 35 anos

Elton Alisson | Agência FAPESP – A mineração em terras indígenas na Amazônia Legal aumentou 1.217% nos últimos 35 anos, saltando de 7,45 quilômetros quadrados (km2) ocupados por essa atividade em 1985 para 102,16 km2 em 2020. Quase a totalidade (95%) dessas áreas de garimpo ilegal está concentrada em três terras indígenas: Kayapó, seguida pela Munduruku e a Yanomami.

Os dados são de um estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade do Sul do Alabama, dos Estados Unidos. Os resultados do trabalho foram publicados na revista Remote Sensing.

“Observamos um crescimento constante da mineração em terras indígenas entre 1985 e 2020, que se agravou a partir de 2017. Naquele ano, o garimpo ilegal ocupava 35 kmem terras indígenas e, em 2020, saltou para quase 103 km2”, diz à Agência FAPESP Guilherme Augusto Verola Mataveli, pós-doutorando na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do Inpe, bolsista da FAPESP e primeiro autor do estudo.

Outros autores do artigo são Michel Eustáquio Dantas Chaves, também pesquisador do Inpe, e Elton Vicente Escobar Silva, doutorando na instituição.

A fim de identificar as áreas de mineração em terras indígenas, os pesquisadores usaram um conjunto de dados referentes ao período de 1985 a 2020 fornecido pelo projeto MapBiomas – uma rede colaborativa formada por organizações não governamentais, universidades e startups de tecnologia que mapeia a cobertura e o uso do solo no Brasil.

A iniciativa classifica o tipo de uso e cobertura da terra em todo o Brasil por meio da análise automática, feita por algoritmos, de imagens obtidas por satélites, com resolução espacial de 30 metros.

“Com base na classificação automática das imagens, o sistema é capaz de distinguir uma área de floresta de outra com mineração consolidada, que tem solo exposto e características muito diferentes da cobertura vegetal”, explica Mataveli.

Uma das limitações do sistema para identificar mineração em terras indígenas, contudo, é a impossibilidade de classificar o garimpo em embarcações ancoradas em rios ou em pequenas áreas onde não ocorreu a conversão da floresta para essa atividade.

“Esse número alarmante do avanço da mineração em terras indígenas na Amazônia Legal que levantamos provavelmente é ainda maior se levarmos em conta essas limitações do conjunto de dados utilizados”, afirma Mataveli.

Nova fronteira do garimpo

De acordo com dados do estudo, a maior parte do garimpo ilegal dentro das terras indígenas na Amazônia Legal está relacionada à mineração de ouro (99,5%) e apenas 0,5% à mineração de estanho.

Essa atividade está mais intensa na terra indígena Kayapó, onde a estimativa da ocupação da área por garimpeiros em 2020 – de 77,1 km2 – foi quase 1.000% superior à encontrada em 1985, de 7,2 km2.

Já na terra indígena Munduruku a atividade mineradora apresentou forte crescimento a partir de 2016, saltando de 4,6 km2 para 15,6 km2 em apenas cinco anos. O mesmo padrão foi encontrado na terra indígena Yanomami, onde o garimpo ilegal ocupava 0,1 km2 em 2016 e avançou para 4,2 km2 em 2020.

“São nessas três terras indígenas que o poder público tem que, de fato, atuar, por meio da intensificação de ações de fiscalização, para impedir o avanço da mineração ilegal”, avalia Mataveli.

De acordo com o pesquisador, a terra indígena Yanomami, demarcada em 1992, é a mais isolada entre as três. Esse isolamento dificultou por muito tempo o acesso de garimpeiros ilegais. O aumento da cotação do ouro no mercado internacional e o enfraquecimento da proteção da Amazônia Legal nos últimos anos, contudo, estimularam os investimentos em infraestrutura de acesso a essa área protegida.

“Essa combinação de fatores culminou na transformação da terra indígena Yanomami em uma nova fronteira da mineração”, afirma Mataveli.

Segundo dados do estudo, em 2018, a mineração ultrapassou, pela primeira vez, 2 km2 na terra indígena Yanomami. Desde então, o aumento exponencial dessa ilegalidade resultou em um cenário de invasões e violações de direitos humanos.

Em 2022, a Polícia Federal identificou um aumento de 505% na mineração às margens do rio Uraricoera. As lideranças Yanomami estimam a presença de mais de 20 mil garimpeiros ilegais dentro do território indígena, enquanto o número total de indígenas é de cerca de 30 mil. Além disso, a presença de garimpeiros ampliou os casos de malária e espalhou outras doenças infecciosas para os povos indígenas.

“A tragédia que estamos vendo hoje, com a crise humanitária dos Yanomami, já era previsível”, diz Mataveli.

Para reverter esse cenário é preciso, em um primeiro momento, identificar e monitorar as terras indígenas onde o garimpo ilegal tem aumentado de forma mais expressiva nos últimos anos. Além disso, é preciso coibir o desmatamento.

Normalmente, a mineração na Amazônia Legal, incluindo nas terras indígenas, ocorre após o desmatamento, diz Mataveli.

“A mineração ilegal na Amazônia está muito ligada ao desmatamento, porque é preciso desmatar a floresta para depois explorar o solo”, afirma.

O artigo Mining is a growing threat within indigenous lands of the brazilian Amazon pode acessado em: www.mdpi.com/2072-4292/14/16/4092.

Kadu Pakinha treina para a primeira competição da temporada de 2023

Após vencer o Troféu Mirante Esporte pela terceira vez, jovem surfista vai disputar o Quissamã Pro-Am.

O surfista maranhense Kadu Pakinha, que conta com o patrocínio do governo do Estado e da Potiguar por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, vive a expectativa pela primeira competição na temporada de 2023. Uma das principais revelações do esporte no Estado, o jovem atleta de 15 anos está confirmado na disputa do Quissamã Pro-Am 2023, que será realizado entre os dias 9 e 12 de fevereiro, na Praia Barra do Furado, em Quissamã, a 234 km do Rio de Janeiro.

Determinado a conquistar um grande resultado no Quissamã Pro-Am 2023, Kadu Pakinha passa por um período de treinos intensos no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. O jovem surfista pretende aumentar a coleção de conquistas após um 2022 histórico, com destaque para a participação no Campeonato Maranhense de Surf, onde foi campeão na categoria Sub-16 e garantiu a terceira colocação na categoria Open.

Na última temporada, Kadu também chegou às quartas de final do Iguape Pró, do Maresia Ondas do Futuro e do Circuito Caucaia, além de representar o Maranhão nas categorias Sub-14 e Sub-16 do Circuito Brasileiro de Surf de Base.

Por causa dos grandes resultados da temporada de 2022, Kadu Pakinha foi eleito o melhor atleta de surf na 18ª edição do Troféu Mirante Esporte, maior premiação esportiva do Estado, que ocorreu no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís. Essa é a terceira vez que Kadu leva o troféu de destaque maranhense em sua modalidade, sendo a segunda de maneira consecutiva.

“Estou muito feliz com a conquista de mais um Troféu Mirante Esporte, agradeço muito a Deus, aos meus familiares e a todo mundo que votou em mim. Também fica o meu agradecimento ao patrocínio da Potiguar e do governo do Estado, que acreditam no meu potencial e me ajudam a representar o Maranhão em alto nível nas competições pelo Brasil. Esse prêmio me motiva a continuar trabalhando em busca de títulos, e espero ir bem na primeira competição do ano, em Quissamã”, afirmou Kadu.

Brasil é o 8º país com mais bilionários no mundo

País possui 62 bilionários, valor acima do Japão, Noruega e Chile, juntos

Com 62 bilionários, o Brasil ocupa a 8ª posição do ranking que lista os países com mais bilionários no mundo.

É o que revela um estudo divulgado pela plataforma de cupons CupomValido.com.br com dados da Forbes e Statista sobre o número de bilionários pelo planeta.

No total existem 2.668 bilionários no mundo. E os Estados Unidos é país de principal destaque, com 735 bilionários, o que representa mais de 27% do total de bilionários.

Ao considerar as top 10 pessoas mais ricas do mundo, os Estados Unidos também segue na liderança, sendo 8 norte-americanos.

Os Ganhadores e os Perdedores

Em comparação com o ano anterior, o Brasil perdeu 3 bilionários.

A Índia foi o país que mais ganhou, com um aumento de 26 bilionários.

Já a China foi o país que mais perdeu do ranking, com uma diminuição de 87 bilionários. Um dos principais motivos, foi a política restritiva de covid zero, que afetou sinoticamente a cadeia de suprimentos e manufatura.

Os mais ricos do Brasil

O Jorge Paulo Lemann é o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada de $15,4 bilhões de dólares. A principal origem de sua fortuna é proveniente da empresa de bebidas, Ambev (atual AB InBev, após fusão).

Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, também sócios da AB InBev, ocupam a 3ª e a 5ª posição do ranking, respectivamente.

Em 2ª posição, está o Eduardo Saverin, um dos cofundadores do Facebook junto ao Mark Zuckerberg em 2004.

Jorge Neval Moll Filho, o fundador da Rede D’Or, está em 4ª posição do ranking.

Joseph Safra foi o fundador do Banco Safra, e após seu falecimento, deixou a herança com sua família, que ocupa a 6ª posição.

Ainda estão no ranking dos top 10: Lucia Maggi (cofundadora da Amaggi), Andre Esteves (sócio do BTG), Alexandre Behring (cofundador da 3G Capital) e Luciano Hang (fundador da Havan).

FonteForbesCupomValido.com.brStatista

Pesquisadores encontram borboleta amazônica pela primeira vez na Floresta Nacional de Carajás

A borboleta Amphidecta calliomma, que ocorre na Amazônia, tem poucos indivíduos coletados e identificados por estudiosos. A coleta de um exemplar da espécie pela primeira vez na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, pode ajudar a ciência a entender melhor a baixa detecção da borboleta, que pode ser rara ou estar sendo confundida com espécies similares no processo de identificação. A constatação é de pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), Universidade Federal do Pará (UFPA), e Lancaster University, do Reino Unido em estudo publicado nesta sexta (3) na revista “Ecology and Evolution”.

Tereza Cristina Giannini, uma das autoras do artigo, explica que a espécie foi coletada durante uma viagem de campo para a Floresta Nacional de Carajás. “O indivíduo foi capturado por meio de uma armadilha atrativa com isca de banana fermentada. Após isso, foi feita a identificação do indivíduo com a ajuda do especialista em borboletas da Amazônia, o Dr. William Leslie Overal e sua equipe do Museu Paraense Emílio Goeldi”, contextualiza a pesquisadora.

O estudo desenvolveu ainda, um modelo computacional de distribuição de espécies utilizando a nova ocorrência, que traça uma estimativa de distribuição geográfica potencial com base em dados do ambiente. “Esse método utiliza as variáveis climáticas que mais influenciam a distribuição geográfica da espécie a ser analisada, além das suas ocorrências registradas. A ferramenta, então, gera um modelo potencial de ocorrência, mostrando quais áreas têm características climáticas semelhantes àquelas onde a espécie já foi encontrada. Assim, conseguimos estimar novos locais de coleta, com maior probabilidade de encontrar a espécie estudada”, aponta Giannini.

Apesar da amplitude na área de distribuição da borboleta, presente nas áreas de floresta de países como Colômbia, Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, Panamá, Guiana Francesa e Brasil, a espécie de borboleta encontrada tem sido pouco coletada. Assim, seus requisitos ecológicos são ainda desconhecidos, o que demanda um aprofundamento no conhecimento sobre esses animais.

A observação dos fatores ambientais também foi fundamental para traçar os indicadores de ocorrência da espécie. Segundo a pesquisadora Amanda Paracampo, primeira autora do artigo, a estreita relação entre as borboletas e as variáveis climáticas ocorrem devido as borboletas serem ectotérmicas (regulam a temperatura corporal a partir de uma fonte de calor externa). A atividade das borboletas aumenta com as altas temperaturas e em longos períodos de luz solar, já que elas precisam manter seus músculos de voo em temperaturas acima da temperatura ambiente, para voar de forma mais eficiente. Além disso, o clima afeta o crescimento populacional pois é um fator que limita o tempo de voo necessário para os adultos concluírem a postura de seus ovos. É também um fator limitante pois tem efeito na sobrevivência dos indivíduos em estágios imaturos e na fase da fecundação.

Os poucos artigos anteriores mostram uma grande discrepância nos registros da A. calliomma. Um estudo de 1996 apresenta 34 indivíduos e, na quinta expedição desses autores, foram coletados mais 81 espécimes. Esses números contraditórios podem representar falhas na identificação da espécie. Daí a importância do estudo, uma vez que o melhor conhecimento sobre a biodiversidade inspira melhores políticas de conservação.

Documentário Minha Perna, Minha Classe será lançado nesta sexta-feira, 3, no Palacete Gentil Braga  

Filme retrata a vida de Manoel da Conceição, líder camponês, falecido em 2021

Será lançado nesta sexta-feira (3), em sessão para convidados, às 19h, no Palacete Gentil Braga, o filme Minha Perna, Minha Classe, que retrata a trajetória do líder camponês Manoel da Conceição, falecido em 2021.  O documentário tem direção do cineasta de Arturo Saboia e produção executiva de Cassia Melo,

O documentário conta a história do líder camponês, desde sua infância, à criação dos primeiros sindicatos, às perseguições, prisão, à fuga pelos países, até sua libertação. O projeto tem patrocínio do Governo do Estado do Maranhão e do Grupo Mateus via Lei de Incentivo à Cultura.    

Para a produtora executiva do documentário, Cássia Melo, é um filme muito importante para a história do país, pois resgata a vida de Manoel da Conceição, símbolo de resistência à ditadura militar. A ideia, segundo ela, é dar continuidade a esse projeto com a produção de uma série sobre a vida do maior líder camponês do Maranhão.

O filme será exibido ao público a partir do dia 4 de fevereiro em duas sessões gratuitas: às 18 e às 20h, no Palacete Gentil Braga, no centro de São Luís.

Sobre Manoel da Conceição

Manoel da Conceição morreu no dia 18 de agosto de 2021 na cidade de Imperatriz, onde viveu os últimos anos ao lado da família. Primogênito do casal de lavradores Maria Leotéria e Antônio Raimundo, Manoel da Conceição nasceu no dia 24 de julho de 1935, no povoado Pedra Grande, no município de Coroatá, estado do Maranhão. Ele foi perseguido, torturado e exilado, tendo dedicado sua vida à organização da luta pela democracia e pelos direitos dos povos dos campos e das florestas.

Metástase cerebral: Neurocirurgião explica condição de Glória Maria

A jornalista Glória Maria faleceu após o tratamento contra as metástases cerebrais pararem de fazer efeito

A jornalista Glória Maria, uma das mais importantes profissionais da televisão brasileira, faleceu nesta quinta-feira (2) no Rio de Janeiro vítima de uma metástase no cérebro.

Glória Maria foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2019 e obteve sucesso com o tratamento de imunoterapia, no entanto logo após ela sofreu metástase no cérebro, realizou cirurgia, mas os novos tratamentos para continuar o combate à condição deixaram de fazer efeito.

A jornalista descobriu o problema de saúde ao realizar uma ressonância magnética após desmaiar e bater a cabeça na cozinha  de casa, ela estava afastada da Rede Globo desde dezembro.

O que são metástases cerebrais

De acordo com o neurocirurgião Dr. Bruno Burjaili, a metástase ocorre em decorrência de tumores cancerígenos.

A metástase cerebral é formada quando há algum tumor no organismo que despende fragmentos microscópicos que chegam ao cérebro por meio da corrente sanguínea, elas são bastante comuns entre os tumores cerebrais e podem se derivar de tumores em qualquer parte do corpo”.

Principais sintomas da metástase cerebral

A metástase cerebral pode desencadear uma série de sintomas típicos, como dores de cabeça, crises epilépticas, perda de força nos membros, déficit neurológico, perda de visão e até alterações no comportamento,  embora algumas vezes possa ser assintomática.

No caso da Glória Maria, a condição foi descoberta após um desmaio que pode ter sido causado por um aumento da pressão intracraniana,  que pode ser responsável por reduzir ou cortar momentaneamente a perfusão de sangue no cérebro, causando síncopes (desmaios)” Esclarece o Dr. Bruno Burjaili.

Tratamento

A melhora ou evolução do quadro varia bastante de acordo com diversos fatores, como o tumor primário do paciente, idade do paciente, gravidade do caso, entre outros, o que pode fazer com que o quadro não possa ser revertido e sejam aplicados apenas tratamentos paliativos”.

Pode ser realizada uma cirurgia, na qual o neurocirurgião realiza a secção da metástase utilizando um microscópio cirúrgico, também pode ser usada a quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, mas o tratamento nesses casos é bastante individualizado de acordo com o caso de cada paciente”. Explica Dr. Bruno Burjaili.

Como um militar que já morreu introduziu o negacionismo no debate digital sobre a desnutrição dos Yanomami

Perfis bolsonaristas nas redes sociais trabalharam durante horas no Twitter para introduzir link com visão conspiratória militar sobre indígenas após visita de Lula aos Yanomami em Roraima.

Por Marcelo Soares/InfoAmazônia

Um artigo negacionista foi o link mais compartilhado no Twitter por bolsonaristas após o presidente Lula visitar as terras Yanomami para prestar solidariedade à etnia que vive uma crise humanitária . O texto foi originalmente publicado por Roberto Gama e Silva,um militar que morreu há dez anos, num jornal que deixou de circular, o Tribuna da Imprensa (leia mais abaixo).

A viagem de Lula até Roraima, estado onde está localizada a terra indígena, ocorreu um dia após a publicação de uma reportagemno site “Sumaúma” sobre a emergência na saúde dos Yanomami. A tragédia tem raízes na invasão de garimpeiros no território. Os resíduos gerados pelo garimpo poluem as águas onde o povo pesca, degradam o solo onde podem coletar alimentos e põem em fuga os animais que poderiam ser caçados para comer. O garimpo traz, ainda, doenças infecciosas, como a malária, e a fome.

Inicialmente, como detectou o projeto Mentira Tem Preço, os bolsonaristas manifestaram confusão sobre o tema nos aplicativos de mensagens. Enquanto circulavam as fotos de indígenas desnutridos e em sofrimento, os bolsonaristas não tinham um discurso pronto para rebatê-las. Após a visita do novo governo a Roraima, porém, o texto negacionista do tal militar que já nem estava mais vivo foi resgatado no Twitter e compartilhado no mínimo quase 4 mil vezes por perfis que buscavam acusar Lula, “a esquerda”, “os venezuelanos”, “os indígenas” e “as ONGs” de criarem um factoide para prejudicar a imagem do governo Bolsonaro.

A forma como o link compartilhado chegou no Twitter mostra como funciona a mecânica bolsonarista nas redes para insinuar argumentos no debate público. O pico de multiplicação do link se concentrou na tarde de domingo (22) e, com menor intensidade, durante a segunda-feira (23). Desde terça (24), já havia sites jornalísticos resenhando o conteúdo do artigo.

Veja abaixo linha do tempo com o caminho da disseminação do artigo negacionista:

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COMO FAZEMOS O MONITORAMENTO: O projeto Mentira Tem Preço, realizado desde 2021 pelo InfoAmazonia e pela produtora FALA, monitora e investiga desinformação socioambiental. Nas eleições de 2022, checamos diariamente os discursos no horário eleitoral de todos os candidatos a governador na Amazônia Legal. Também monitoramos, a partir de palavras-chave relacionadas a justiça social e meio ambiente, desinformação sobre a Amazônia nas redes sociais, em grupos públicos de aplicativos de mensagem e em plataformas.

O Google Trends mostra a evolução das buscas pelo título do livro nos últimos sete dias:


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A história do artigo negacionista baseado em um livro

link compartilhado foi publicado pelo Ecoamazônia, site da Fundação para o Ecodesenvolvimento da Amazônia, que reproduz na íntegra artigos veiculados em diversas publicações, sob a observação de que o conteúdo é de responsabilidade de seus autores.
 

Mas, no final, quem é o militar que escreveu o artigo negacionista?

O artigo reproduzido pelo Ecoamazônia é de Roberto Gama e Silva (1932-2013), almirante reformado e candidato a vice-presidente de Enéas Carneiro em 1994. O texto foi publicado originalmente em 2012 no site do jornal “Tribuna da Imprensa”, cuja versão impressa deixou de circular em 2008. Gama e Silva nega a existência do povo Yanomami em seu artigo e, ainda segundo ele, a etnia teria sido criada por ONGs internacionais visando desmembrar o território brasileiro. Ele diz nunca ter ouvido a palavra “yanomami” durante a ditadura militar, quando trabalhou na região.

Por sua vez, o texto de Gama e Silva se baseia no livro “A Farsa Ianomâmi”, publicado em 1995 pelo coronel gaúcho Carlos Alberto Lima Menna Barreto — “de família ilustre”, observa Gama e Silva –, em reação à demarcação das terras Yanomami ocorrida em 1992. Na editora Biblioteca do Exército Brasileiro, ligada ao Ministério da Defesa, a obra está fora de catálogo. O texto de Gama e Silva chega a sugerir o uso da Lei de Segurança Nacional contra os servidores públicos que aprovaram a demarcação das terras para os Yanomami por “tentar submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio ou à soberania de outro país” – outra tese da extrema direita brasileira compartilhada nas redes – e por “tentar desmembrar parte do território nacional para constituir país independente”.

Além do link para o artigo, a capa do livro “A Farsa Ianomâmi” — com o desenho de um homem louro ocultado por trás de uma máscara indígena — também circulou no Twitter. No entanto, é muito difícil estimar o número de compartilhamentos quando o arquivo tem diversas versões e assume nomes diversos a cada vez em que é compartilhado.

Do livro à prática de governo

João Pedro Garcez, historiador, estudou a narrativa do livro em seu mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele considera que a obra colocou os Yanomami no centro da visão conspiratória dos militares sobre os povos indígenas que já constava de manuais da Escola do Comando Maior do Exército. Pela peculiaridade dos Yanomami, que detêm o maior território indígena do país e vivem em uma região de fronteira, os militares passaram a ver a demarcação como uma ameaça à soberania nacional.

Durante a fase de pesquisas para sua dissertação, Garcez encontrou um post de Eduardo Bolsonaro no Facebook, em 2012, recomendando o mesmo artigo compartilhado no Twitter nesta semana. O post saiu do ar, no entanto. Em relação ao livro, o historiador identificou um outro leitor: o “guru” bolsonarista Olavo de Carvalho, que citava a obra para embasar sua acusação de que os ambientalistas seriam a nova roupagem do comunismo derrotado em 1989.

“O que me parece é que o governo de Bolsonaro colocou em prática o que se apresentava como tese no livro”, diz Garcez, lembrando que a doutrina militar vê os indígenas apenas como massa de manobra para interesses estrangeiros. No jornal “Diário do Nordeste”, o jornalista Lira Neto recuperou tudo o que Bolsonaro disse sobre os Yanomami em 30 anos de carreira parlamentar e todos os discursos que viu eram no sentido de extinguir a reserva.

“Nessa lógica, faria todo sentido, em um governo militar, deixá-los [indígenas Yanomamis] sem nenhum amparo, apoiando, inclusive, o garimpo ilegal (e todas suas consequências) em suas terras. O próprio livro do Menna Barreto é claro em destacar como eles [militares] vêem o garimpo de forma positiva, como uma força civilizadora para aquelas terras e pessoas”, diz Garcez.

‘Ianomamização’

Curiosamente, em sua obra, Menna Barreto atribui a “ianomamização” dos indígenas à fotógrafa suíça Cláudia Andujar, radicada no Brasil desde 1955. Na década de 1970, ela produziu ensaios fotográficos na floresta, revelando os Yanomami ao mundo e co-fundando a Comissão pela Criação do Parque Yanomami. Suas imagens foram o elemento central da edição histórica da revista “Realidade” sobre a Amazônia, em 1971.

Na época, os Yanomami eram considerados pela ditadura militar um empecilho à ocupação da Amazônia. Davi Kopenawa, que segue em atividade até hoje, foi o principal interlocutor de Andujar para compreender o pensamento Yanomami. Em 2019, as imagens de Andujar retratando a luta do povo indígena foram expostas pelo Instituto Moreira Salles.

O historiador André Gobi, que pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a percepção pública da História na imprensa, observa que o artigo mais compartilhado pelos bolsonaristas em reação à solidariedade aos Yanomami apresenta todas as características do discurso negacionista.

“O negacionismo é sempre direcionado a grupos específicos, historicamente marginalizados”, diz. “No caso da questão Yanomami, existe a negação da crise, existe o grupo marginalizado (indígena), existe a criação das conspirações e dos inimigos (esquerda, estrangeiros), existe a tentativa de chancelar intelectualmente (o livro do militar ilustre) e a questão do relato (se não vi, não existe).”

O debate no Twitter e a análise da InfoAmazonia

Para que um argumento extrapole as redes fechadas criadas em aplicativos de mensagens para chegar ao debate público, é preciso que ele invada outras redes frequentadas pela população geral e dê a impressão de que “todo mundo está falando disso”. O objetivo é fazer com que o conteúdo seja descoberto por quem não havia sido exposto ao argumento.

Para isso, quanto mais engajamento, melhor. No Twitter, isso vem na forma de curtidas, respostas e retuítes. Até respostas negativas ajudam: cada vez em que há uma crítica direta a algo, o algoritmo do Twitter mostra a interação aos seguidores do usuário. Por isso, quem caça o engajamento tenta pegar carona em postagens muito compartilhadas de contas com muitos seguidores. Mas, para dar a impressão de popularidade ao assunto, essa “campanha” não pode ser tocada por apenas uma conta.

A maneira como o artigo negacionista se espalhou pelo Twitter é um bom exemplo de como o mecanismo funciona. Para não atrair denúncias de comportamento robótico, nenhuma conta multiplicadora chegou a tuitar mais de oito vezes e nenhuma conta alvo chegou a receber o link mais de três vezes.

A InfoAmazonia chegou aos links multiplicados na bolha bolsonarista a partir da análise do comportamento das interações coletadas em 635 mil tuítes que citavam a palavra “Yanomami” em todas as suas grafias na semana de 17 a 24 de janeiro.

No agregado das redes, as interações repetiram o padrão da “Bolhanaro”, com perfis bolsonaristas conversando sobre o assunto numa bolha à parte de todo o restante do debate, usando fontes próprias e interagindo com outros grupos apenas em situações de confronto.

A reportagem captou 3.110 perfis participando da onda, com 3.757 tuítes. São captados apenas os perfis abertos. Deles, os que mais multiplicaram os links além dos mencionados acima foram @iveteguedes1 (3.115 seguidores), @Oilas (533 seguidores), @Pudines_PF (482 seguidores). Todos postaram o link oito vezes, geralmente em resposta a perfis maiores que postaram reportagens sobre a penúria dos Yanomami.

Os perfis que mais receberam o link como resposta foram @alfapobre (30,6 mil seguidores), o do ministro @FlavioDino (979,9 mil seguidores) e o do senador @randolfeap (932,7 mil seguidores), além da jornalista @miriamleitao (3,1 milhões).

Análises do projeto Mentira Tem Preço também detectaram confusão entre os bolsonaristas nos aplicativos de mensagens. Após a visita de Lula, eles começaram a compartilhar notícias de sites bolsonaristas denunciando “farsa da esquerda” na acusação de que o governo anterior abandonou os Yanomami e declarações da ex-ministra Damares Alves dizendo que não houve omissão do governo.

Postagens da Funai foram recuperadas informando sobre os atendimentos às comunidades.

No YouTube, o Mentira Tem Preço detectou pouca atividade. O principal resultado foi um vídeo do deputado bolsonarista Gustavo Gayer, de Goiás, investigado pelo TSE. Ele acusa “o PT e a esquerda” de criar narrativas de miséria para ganhar poder.

Reportagem da InfoAmazonia para o projeto PlenaMata.

Essa reportagem faz parte do projetoMentira Tem Preço— especial de eleições, realizado por InfoAmazonia em parceria com a produtoraFalaA iniciativa é parte do Consórcio de Organizações da Sociedade Civil, Agências de Checagem e de Jornalismo Independente para o Combate à Desinformação Socioambiental. Também integram a iniciativa o Observatório do Clima (Fakebook), O Eco, A Pública, Repórter Brasil e Aos Fatos.

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